Arquivos | julho, 2007

estilo + adequação profissional

31 jul

OFICINA DIZ: Tivemos uma experiência incrível na semana passada: uma assessora de imprensa nos chamou pra ‘conversar’ sobre adequação profissional com duas assistentes, que são umas graças mas tinham dúvidas e inseguranças na hora de se preparar pro trabalho no escritório. Que ninguém quer deixar de comunicar quem é, independente de onde está, mas tem umas sutilezas que fazem diferença no vestir profissional.

OFICINA DIZ: “Quando você modela com sensibilidade a sua imagem para adaptar-se ao ambiente profissional em que trabalha, não só se sente mais confiante – o que melhora sua performance e seus relacionamentos de trabalho, mas também faz avançar suas chances de impor o respeito e a confiança que merece”. E quem falou nem foi a gente, foi a Toby Fischer-Mirkin. Cada ambiente profissional demanda ‘preocupações’ diferentes de cada um: advogados precisam transmitir credibilidade, empresários precisam transmitir confiança, criativos precisam ser criativos (hahahaha!). E de quem trabalha em assessoria de imprensa se espera habilidade pra se relacionar e pra se comunicar, rapidez pra ‘fazer a coisa acontecer’, segurança pra frequentar/conduzir situações diversas. E só tem valor transmitir isso tudo quando a gente tá se sentindo, acima de tudo, bem linda.

nicole-pequeno.jpg
a nicole, no “antes”, tava muito justa e muito toda de preto… no depois ela ficou mais colorida, mais divertida (ela é suuuper!) e mais feliz

OFICINA DIZ: O que tem que se destacar no trabalho é o trabalho em si, a capacidade profissional de cada um – depois nossas personalidades incríveis e nossa beleza aparecem e acrescentam. Primeiro a gente se mostra capaz, se mostra confiável e competente, pra só então, de um jeitinho bem natural e não-agressivo, a gente se mostrar bonitinha também (e descolada, e antenada, e cuidadosa, e elegante, etc etc etc). Qualquer coisa que ‘apareça’ antes (ou mais) que a nossa capacidade não agrega valor profissional à imagem: perna demais, decote demais, roupa justa demais, maquiagem demais (ou super de menos!), acessórios malucos e barulhentos e desastrados… tudo tem que ‘estar’ pensado pra caber no ambiente de trabalho. A pele e o cabelo têm que estar bem tratados, as peças têm que ter aparência de qualidade e manutenção em dia (sem manchas, sem furinhos, sem fios puxados e tals), as unhas têm que estar cuidadas… tudo conta.

thais-pequeno.jpg
a thais no “antes” não dizia nada sobre ela mesma – no “depois” ela deixou bem claro que é possível ser elegante e estar super confortável ao mesmo tempo! foooooofa!

OFICINA DIZ: As meninas da assessoria, Nicole e Thais, tiraram dúvidas, anotaram sugestões e se sentiram super princesas quando a “chefa” contou que tinha separado um budget pra que a gente fizesse comprinhas com elas duas – foi uma delícia! A gente experimentou na vida real tudo que tínhamos mostrado na teoria, tudo que tinha sido conversado. A idéia não era restringir e sim otimizar as opções, e que elas fossem mais acertadas! As duas voltaram pra casa com peças-chave que rendem mil looks novos e que super incrementam as peças que elas têm nos armários. Junto com a parte material vem a parte mais importante, a que não é palpável:

“Oi, meninas, tudo bem? Adorei nosso encontro de ontem. Estou muito feliz com o resultado e acho que a Fê (a “chefa”!) também. na minhaopinião, além de ser muito importante o que vocês dizem sobre a forma como devemos nos vestir, também é ótimo o resultado para nós como pessoas, nos dando mais segurança e aumentando nossa auto-estima. Hoje já estou usando sapato novo, blusa nova e acreditem, estou de rímel. Não é o máximo? Muito obrigada, um beijo, Thais.”

OFICINA DIZ: Final feliz pra todo mundo: pra “chefa” que tá adorando a dedicação das fofas, pra elas que estão felizes da vida, pro trabalho que deve estar sendo bem mais gostoso de fazer (quando a gente tá linda tudo funciona melhor!) e pra gente que adorou a experiência. =)

Coluna Desabafo

30 jul

atgaaac9kfmm8w7ndxv_rarnakb60bgxmvnah9xth1zk3yglymzx1crt-bcmwtw6-yigrklxtf-bh4zsumb1wab7bbzlajtu9vassmbr7lcsklzzwzsqm6_kouvlog.jpg

LUIGI DIZ: A viagem acabou. Depois de um mês em Toronto, chegou a hora de fazer as malas e voltar para casa e para “real life”. Confesso que fiz isso com bastante desgosto, mas enfim, não tinha outro jeito.

Eu sei que esta coluna deveria ser sobre moda masculina (ou masculine, para alguns), como tem sido até então. Mas hoje não estou muito afim de falar disso, e resolvi fazer um pequeno (??) desabafo. Então vamos lá!

Logo que a gente aqui no BlogView decidiu a fazer esse esquema colunas semanais – que eu estou adorando, btw -, um dos assuntos mais recorrentes tem sido o tal DNA brasileiro, que teve o ápice de discussão com o post de street style, do Oliveros, que acabou repercutindo em vários outros blogs.

Tenho que admitir que fiquei meio neutro nessa discussão toda, da qual eu nem participei muito. Em parte por estar viajando, aproveitando outras cositas e curtindo a cidade. Mas também tinha muito de indecisão e dúvidas que sempre me deixavam pensando sobre o assunto de vez em quando. Uma das pessoas que eu conheci por lá, até chegou me perguntar qual era o estilo do Brasil. A pergunta – praticamente sem resposta na hora – me deixou ainda mais pensativo sobre o assunto e me levando a achar que eu, de fato, não tenho certeza se sei qual é o estilo das pessoas no Brasil.

Mas e ai, por que eu não sei? Falta de pesquisa, falta de informação, olhar viciado… Acho que um pouco de tudo. Até que uma outra pessoa que conheci lá – sim, conheci até que bastante gente para uma pessoa ultra tímida como essa que vos escreve – me perguntou do que eu mais sentiria falta quando voltasse para casa. Minha resposta foi que mais me deixaria com vontade de voltar era a liberdade que eu tinha de andar – a pé mesmo – para cima e para baixo, em todo e qualquer lugar e horário, sem pressa, sem neuras de trânsito e horário e, principalmente, sem medo de ser assaltado ou coisa pior.

No fim, acabei percebendo que eu ficava tão maravilhado com as pessoas mais fashionables ou mais montadas nas ruas, como se nunca tivesse visto igual em São Paulo, porque eu não ando em São Paulo. Ah, andar só pelas ruas dos Jardins e afins, não vale, tá?

Eu, e acredito que bastante gente que lê esse blog também, vivo num mundinho – e não só o da moda, não – super fechado. Sempre trancado dentro carro, ou em casa, escritório, café, boate, que seja, sempre correndo para não ficar preso no mega trânsito de São Paulo, sempre sem tempo para nada, que acabo não olhando com calma para nossas próprias ruas, para o que acontece nelas e para quem anda nelas.

Enfim, prometo que semana que vem volto ao tema da coluna, com um assunto mais interessante! De verdade!

Mais um!

30 jul

ryan-mcginley.jpg

mcginley_morrissey_3.jpg

ryan-kate.jpg

BITI DIZ: Esta semana, mais uma fashionista se rendeu aos encantos do blog: a editora de moda Camila Yahn. Bem-vinda ao Fashion Blog Clube!

Lá no Blog da Cami, entre várias coisas legais, tem um post sobre o fotógrafo-hype Ryan McGinley , autor de imagens lindas e impactantes, como as mostradas acima.

Curiosidade: quando era adolescente, McGinley foi fotografado por Larry Clark para o livro Skaters, que deu origem ao filme Kids. Depois de se formar em design gráfico na Parsons School, McGinley retomou a amizade com Clark. Aos 24 anos, foi o fotógrafo mais jovem a merecer uma exposição solo no Whitney Museum, em Nova York. Teve trabalhos publicados nas revistas Vice, Dazed and Confused, V, Dutch, iD e New York Times Magazine. Aos 30 anos, já está sendo incensado como ícone de uma geração que se caracteriza pelo estilo confessional e trash, como Nan Goldin e Wolfgang Tillmans.

Tem uma entrevista legal com ele, feita pela ArtNet, aqui.

 E para quem quiser saber mais, tem uma matéria bem completa, aqui.

Guignard revisitado

29 jul

guignard-gemeas017.jpg

“As gêmeas” de Guignard

BITI DIZ: Houve um tempo em que eu achava que não gostava de bijuterias. Usava um anel de prata, um relógio bacana, eventualmente uma peça antiga, de família ou de brechó, e só. Meu minimalismo durou até o dia em que conheci Mary Figueiredo Arantes e suas criações para a Mary Design. Rolou um encantamento instantâneo e num segundo foi-se embora minha atitude blasé. Eu parecia uma criança na frente de uma vitrine de doces, queria provar tudo. E a exlicação para esse acesso de  desejo é muito simples: pela primeira vez tinha encontrado bijuterias com alma, peças que pareciam carregar histórias e segredos, que não eram “a cara da estação”.

Desde então espero ansiosamente pelas coleções e catálogos, feitos com muito cuidado, por Mary e sua equipe. Esta, que acaba de chegar, chama-se “A Flor do Abacate” e celebra a obra do pintor fluminense Guignard.

guignard-flor-abacate015.jpg

“A Nova Flor do Abacate” era o nome do curso criado pelo pintor ao retornar da Europa, em 1929. As aulas aconteciam na casa que tinha sediado um cabaré, conhecido como A Flor do Abacate. Aliás, a tal flor possui os órgãos feminino e masculino e dura apenas dois dias.

guignard-marinheiro007.jpg

“Marinheiro”, de Guignard

“Guignard foi um apaixonado, seus famosos cadernos, recheados de bilhetes e cartões de amor platônico são um caso à parte em sua obra.” Mary F. Arantes

guignard-colar-marinheiro010.jpg

Dizem que Guignard costumava começar suas aulas assim: “Minhas senhoras e meus senhores, hoje vou apresentá-los ao amarelo”.

guignard-amarelo008.jpg

“Cidades e cores aéreas, corações e balões no espaço, delicados signos e fragmentos do desenho e da pintura de Guignard que, emprestados, ganham, numa nova linguagem, a dimensão de verdadeiros adereços de arte.” Letícia Julião, superintendente de Museus do Estado de Minas Gerais

guignard-detalhe-flor-abacate016.jpg

“Guignard traduziu em traço e cor o seu mundo interior, particular e único. Um belo mundo tanto na dramaticidade de seus santos flagelados quanto na exuberância de suas flores e na delicadeza de suas cidades imaginárias.” Priscila Freire, diretora Map

guignard004.jpg

“Noite de São João” de Guignard

“Guignard veio para Minas na década de 40 a convite de Juscelino, aqui em BH fundou, no Parque Municipal, a Escola Guignard. Ouro preto foi a cidade que este fluminense escolheu para viver e para virar semente. Mora hoje entre o mar de montanhas que tanto amou, lá no cemitério da Ordem Terceira de São Francisco, adornado pelo Aleijadinho, semeando balões em céus imaginários.” MFA

Fotos do catálogo: Gustavo Marx/Produção de moda: Mariana Sucupira/Beauty: Léo Caffé

Mary Design: mary@marydesign.com.br

Museu Casa Guignard: rua Conde de Bobadela, 110, Ouro Preto, Minas Gerais

PS- Dedico esta matéria ao Oliveros que tinha feito um post, semanas atrás, sugerindo temas brasileiros aos nossos estilistas. Felizmente temos Mary Arantes e Ronaldo Fraga, para nos presentear com a nossa própria cultura

 

 

Moda pra Ler entrevista: Carol Ambrósio – Dindi

29 jul

Laura diz: Criada dentro do brechó do pai, “Minha Avó Tinha” e apaixonada pela sensualidade das pin-ups, a estilista paulistana Carol Ambrosio tentou ser publicitária, mas acabou cedendo ao dna familiar. Ao invés de comprar e vender, resolveu criar e dessa decisão nasceu a Dindi.

Carol Ambrosio

Os anos passados dentro do brechó foram essenciais para definir o estilo da marca. Carol faz peças ultrafemininas que evocam ícones da sensualidade: pin-ups, bailarinas, vedetes, as voluptuosas mulheres dos filmes de Fellini, os cabarés franceses dos anos 20. Nas roupas isso transparece ora com tecidos fluidos e delicados, e com detalhes em rendas, ora com uma silhueta mais justa, com cintura marcada e o decote farto. Peças com perfume retrô para um figurino contemporâneo e cotidiano.

Carol respondeu a entrevista alguns dias depois de ter voltado da badalada feira de vestuário Bread and Butter, que aconteceu em Barcelona. A Espanha, aliás, é uma grande paixão da estilista “se existir outra vida, fui espanhola”, diverte-se a estilista que tem um carinho especial por Madri.

Moradora de Higienópolis, bairro em que também mantém seu ateliê, a estilista acumula o sonho de estudar moda em outro país e de se aperfeiçoar na técnica do moulage. Para a marca planeja uma loja própria para ficar mais perto de sua consumidora final.

Os sonhos, desejos e planos da estilista e da Dindi, o Moda pra Ler desvenda na entrevista a seguir.

Você esteve na Bread and Butter em Barcelona, como foi?
Foi o máximo!A feira é incrível. Super moderna, com outro conceito do que estamos acostumados em feiras. Super profissional.

Quais suas expectativas para o mercado externo?
Muitas! Estou amando, e está rolando super!

E o mercado interno, anda bem para a Dindi?
Sim. Temos clientes bem bacanas. Ainda quero abrir uma loja, com meu conceito e ai sim investir no varejo.

Quem são suas clientes hoje?
São multimarcas: Daslu, Dona Santa (Recife) e M e Guia (Belo Horizonte). Eu sinto não ter um contato mais direto com minha consumidora final.

Em reportagem do Estadão, você disse que o difícil não é entrar no mercado e sim continuar. Quais as principais dificuldades de continuar no mercado?
Tantas. Poderia ter paginas e paginas de descrição. Vou resumir de forma um tanto simplificada. Estrutura e planejamento é essencial, senão tudo é fugaz. Você precisa de muita estrutura e capital. Não basta ser bom. Quatro elementos básicos devem estar em sincronia: financeiro, comercial, estrutura produtiva e estilo. Então, começar é fácil porque ser novidade é fácil. Ser inovador a cada 6 meses, manter seu estilo atrativo, ter que competir com quem esta começando e com quem está aí há anos, são os grandes desafios.

Agora, sobre a história da marca. Porque escolheu esse nome?
Na verdade não tem uma super historia. Achei sonoro e possível de ser falado em varias línguas.

Quem são seus musa(os) inspiradores?
As Pin ups. Sou apaixonada.

O que te atrai na pin-up?
A pin-up evoca essa mulher que insinua. Isso me atrai.

Porque você optou por criações com ar retrô?
Na verdade, eu não optei. Eu vivi isto. Meu pai tem um brechó há 15 anos. Eu cresci naquele lugar. São essas minhas referencias.

Você segue tendências?
Acho que não. Mas é difícil falar não. Eu não sigo, mas se tem alguma coisa que eu gosto, vou aderir. Não da pra viver numa bolha.

Como desenvolve suas coleções?
Não tem um método.Gostaria de ter. Seria mais fácil. Cada coleção depende. Às vezes começo pelo tema. Em outra coleção posso começar a partir de uma peça que me apaixonei. Nesse caso adapto o tema ás cores. Em outros casos faço uma pesquisa maior. Também pode surgir de algo que vi.

Você considera sua marca vintage?
Sim, ela tem um perfume retrô sim. Mas não gosto de engessar neste conceito.

Você considera suas criações versáteis?
Quando crio quero que seja, mas agente não ta lá no guarda roupa da cliente, né? Penso que é uma roupa para ser usada em varias ocasiões. Depende dos acessórios e sapatos. Não gosto de rotular: “Roupa para sair”, “Roupa para festa”, “Roupa para trabalhar”.

Coleção Balé, a vontade de ser atriz, trilha de desfile com Nino Rota… Isso explica sua roupa também ser um ótimo figurino e ter um quê cinematográfico. O cinema é uma grande referencia para você?
Sem Duvida!!! Na verdade aprendi muito com os filmes e com o Theo (meu namorado) que é viciado. E minha sogra que é super bacana e dá varias dicas.

Tem alguma cena de cinema que você considera inesquecível?
Difícil escolher uma… Ah! Claro! Uma do Filme Drácula do Copolla. É um dos filmes mais lindos que eu já vi. A cena que a Lucy está morta no caixão, vestida de branco gelo, com uma gola Rufo maravilhosa e cospe sangue, super vermelho, numa cena toda branca. É incrível!

Você já fez figurino com roupas da Dindi para alguma peça de teatro ou cinema? Tem vontade de fazer?
Nunca fiz. Já fiz parte de um grupo de teatro. Teatro é minha paixão. Acho que é onde realizo a vontade de ter muitas personalidades. Mas figurino tenho vontade sim.

Como é o estilo da Carol Ambrosio?
Como é seu guarda-roupa? Como é a decoração da sua casa?

Gosto de brincar com as coisas. Gosto de personagens. Sem pretensão. Meu armário é inteiro Dindi e brechó, com algumas exceções. Minha casa também, moro com meu namorado, então tem o estilo dos dois. Ele é mais desencanado. Improvisamos bastante. Gosto de improvisar.

Você que cresceu em brechó. Tem alguma técnica para garimpar as roupas usadas?
Tem sim, mas não sei explicar. Tem que ter paciência. Fuçar, ter olho para achar e ir sem preconceito.

Muitas pessoas têm preconceito de roupa de brechó. O que você acha disso?
Eu não entendo quem tem preconceito, porque eu cresci em um brechó.
Lavou ta novo. Só lingeire que prefiro não comprar.

Você acha que um dia vai mudar de estilo?
Não sei. A gente muda e amadurece o tempo todo. Com a moda eu aprendi uma coisa: nunca é muito tempo!!!! E nunca diga nunca, pois você pode morder a língua.

Inútil, a gente somos inútil!!!!

29 jul

acosta12.jpg

OLIVEROS DIZ: Essas últimas semanas marcadas pelo caos aéreo, pela tragédia do acidente da TAM, pelos Jogos Panamericanos, algo me incomodou. O Brasil de um lado comovido pela tragédia, por outro feliz, com o Pan, e irritados com a inoperância aérea, e a gente aqui falando de moda? Discutindo se existe moda de rua, o último grito, a dança das cadeiras do mundo fashion…Aquela dúvida de sempre: será que somos alienados e fúteis???Fui tentando me acalmar e me lembrei do desfile do Adriano Costa, (uma das minhas performances como modelo, UIUIUI), que duas frases sintetizaram a coleção: A moda não vai salvar o mundo e A arte não vai salvar o mundo. Sim, a mais pura verdade.Depois, me lembrei de uma conversa no Fashion Rio com uma editora de moda de uma revista que não é de moda, e ela contou que a diretora de redação sempre ligava dizendo: “Ai, já que você está aí SÓ vendo desfiles, será que não daria para…” e o quanto ela ficava incomodada com a palavrinha SÓ. Sim, nas redações de jornais e revistas, a maioria acha que estamos lá nos divertindo e que moda é assunto menor, não é Alcino Leite, não é Vivian Whiteman?

Quando eu fui cobrir o TIM Festival no ano passado, no segundo dia, a maioria reclamava do cansaço, de como era desgatante assistir e escrever sobre um monte de shows. Com meus botões ficava eu repetindo: imagine esse povo durante uma semana de moda, como eles ficariam no segundo dia??? Sim, uma cobertura de moda começa de manhã por volta das 10h e termina quase às 23h. Quem faz cobertura online, não é Carol Vasone? E quem tem que publicar notas, não é Doris Bicudo, não é Jeff Ares?

E quem faz TV e ainda tem que publicar matéria em jornal? Não é Sylvain Justum?

E pior, não dá para usar uma calça jeans e uma camiseta qualquer como no TIM. Temos que estar impecáveis, chics no último, porque é isso que se espera de quem “mexe com modas”, não é Maria Prata?

Uma das formas de eu entender o mundo é vê-lo como uma grandiosa engrenagem. Se cada um fizer seu papel, ou seus vários papéis bem, tudo sai melhor. Se cada um compreendesse sua função dentro de um complexo emaranhado de relações, ações, reações, tudo seria mais fácil. Sim, eu sei, não é fácil. É um aprendizado longo, às vezes penoso, às vezes glorioso, descobrir o que a gente está fazendo aqui neste mundo, afinal.

Nosso papel e de muitos blogues de moda é esse: entender esse complexo mundo de infinitas relações e se alguém acha que é fútil/inútil, sempre vale a pena olhar o mercado. De acordo, com a ABIT: “Hoje, o setor envolve mais de 30 mil empresas e emprega aproximadamente 1,5 milhão de trabalhadores brasileiros. O setor têxtil visa recuperar a participação de 1% no mercado mundial, o que representa elevar o volume de exportações para US$ 4 bilhões/ano até 2007. São metas ambiciosas, mas com o planejamento adequado são compatíveis com a realidade brasileira. Para conquistá-las, novos investimentos em tecnologia serão fundamentais. O Brasil já possui a maturidade empresarial necessária, além da criatividade de nossos profissionais”.

O mercado de moda no Brasil produziu no ano passado 5,6 bilhões de peças (vestuário, meias e acessórios) e consumiu 1 milhão de toneladas de tecido, gerando US$ 15,9 bilhões. O investimento das 17,5 mil empresas que atuam no segmento foi da ordem de US$ 103,6 milhões.

É claro que enfrentamos muitos fantasmas apesar deste número. Veja alguns deles em O sucesso da moda brasileira , que procura entender a nossa pequena participação no mercado global da moda.

Buenas, o que estou querendo dizer, é que isto é só um levantamento quantitativo do mundo da moda. Quando escrevo, ou quando leio cada blogue de moda, sei que por trás de cada post, por trás de cada comentário, estamos comprometidos em revelar culturas, pensamentos e relações que não são mensuráveis. Talvez daí seja a origem do meu incômodo. O que estamos falando nem sempre é visível aos olhos. O que estamos falando é de um mundo em que temos esperança. A moda foi nosso meio para expressar um fim que todo mundo almeja: um mundo melhor.

Um mundo em que os aviões não caem, um mundo que a gente posso sempre comemorar, um mundo que a gente possa ir e vir como queremos. Nós estamos fazendo nosso papel. E você, que ainda acha que a gente somos inúteis, está fazendo o seu?

acosta6.jpg

PS: Fugi um pouco do meu tema, mas viver de moda é uma arte

CONTRA MITOS, À FAVOR DA LIBERDADE DAS IDÉIAS

27 jul

VITOR ANGELO DIZ: Vivemos numa época pouco criativa faz tempo. Uma espécie de Rococó dus infernus que não conseguindo sucumbir ao Barraco fez do adorno o entorno. Temos ainda muita dificuldade de sair do vulcão criativo do Modernismo e de suas respostas na metade do século 20.

Digo isso não esquecendo que sim, temos exemplos pipocados e isolados de criatividade, mas muito menos do que a mídia necessita todos os dias para alimentar o chamado hype.

Outro problema, para nós, fashionistas “globalizados” na periferia do mundo da moda (gente, adoro esse nome, vocês já repararam… é tão Roberto Schwartz!) são os acessos e os olhares que esses acessos nos dão para informações que a distância não podemos conferir in loco.

Essa talvez tenha sido minha grande preocupação: a educação do meu olhar!

hedi-capa-nao-olha.jpg

Pensando nisso comecei a implicar com Hedi Slimane, sim ele, um totem, um deus e citação de 10 entre 10 fashionistas com adjetivos de fantástico, incrível e genial. Olha, talentoso sim, mas genial é um pouco demais. (ai meu Deus, vou ter meu fígado comido por abutres…)

Entendo que o excesso de adulação vem de uma época de necessidade constante de mitos e hypes, mas não podemos exagerar.

Sim, a sua substituição pelo belga Kris Van Assche na Dior Homme, que apresentou uma coleção medonha em sua estréia só fez alçar Slimane ainda mais no panteão da genialidade. Cuidado Chanel que daqui a pouco ele te derruba daí, segundo os fashionistas de nosso “pobre” tempo.

Pausa no cabeção:: Quando falei que tinha problemas com Slimane, o Uóliveros falou que era porque eu era gordo e não cabia numa skinny e a gente morreu de dar risada. Mas mesmo cabendo, não é uma roupa em que alguém com mais de 35 anos fique bem, pelo seu ar extremamente adolescente. Convenhamos que o Lagerfeld fica bem estranho com Dior Homme: meio múmia, meio Ozzy! Será que ele não tem amigo pra avisá-lo? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Voltando ao assunto. Sim, acho Slimane talentoso mas não um criador ou mestre, o que pra mim é só nessas esferas que podem entrar em um panteão de genialidade. Apesar de que nos dias de hoje muitos consideram o marketing uma jogada de mestre.

Ezra Pound, esse sim poeta genial, classificou os escritores e numa visão geral, os artistas e produtores culturais em 6 tipos:

1 – Inventores – Homens que descobrem algo novo ou são os primeiros a evidenciar uma novidade.

2 – Mestres – Homens que combinam tais processos descobertos pelos inventores e os usam tão bem ou melhor que os inventores.

3 – Diluidores – Homens que difundem o que foi inventado

4 – Bons “escritores” sem qualidades salientes

5 – Belle Lettres – Homens que não inventaram nada mas se especializaram em uma parte da invenção.

6 - Lançadores de “moda” – Homens que por seu sucesso chamam atenção por um tempo, mas desaparecem e perdem importância no decorrer da História.

Pausa do politicamente incorreto: Antes que alguma feminista venha me chamar de misógino miojo mil folhas, o uso da palavra Homens aqui se relaciona aos seres humanos.

O que Slimane inventou? Nada! Pegou toda a informação da moda de rua e trouxe com olhar de moda para as passarelas. Processo realizado desde os anos 60 e, se não me engano, iniciado por Yves Saint-Laurent e sua jaqueta de motoqueiro inspirada no clássico de Marlon Brando “O Selvagem”.

Todo o universo rock já está presente na moda desde Mary Quant, sem falar da experiência inversa de construção de imagem rock pela moda com fez Vivienne Westwood, essa sim inventora.

No que ele é mestre? Nada. Ele não produziu uma moda inspirada na rua melhor que a de Vivienne nos 70 e todos que olharam para o Swinging London nos 60 e para não parecer velharia, está longe das construções de Walter Von Beirendonck para a W.& L.T.e toda a cultura eletrônica e clubber inserida em suas coleções.

313511231_6a1865e59d.jpg

Mod dos anos 60 diz: “Sr. Doherty e Sr. slimane, bebam da minha fonte!”

Sim, ele é um diluidor de primeira. Sim, ele fundiu uma cultura rock’n roll em um meio tradicional: o da alfaiataria, mas nada de novo no front, basta ver os mods, ou o figurino de Jean Paul Belmondo nos filmes de Godard (no início dos anos 60) para entender o que estou falando, apesar de acharmos que o estilo é de Pete Doherty

anos-60.jpg

jean-paul.jpg

Belmondo e seus signos imitados até hoje 

pete-lancadora.jpg

 

Doherty carrega seu museu de grandes novidades e a namorada lançadora de “modas”

Enfim, Slimane pra mim tem algo de interessante. Trouxe o corpo magro e esguio para as passarelas, tornou-o centralmente fashion. E com isso a juventude que é o que toda a sociedade anseia, mesmo com todos os problemas que essa corrida por um corpo magro e mais jovem podem acarretar negativamente. Mas nesse sentido ele trouxe uma mudança que vejo como conservadora, pois como o sociólogo Edgar Mourin já escreveu, o processo de adolescer de uma sociedade é uma forma de domesticá-la e tirar qualquer sinal de rebeldia, o adorno vira entorno.

Momento fofoca podre: Sem falar de um certo ar pedófilo que, tenho certeza, no fundo o sr. Slimane deve ter ao fotografar seus jovens. Mais do que isso reflete uma sociedade com desejo de juventude, que pode enveredar tranquilamente pelo caminho da pedofilia. 

pedofilia.jpg

foto Hedi Slimane 

modelo (de desejo) de Slimane 

 

Mas, afinal ele também é um produto de marketing assim como seu rival Tom Ford? Claro que em suas devidas proporções: Tom Ford é mais marketing agressivo, e Slimane é mais Natura, a marca, se é que vocês me entendem?

O estilista tem sim uma alfaiataria impecável! Mas pra mim, isso importa bem pouco no avanço da moda masculine. Não acredito que o avanço da roupa masculine esteja na alfaiataria. Apesar do senso comum entre fashionistas que alguém é bom em moda masculine quando faz uma boa alfaiataria. E é preciso desse quesito em seu currículo para entrar nesse mundo fechado de smokings.

A moda masculine avançará pelo sportswear, disso tenho uma intuição forte.

Então vejo Slimane como Debussy, trabalhando sobre a fórmula antiga, adorando as escalas tonais e não o novo de Schoenberg, o atonalismo.Ou mesmo Portinari que fingia cubismo para apresentar modernidade aceita para olhos fáceis, um cubismo de fachada. Quem ousava falar mal de Portinari na época, dizer que aquilo não era moderno e hoje o contrário é um fato inconteste.

Enfim, repito, Slimane tem seu mérito em seu tempo de moda sim, mas genial está longe. Isso não tira seus atributos e qualidades no mundo da moda, mas o rearranja na idéia de criador que muitos têm dele. E é assim começo a olhar para o fotógrafo.

Momento xoxo: E espero que diferente de Tom Ford, ele não caia no obscurantismo e se revele apenas um lançador de “moda”.

Mudança?

26 jul

GLAUCO DIZ: Saiu ontem na Ilustrada, da Folha de S.Paulo, uma entrevista bem legal com o britânico Malcom McLaren, criador dos Sex Pistols e responsável pelo impulso ao movimento punk no mundo. A matéria escrita por Marco Aurélio Canônico para marcar os 30 anos de “Nevermind the Bollocks”, primeiro álbum dos Pistols, me fez pensar em algumas coisinhas… Mas, antes de chegar a elas, acho que vale dar um pequeno panorama histórico do que foi o movimento.

Um pouquinho de história

sex-pistols.jpg

Os Sex Pistols

Aclamado como o último grande movimento jovem de contracultura, o punk tem como marco zero novembro de 1975, data do primeiro show dos Sex Pistols, realizado na St. Martins Art School, em Londres. Ainda que bandas norte-americanas como Television, Stooges e Ramones já estivessem fazendo o punk rock acontecer como gênero musical, foi com os Pistols que o “do it yourself”, lema máximo do punk, ganhou corpo e se alastrou pelo mundo. O grupo foi idealizado pela dupla Vivienne Westwood, até então uma simples dona de loja (chamava-se Sex), e seu marido, o empresário Malcolm McLaren. A idéia de McLaren, como ele até conta na matéria da Folha, era “causar”, fazer sua própria arte, subverter a ordem dominante da Inglaterra de Thatcher.

dois.jpg

Vivienne Westwood em vários momentos e o maridão, Malcolm McLaren

Filhos de operários vindos dos subúrbios ingleses e sem voz ativa na sociedade, os punks eram o lado B do bom-mocismo hippie (punk detesta essa idéia, mas é verdade). O som era mais do que básico. Três acordes, tocados em velocidade máxima acompanhando letras que falavam em “no future” e “anticristo”. Tudo isso adornado por um visual radical (o punk foi, antes de mais nada, visual), que incluía alfinetes, calças jeans apertadas, camisetas surradas, tênis rasgados, jaquetas de couro e cabelos coloridos. Um verdadeiro escândalo para a sociedade de então.

Sex Pistols cantando o clássico “God Save the Queen”

E foi esse choque dos conservadores ante o aspecto bizarro daqueles jovens que garantiu a visibilidade do movimento nascente. Ou seja, a moda punk, creditada em muito a Vivienne Westwood, foi um importante instrumento para a divulgação da ideologia que surgia. O visual agressivo era o diferencial entre os conformados e os rebeldes, aqueles que desdenhavam a indústria da moda e do consumo fácil.

Punk de boutique e o “mundo de karaokê”

roupas.jpg

À esq., fachada da loja Sex, de Vivienne Westwood. Ao lado, algumas criações da estilista no começo da década de 70.

Hoje, três décadas depois, discute-se como os preceitos do punk vêm sendo encarados na sociedade contemporânea. Uma das críticas recorrentes ao movimento é que suas bravatas já foram completamente assimiladas pela onipresente indústria cultural, transformando-o em mais um dos subprodutos do capitalismo. Em outras palavras, a anarquia virou mercadoria e a moda alternativa já não é mais tão alternativa assim. O que fazia sucesso entre os jovens no começo do punk e provocava arrepios nos pais da época não causa mais preconceito: “meninas de família” usam piercing e têm tatuagens, assim como atrizes das novelas. Isso deixou de ser marca registrada de um mundo underground, e o “monstro” foi desmistificado. É fácil encontrar camisetas, que antes eram pintadas e customizadas no fundo de casa, em grandes magazines. Cavalera, Sommer, Alexandre Herchcovitch, Triton, só para citar alguns brasileiros, já cansaram de mostram suas criações inspiradas nos porões de antigamente nas passarelas.

punks.jpg

Entre os adolescentes, a maior influencia punk vem, paradoxalmente, de bandas e cantores pop, como Blink 182, Good Charlotte, Green Day e até Avril Lavine. O mais interessante é que nenhum desses jovens assume seguir uma moda e o que é pior: abominam recém-chegados ao movimento por “não conhecerem a filosofia” (pega uma revista teen qualquer que você vai entender o que estou dizendo). Eles encaram mal o fato de tatuagens, piercings e coturnos terem se massificado, criando uma espécie de preconceito e isolamento dentro do próprio grupo. Engraçado isso, né? Mas eles refletem algo muito comum: a disputa pra ver quem é mais punk (ou mais indie ou mais fashion…). E no fundo, no fundo, para mim, acaba sendo tudo igual. McLaren no final da entrevista à Folha, vai mais fundo: “Vivemos em um mundo de karaokê. A conexão das pessoas com a terra e a cultura está desaparecendo rapidamente, substituída pelo mundo globalizado… A indústria musical está morrendo, a moda foi explorada a ponto de ficar saturada e corporativa”. Para ele, esse cenário onde tudo é igual e tudo é “commodity, produto” está abrindo espaço para outra mudança radical. Mas, que mudança? Para onde? Será mesmo? Fica a minha dúvida.

Pós-post

sexp.jpg

Sex Pistols em dois momentos e, à dir, o malucão, Sid Vicicius todo ensangüentado no palco

- Na wikipedia tem um ótimo resumo sobre a evolução da moda punk… Desde o surgimento, passando pelo anarcopunk e indo até os dias de hoje, com o chamado pop punk. É interessante.

- Para quem mora em Londres, rola até o começo de Setembro a exposição “Panic Attack!“, no The Barbican. A mostra traz uma coletânea de fotos, pinturas, filmes, vídeos e performances de artistas que documentaram ídolos como Sid Vicious e o efeito de seu lifestyle na juventude da época. Obras de artistas americanos, como Basquiat, também integram o evento.

- Pra terminar, um trecho do documentário “Islington Squatter Punk”, de 1983:

Guy Bourdin

26 jul

OH! DIZ No meu post da semana retrasada (desculpa, mas realmente não deu pra postar na semana passada devido ao caos aéreo tive que ir pro Rio de ônibus e ao invés de perder 45 minutos perdi 6 horas…) mencionei o incrível fotógrafo Guy Bourdin e queria falar um pouco sobre ele neste post. Engraçado que ultimamente tenho reparado muito como o seu trabalho está sendo usado como referência – tanto que a Madonna acabou de ser processada pelo filho do fotógrafo, por quebra de copywright, pelo clipe de “Hollywood” [para ver mais imagens absurdas do plágio, clique aqui].

Nascido em Paris em 1928, publicou suas primeiras fotos na Vogue Paris em 1955. Depois disso, trabalhou para quase todas as outras revistas de moda e fotografou campanhas para nomes como Charles Jourdan – pelas quais ele ficou mundialmente famoso -, Chanel, Ungaro, Montana. Suas fotos são conhecidas pela ironia, humor negro, sexualidade e cores marcantes/ saturadas, especialmente o vermelho sangue. Todas suas fotos tem também uma narrativa, elas contam uma estória.

Amo a sua série de fotos com polaroid, em que (sempre) uma mão de unha vermelha segura a pola no lugar da respectiva imagem, como na foto abaixo. Tem até um livro com essas fotos, que chama “67 Polaroids” que é lindo de morrer.

Infelizmente ele morreu de cancêr em 1991, mas pra quem quiser conheçer mais o trabalho dele, clique aqui.

Figurino

25 jul

 carlotajoaquina.jpg

BITI DIZ: A terceira edição do festival Iguatemi FilmeFashion, criado por Alexandra Farah, vai acontecer de 24 a 30 de agosto. O foco do evento é a relação entre a moda e o cinema, e a programação, pra lá de caprichada, inclui 3 mostras:

A Panorâmica Internacional vai trazer o documentário Lagerfeld Confidential, de Rodolphe Marconi, que estreou no último Festival de Berlim, mais uma série de curtas que fazem parte do projeto You Wear it Well de Diane Pernet e Dino Dinco, criadores do IQONS. E ainda material produzido pelo SHOWstudio do top fotógrafo Nick Knight.

Já a Mostra Competitiva vai premiar o melhor figurino de longa-metragens, filmes publicitários, clipes, curtas e até filmes de celular. Documentários de moda e filmesde bolso (?) também podem competir.  Mas atenção: AS INSCRIÇÕES TERMINAM DIA 30 DE JULHO. Não perca! Veja como se inscrever, aqui.

Já a Mostra de Cinema Brasileiro vai apresentar 15 filmes nacionais, produzidos entre 1920 e 2006, e escolhidos pela representatividade do seu figurino. Bateu uma curiosidade? Então descubra quais são as atrações no site do Filme Fashion.

A foto acima é do filme “Carlota Joaquina” de Carla Camurati, que vai estar na programação.

moda, estilo, humores e sentimentos

24 jul

OFICINA DE ESTILO DIZ: “Não somos feitos de uma matéria fixa, imutável; somos produto dos encontros, das conexões que nos permitimos fazer ao longo da nossa existência.”* A gente tem personalidade definida, tem todo um modus operandi que funciona direitinho (trabalhamos, almoçamos, encontramos amigos, resolvemos problemas…) e tem um guarda-roupa “na medida“. Tudo isso junto implica num estilo de vestir definido, que externe essas subjetividades com clareza para o mundo em volta. Mas e essa instabilidade, fruto dos “encontros e conexões” que nos permitimos fazer?

Qual o tamanho da relação entre o que acontece com a gente e o que a gente escolhe vestir? E qual a importância dessa relação? O emocional de um indivíduo pode se sobrepor ao seu estilo pessoal? Ou obrigatoriamente se manifesta aliado a ele?!??

idilio-de-tarsila.jpg
**às vezes a gente tá feliz

A gente não é estável (nunca) e tá todo mundo sujeito ao novo, ao inesperado. Mega natural que haja diferenças no vestir por conta desses ‘desacertos’ que teimam em acontecer no meio dos caminhos. O inesperado nos surpreende – apesar de saber que se deve viver esperando o inesperado, quem tá preparado de verdade pra ele?!?? A segurança do vestir-se automaticamente pode ser fragilizada por humores, amores, viagens, trabalhos, sustos ou medos… não pode? “O termo ‘complexidade’ vem do latim complexus, que significa o que abrange muitos elementos ou várias partes. É um conjunto de circunstâncias, ou coisas independentes, ou seja, que apresentam ligação entre si. Trata-se da congregação de elementos que são membros e partícipes do todo.”* O que a gente veste tem que falar da gente = nossas escolhas no vestir têm ligação com quem somos. E qualquer situação complexa que a gente vive “abrange muitos elementos ou várias partes”. O vestir também.

A gente pode usar moda pra acolher, pra confortar, pra camuflar sentimentos ou situações mal-resolvidas, pra alegrar, pra estimular. Escolher materiais fofos e aconchegantes pode ser sintoma de desconforto. Escolher cores coloridas pode pretender alegrar alguém tristinho. Escolher tons neutros e sóbrios pode dar sensação de se querer refletir, acalmar, permanecer inerte. Dificuldade de escolha pode decorrer de confusão mental, confusão de tudo. E se a gente conscientizar isso tudo, dá pra escolher direito, com propósito. Tipo mudar de roupa pra mudar de comportamento, ou mudar de comportamento e por isso mudar de roupa. As inglesas do ‘Esquadrão da Moda‘ escreveram um livro chamado “What you wear can change your life” e elas têm alguma razão.

a-lua-de-tarsila.jpg
** às vezes a gente tá triste

“O que de fato buscamos é captar o tempo todo o que se faz e o que se desfaz em nós, dar forma ao que vivenciamos em nossa subjetividade. Chega o momento, então, em que, a despeito da forte sensação de vertigem e desorientação que possamos experimentar, é preciso abandonar aquela forma que virou carcaça, não nos diz mais nada, e ir em busca de outra que pareça vital, que “aumente nossa potência de agir”*. Terapia em frente ao espelho; estímulo pra curas e atitudes e mudanças e tomadas de decisão que podem ser influenciadas e exteriorizadas no discurso não-verbal.

Tô indo pro cabelereiro. Vou ficar loira.

* Todas as citações são da professora Rosane Preciosa, tiradas do incrível “Produção Estética“. ** Todas as obras que ilustram o post são da Tarsila do Amaral. (E sim, esse texto é pra você.)

United Colors

23 jul

LUIGI DIZ: Coluninha rápida para não ficar ainda mais atrasada. Sem contar na mega ressaca acumulada de três dias, ou melhor três noites muito mal dormidas. Mas isso não vem ao caso.

2nd-floor.jpgTese desta coluna: coordenação de cores substitui as estampas? Segundo o que a gente vem vendo nas passarelas – nacionais e internacionais -, sim. Já faz umas duas, senão três temporadas que muita marca/estilista vem investindo pesado na coordenação de cores, com muitas sobreposições. Exemplo mais calor e mais recente: 2nd Floor e DTA verão 2008, desfilados no SPFW e Fashion Rio respectivamente. Ambas com ar oitentinha e um pezinho, quando não dos dois, na onde new-rave. Também teve Alexandre Herchcovitch, basicamente tudo preto e branco, Reserva com muito tom pastel assim como na Osklen – ok, aqui até teve algumas estmpas, mas não foi tanto assim.

Lá fora foi a mesma coisa, só que com um porém: transparências. Quase sempre sobre uma outra camisa ou camiseta opaca, bastante gente usou camisetas e busas em gaze ou organza sobrepostas a peças da mesma cor. Melhor exemplo: Burberry, com a coleção inspirada nos surfistas, também com bastante cores fluo.

Skinny Colorido

Acho que foi semana passada que saiu no site da Vogue RG notinha falando sobre os skinnies coloridos, hit promessa do próximo verão. Lá mostra algumas celebridades trendsetters que já aderiram a moda. Mas é só para as mulheres? De jeito nenhum. Quer dizer, pelo menos por aqui em Toronto. Tá cheio de homem usando por aqui. Até eu já peguei um azulão para mim e estou quase pegando um roxo.

Para quem quiser se jogar nessa, pode passar na Ellus 2nd Floor ou na DTA (de novo as duas) que lá vai ter. Tudo bem que é não é skinny, skinny, mas o jeans é bem sequinho então fica tudo. E é até mais fácil de usar.

O Brazil não conhece o Brasil

22 jul

Precisão
Clarice Lispector

O que me tranquiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição.

OLIVEROS DIZ: Na coluna da semana passada, Orgulho de Ser Brasileiro, comentei sobre como acho importante perceber o quanto a moda brasileira avança quando ela se refere a nossa própria cultura. Todo mundo sabe o quanto o cinema americano foi importante para difundir o american way of life, e penso que a moda hoje pode muito bem cumprir esse papel.

Quando a moda não fala só de si, ela pode ser a ponte para que nós possamos ser refletidos nela, e o quanto isso pode contribuir para que a nossa moda seja conhecida no mundo, longe dos esteriótipos futebol, samba e praia. Quando a moda extrapola a noção primordial da roupa de apenas cobrir o corpo, ela pode transformar-se em matéria prima da difusão cultural.

O Brasil não conhece o Brasil, mais do que um refrão cantado por Elis Regina, é uma daquelas verdades que refletem de um lado, a nossa estatura gigantesca enquanto país-continente e de outro, a vontade de ser primeiro mundo e esquecer nosso passado a qualquer custo, e que é o nosso maior dom, o de ser mestiço, como não acontece em nenhum outro lugar.

Ser mestiço soa como se fossemos sempre filhos bastardos. Mas são estes bastardos, como Aleijadinho, que permitem sermos originais.

 

Na moda é a mesma coisa. Foi-se o tempo que o que era moda vinha de Paris e nossos costureiros tinham que reinventar os Diors da vida. Hoje o mundo precisa da diferença. É esse jeito mestiço que pode ser nosso trampolim.

Então, se podemos investir nisso, porque continuar olhando para o além mar?

Já pensaram numa coleção inspirada em Helio Oiticica, Lygia Clark? Já pensaram em quantos artistas plásticos podem ser convidados para desenvolver uma estamparia única, como a Rhodia fez na década de 60? Ou como seria linda e chic uma coleção Clarice Lispector? Ou sexy e perversa como Nelson Rodrigues?

Tá na hora de pensar coleções com roupas repletas de mensagens, atitudes, conceitos que alargam os sentidos do que foi a folha de parreira no paraíso perdido: cobrir as vergonhas. E parar de olhar para a cultura dos outros, para encobrir nossas próprias “vergonhas”.

P.S.: Hoje não tem imagem, não, porque cada um pode formar a sua própria Imagem, tah?

 

 

Moda pra ler entrevista: Jefferson Kulig

21 jul

Laura diz: O estilista paranaense Jefferson Kulig mostra suas coleções no São Paulo Fashion Week desde a edição de inverno de 2003.

Nesses cinco anos ele levou para passarela trabalhos que unem moda, arte e experimentação. Suas inspirações vêm da história e da ciência. Ele se denominou um “cientista da moda” no verão 2006. Os críticos costumam questionar seu trabalho, falando que é muito conceitual.

Nessa entrevista Moda pra Ler dá a palavra ao estilista que fala sobre os críticos, conta um pouco sobre seu trabalho e os conceitos que o envolvem.

Moda pra Ler – Seu trabalho leva a moda ao limiar da arte. Arte e moda são sinônimos?
Jefferson Kulig – No meu trabalho a arte e a moda estão normalmente ligadas! Várias das idéias que coloco em minhas coleções e também na passarela são tiradas do mundo da arte.

Na arte, na moda e na ciência quais são suas fontes de inspiração?
Me alimento de informações do dia a dia, aonde acrescento em meu banco de dados para depois repassar em forma de criação.

Sua família tem uma fábrica de tricô e você se formou em economia. Como foi o caminho até se tornar estilista responsável por um trabalho ousado?
Para resumir esta resposta, todo trabalho que envolve criatividade e ousadia é na verdade muito exaustivo. As idéias diferentes, inovadoras são um pouco mais complicadas de aparecerem

No seu site suas roupas são denominada como “plásticas”. Você se considera um artista ou um estilista? Ou os dois?
Não tenho a preocupação de dar um título ao meu trabalho, sei que me utilizo dele para me comunicar com o público, gosto de pensar que poderia fazê-lo independente da área que atuasse.

Em alguns de seus desfiles você levanta questões polemicas, como o preconceito. Você acha que a moda também pode ser um meio poderoso para se levantar questões ambientais e sociais? Em que medida?
A moda hoje ganhou grandes proporções de veiculação, portanto é um grande veículo de comunicação que deve ser explorado. A influência da moda no mundo é muito grande, e por isso tudo que estives ligado com a moda terá uma excelente visibilidade.

Sua moda é acompanhada de muito experimentalismo, como tecidos tecnológicos e formas ousadas. Qual o perfil do consumidor da sua marca?
O perfil do meu cliente é aquele que tem vontade de vestir o novo, experimentar novas sensações e ser diferente.

A sua proposta de moda é explicitamente diferente da dos outros estilistas. Une arte e ciência e a moda brasileira é marcada por criações comerciais. Alguns críticos explicitam a falta de entendimento ao seu trabalho. Você acha que o mercado de moda brasileiro ainda precisa se consolidar para a mistura arte e moda seja encarada de maneira mais natural, como já acontece na Europa e Japão, por exemplo?
Acho que só a cultura do país mudando, acreditando no produto nacional, não sendo mais um Brasil que importa idéias da Europa e EUA, mas sim um país que exporta idéias para outros continentes! Somente dessa forma a moda será enxergada de outra forma aqui no Brasil!

O que você acha da imprensa de moda no Brasil?
Acredito que a imprensa no Brasil tem que se destacar mais. Temos exemplos de pessoas da imprensa da moda brasileira que vão para fora do país, mas acabam não executando uma função como exerciam aqui. Portanto, às vezes, sinto que eles sabem criticar muito bem, mas na hora de mostrar serviço lá fora…. Ao contrário de muitos estilistas brasileiros que conseguiram ocupar um lugar de destaque no mercado internacional. Um exemplo é o estilista brasileiro da Calvin Klein Francisco Costa que alcançou um espaço de muito destaque. Quando ele era estilista no Brasil recebia críticas, porém, chegou a ganhar prêmios como melhor designer de coleção feminina,concedido pelo Council of Fashion Designers.

Onde suas roupas são vendidas atualmente? Há lojas no exterior?
Todo o território nacional. Também temos show room em Nova York e Chicago e estamos entrando no mercado europeu, porém, ainda estamos definindo a localidade que vamos abrir nosso show room.

Já pode adiantar alguma coisa sobre a próxima coleção? Inspirações, formas e tecnologias?
Infelizmente costumo não expor as idéias das próximas coleções! O que posso dizer é que vocês vão gostar! rsrs

Quais são os planos futuros da marca?
Expandir nosso mercado cada vez mais! Outro plano que estamos levando adiante seria de desenvolver produtos em parceria com empresas de tecnologia, aonde podemos criar um diferencial dentro do mercado da moda!



***
Fotos: Erika Palomino.
Entrevista publicada originalmente no Moda pra Ler.

Extra: BlogView na coluna Moda do Glamurama

21 jul

Bem chiques, citados pela Alexandra Farah com um super carinho. Quem não fica vaidoso?!??

glamurama.jpg

“BlogView: uma visão múltipla do mundo da moda.  Vários blogueiros se reúnem para trocar infos e opiniões. Tá pegando lá o tema “O Brasil tem moda Street?” (Tô acompanhando e amando. Parabéns amigos!!)”

Rapidinha

20 jul

BITI DIZ: Hoje estou na maior correria e vou fazer um post “the flash” mega rápido, pró-final-de-semana. 

zacarias-pontoonibussite.jpg

zacarias_polaroid3_menor.jpg as duas imagens acima são da série polaróides (in) visíveis de Tom Lisboa

Confira, no sábado, dia 28, a exposição Conectando Espaços Urbanos, que comemora os dois anos da galeria Emma Thomas de Flaviana Bernardo e Juliana Freire. A exposição tem curadoria do artista multimídia Adriano Casanova. E atenção:

“A quinta exposição da galeria fica em cartaz até dia 6 de outubro com instalações, fotos, intervenções, vídeos, arte postal e pinturas na área externa e interna da Emma Thomas. Alguns trabalhos só podem ser conferidos na noite da abertura, como as performances “Manifeste-se! Todo mundo artista”, da dupla “mm não é confete” (Mariana K e Milena Zafir), e “Improviso: objetos sonoros maquinicos” e “MobileMoby”, de Alexadre Fenerich e Giuliano Obici, que mescla vídeo, música digital e instrumentos-mecanismo.”

(mais…)

Intervalo

20 jul

A coluna da Olivia Hanssen, que costuma sair às quintas-feiras, não foi publicada porque a stylist teve que viajar a trabalho. Olívia pede desculpas e promete caprichar no post da semana q vem. ;)

Vulgaridade ou sensualidade?

18 jul

bebel.jpg

GLAUCO DIZ: Ela tem “catiguria” e gosta de homem de “cueca maneira”. A prostituta Bebel, interpretada pela atriz Camila Pitanga na novela Paraíso Tropical está, digamos, na boca do povo. E seu estilo, do tipo “tudo ao mesmo tempo agora”, misturando a moda de Copacabana, a cultura do funk (lembrei do livro Meninas do Brasil, citado pela Oficina alguns posts atrás) e a perua das oncinhas, paetês e muito brilho, certamente tem tudo para ser um hit do próximo verão. Quer uma pequena prova? O portal de notícias da Globo, o G1, deu uma matéria no dia 3 de julho falando do sucesso do famoso body “engana mamãe”, muito popular nos anos 60 por ter uma cara comportada na frente, tipo um maiô e ousada atrás, como um biquíni. A reportagem conta o caso de uma grife da zona sul carioca que viu seus modelos – R$ 240, em média – se esgotarem após a atriz aparecer com um exemplar de oncinha na novela. A mesma matéria traz também uma série de depoimentos de mulheres, dos 27 aos 57 anos (!!!) que se declararam mega felizes com suas aquisições “pra lá de sexies”. E não é só nas ruas que esse modelo faz e ainda vai fazer bastante sucesso.

engana.jpg

Os maiôs engana-mamãe de Bebel

Nas passarelas pude observar muitos maiôs, macacões e até vestidos utilizando a mesma idéia. Aliás, isso só me trouxe uma dúvida: Bebel influencia a moda verão 2008 ou é a moda verão  2008 que influencia Bebel? Enquanto não descubro a resposta (digam vocês!), uma coisa eu tenho certeza: não existe passarela maior que a novela das oito.

passarela1.jpg

Da esq. para a dir.: Água de Coco, Cia. Marítima, Poko Pano e Blue Man

passarela2.jpg

Da esq. para a dir.: Zoomp, Reinaldo Lourenço, Colcci, Triton e Cia. Marítima

Enfim, essa moda sexy com megadecotes, muito brilho, lurex, microssaias e salto altão, essa moda com um “pé na piranhice” (sem preconceitos, hein gente?) é bem provável que aconteça…. para a tristeza de alguns elegantes que conheço. Por falar em elegantes, lembrei de uma entrevista que o estilista brasileiro Francisco Costa, da Calvin Klein, concedeu à Folha. Quando perguntado sobre o que ele gostava e o que não gostava no estilo das brasileiras, respondeu: “Existem pessoas chiquérrimas no Brasil. Mas existe uma atração muito grande pela vulgaridade – não só aí, mas em todo mundo -, devido a uma série de fatores, inclusive econômicos. Tenho pavor de barriga de fora, por exemplo”. Pois é, Costa, a Bebel acabou trazendo à tona exatamente essa moda com um pé na vulgaridade. Ouso até dizer uma moda de rua autêntica, bem brasileira. E o engraçado é que enquanto Bebel toma aulas para se tornar uma moça chique, as chiques de carteirinha estão no caminho inverso. Todas querem ser Bebel.

Pós-post: o que separa a vulgaridade da sensualidade?

as donas da personalização

17 jul

OFICINA DIZ: A legendária Regina Guerreiro disse num seminário fashion no ano passado que “o mundo ficou um lugar meio tedioso, as pessoas estão se vestindo igual, estão industrializando a mesmice.” A gente concorda. Falamos em estilo pessoal, em individualização e personalização o tempo todo, mas ninguém é tão original quando se depende do mercado: tudo que a gente veste vem das mesmas lojas, dos mesmos shoppings, dos mesmos lugares, não?

costureirasblogview2.jpg
as costureiras da tarsila!

OFICINA DIZ: Durante a segunda guerra mundial a recessão e o racionamento de tecidos obrigou a mulherada a se virar pra conseguir um look bom: “devido ao aproveitamento de sobras de tecido tornou-se moda o debrum de outra cor nas golas, mangas, etc; ou a gola, tampos de bolsos e acabamentos em outro tecido, servindo de enfeite para os momentos de crise econômica”, foi o que o professor João Braga escreveu num artigo antiguinho para a revista Costura Perfeita. As melheres da década de 30 customizaram por uma necessidade. A gente acha que hoje há uma outra necessidade, diferente da delas: só dá pra individualizar (de verdade!) quando a gente mesmo põe “a mão na massa”. Como não dá pra tecer o prórpio tecido, tingir em casa, criar, modelar, costurar… quem salva a gente são as costureiras! Tipo tem que ter, essas senhorinhas que salvam a gente na hora dos ajustes e acertos também podem salvar a gente no look todo.

festas-juninas-bv.jpg
infância na costureira: montação pra festas juninas!

OFICINA DIZ: Uma delícia adaptar uma peça pra que fique perfeita pra gente: mudar uma manga, diminuir uma prega, subir uma bainha (fundamental!) ou acrescentar um botãozinho a mais pode fazer toda a diferença. Mais delícia ainda ver materializada, pelas mãos dessas fofas, uma criação/inspiração/invenção autoral, nossa! Tipo parte de cima do vestido da celebrity com a parte de baixo vista numa vitrine – na medida perfeita, construída sobre o corpo, com cuidado e carinho, com as mãos. Escolher tecidos, então…! Quem mais tem looks assim, “desenvolvidos” em conversinhas entre duas pessoas apenas, na intimidade de ateliês quase sempre simples? Só quem tem uma costureira incrível!

vestido-de-casamento-da-cris-bv.jpg
vestido de casamento TEM QUE ser personalizado, né?

OFICINA DIZ: Mais do João Braga: “interferir naquilo que já está pronto ou mesmo criar uma nova peça que seja única ou individualizada; pegar alguam coisa e transformá-la em outra – a palavra ideal da língua portuguesa para identificar esse processo é ‘personalização’. E nisto brasileiro é craque, talvez até mesmo por necessidade de expressar criatividade. Qualquer costureira das mais simples sabe o que é fazer uma reforma de roupa e inventar alguma coisa nova a partir de algo já existente.” E se a gente tem repertório, se tem história pra contar, a gente tem estilo. E dá pra imprimir isso em vontade autêntica, super pessoal, não dá?

ronaldo-fraga-e-as-costureiras-bv.jpg
ronaldo fraga homenageou: suas costureiras foram pra passarela! – a gente tá no mesmo time

OFICINA DIZ: Mas será que a gente é craque nisso mesmo? Que todo mundo quer ‘expressar criatividade’, mas e o medo? E o preconceito? Fora de SP a coisa rola muito mais tranquila, mas aqui tem meio uma tensão em relação à costureiras e à “roupa mandada fazer”! Se for por falta de indicação de gente super bacana e cheia de habilidade, aqui tem a listinha de profissionais que trabalham com a Oficina, sempre incríveis. E todo mundo pode contribuir nos comentários com contatos de costureiras bacanas de outros lugares, pra gente montar uma agenda exteeeensa. Que tal?

Makeup

16 jul

adam_makeup_1.jpg

LUIGI DIZ: Estava andando com a minha irmã aqui por Toronto esses dias, quando ela disse que precisava comprar maquiagem, que já sabia onde era a loja que ela queria ir e tudo mais. Daí virei para ela e falei: “Ótimo, vamos lá que também preciso ver umas coisas para mim”, achando que ela ficar super passada – afinal, ela com seus 15 aninhos ainda é bem careta em alguns aspectos. Mas para minha surpresa, ela disse: “Tá bom! Sabia que todos meus amigos também usam?”

No fim quem ficou passado fui eu. Estudei na mesma escola dela – no Porto Seguro, para quem possa interessar – e me lembro direitinho de como eram a maioria dos meninos de 15 anos na época. Super mauricinhos, quadrados até o talo, repudiando qualquer excentricidade – para não dizer esquisitice – a mais. Mas os tempos mudam, não é mesmo? Agora os garotos de 14 ou 15 anos estão usando bases e corretivos para cobrir imperfeições, fazendo hidratação nos cabelos e até pilling para diminuir as espinhas.

Acho que o careta da história sou eu. Se pararmos para pensar, há anos atrás, pensar num homem furando a orelha era praticamente um absurdo e hoje é quase que uma banalidade. Então, por que com o make seria diferente? Desde que a cultura do metrosexual – odeio esse rótulo, mas enfim… – ganhou relevância, o tão chamado grooming – ato de se cuidar literalmente, tratamentos capilares, cuidados com a pele e maquiagem – vêm ganhando cada vez mais adeptos.

Segundo uma matéria publicada na revista Forbes, 4,8 milhões de dólares foram gastos com produtos de beleza exclusivos para homens nos EUA, o que corresponde à um aumento de 42% comparado às vendas de 2001. E ainda que não seja o mais comum entre os produtos de beleza e cuidados para pele, a maquiagem para os homens vem experimentando uma constante popularização.

Então, quando chegamos na loja resolvi ir conversar com uma das vendedoras sobre o assunto. Apesar da loja – M.A.C – não ter produtos especialmente masculinos, Claire, a vendedora disse que sempre atende clientes homens, “aparentemente não gays”, como ela mesmo disse, em busca de produtos para corrigir imperfeições, esconder espinhas ou diminuir a oleosidade da pela.

Ok, então os homens estão mais preocupados com camuflagem e correções do que parecerem bronzeados, ou com uma corzinha extra na pele, certo? “Exatamente, o que mais escuto por aqui, é ‘quero usar alguma coisa que não deixe claro que estou usando maquiagem’”, conta Claire.

E foi justamente sentindo essa demanda do mercado que Lee Gilbert, fundou em 2004 a marca KenMen, totalmente dedicada à produtos de beleza para homens. Lá tem desde pós coloridos, à delineadores, bases e corretivos, alem dos mais básicos produtos para cuidados com a pele.

O mais legal da KenMen, é que no seu site, além de uma das melhores e-stores da área, tem várias informações bem didáticas de como e o que usar, de acordo com cada tipo de pele e objetivo. Afinal, como a própria Lee Gilbert, disse, “os homens estão mesmo interessados em informação”.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.