Arquivos | agosto, 2007

A PERSONAGEM LADY DI

31 ago

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VITOR DIZ: Como escrevi ontem em meu blog lembrando a época da morte de Lady Di, ela “nunca foi muito assunto de minhas preocupações nem de meus amigos ingleses, quase todos republicanos e anti-monarquistas. Lembro bem de um piquenique na Soho Square, que apareceram uns amigos que estavam trabalhando para almoçar na praça e no meio da conversa todos me falaram que achavam ela uma típica inglesinha de merda, que fazia muito bem seu papel na grande novela mexicana que são os membros da família real. Isso são palavras deles e lembro que olhando pra mim falaram: cada povo tem a soup opera que merece!

Então comecei a pensar na Lady Di como uma personagem de uma grande e eterna novela inglesa sem fim e que, cheia de surpresas, traz sempre reviravoltas em sua narrativa. Além disso, muitas dessas histórias são contadas através de suas roupas.

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Ela começa como a mocinha, uma namoradinha do Reino Unido pra Regina Duarte nenhuma botar defeito. Um ar ingênuo e muito inglesa em seu cardigãs, cashmeres, saias plissadas e estampas florais. Esses dois últimos itens acompanham aind a em seu estilo.

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Mesmo a famosa foto de John Minihan, que causou certa comoção na época por mostrar Diana com uma saia transparente com as pernas abertas, não conseguiu macular a imagem de boa moça, ainda mais segurando crianças da escola que dava aulas antes de se casar com Charles.

Como numa novela escrita por David Lynch, o final feliz vem antes. Diana e Charles trocam alianças no chamado casamento do século. A futura princesa de Gales casa-se em um modelo criado por David e Elizabeth Emanuel, com mais de 10 mil pérolas bordadas em um vestido marfim de tafetá de seda pura com renda. A cerimônia, televisionada para diversos países, faz nascer um ícone fashion, o vestido de Diana é copiado no mundo inteiro. Quer melhor novela que essa pra difundir modismos!

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Depois, veio uma princesa ainda muito insegura em relação ao seu estilo, que seguia as tendências, ainda não as ditava. Adotou o power dressing da década de 80, e mandou ver nas ombreiras, no tailleur, no chapéus e na escova. Dizem que na época ela seguia muito o que o pessoal da Vogue inglesa falava pessoalmente a ela o que era bom e fashion.

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Chegou a gastar em um ano sem muito consumo mais de 60 mil dólares em roupas, uma coisa meio Rainha da Sucata! Mas a vida de princesa não era fácil não.

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Infeliz no casamento, com traições de ambos, um certo mau estar com as regras rigorosas da família real, ela se divorcia e se reinventa. Tipo a Julia, interpretada por Sonia Braga em Dancyn’ Days quando depois de passar um tempo na cadeia, vai pra Nova York e volta supermegablaster hype.

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Antes e Depois

Acerta a modelagem, dá um corte mais moderno no cabelo, começa a ter consciência fashion. Continua a prestigiar a moda inglesa vestindo estilistas como Bruce Oldfield, Edina Ronay e Catherine Walker, além de prestigiar seus amigos Gianni Versace, Valentino, Christian Lacroix e Ungaro.

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E fica cada vez mais magra, o que pra moda é ótimo, mas para a sua saúde era péssimo. Vive o drama da bulimia e da anorexia acompanhada por toda a Inglaterra. Uma coisa Camilinha (Carolibna Dieckmann) que tinha câncer na novela do Manoel Carlos que eu não lembro o nome.

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Agora não adianta, Di (já fiquei intimo) gostava mesmo de uma boa cintura alta, fruto dos 80 que estão tão na moda e por conseqüência, seu estilo que tinha até para fazer suas viagens assistenciais como as inúmeras personagens da Regina Duarte.

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Sua morte trágica parece não encerrar a personagem. Livros, hoje, dão conta de tentar desmontar o mito, uns chegam a falar que ela era fria e calculista. Mas sendo assim, uma pesonagem tão complexa, eu só tenho uma pergunta: Afinal, quem matou Odete Roitman?

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Universo Cosplay

30 ago

GLAUCO DIZ: Pesquisando para a minha primeira colaboração para o site da RG Vogue (Ebaaa!), descobri um universo bem curioso. Certamente, muitos já conhecem a cultura cosplayer. De qualquer forma, acho que vale dividir com vocês meu encantamento nerd com o tema…rs.

Abreviação de “costume player”, o cosplay surgiu na década de 70 (alguns falam que foi no Japão; outros, nos EUA), quando as convenções de quadrinhos e filmes de ficção científica liberavam a entrada de quem estivesse fantasiado como os personagens das histórias.  Com o passar do tempo, a prática foi se tornando uma tradição e um hábito que se espalhou por todos os tipos de convenções envolvendo séries ou personagens.

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Eu sou muito nerd… Queria tanto a fantasia dos X-Men (acima), ou do Squall, do jogo Final Fantasy (loiro agachado, logo abaixo). O cabelo da menina da foto à direita é bem legal!

Reza a etiqueta cosplay que você deve confeccionar a sua própria roupa com, no máximo, a ajuda de duas pessoas não-profissionais. Porém, com a brincadeira se tornando algo cada vez mais sério e um negócio para muitas empresas, há hoje até Cosplay Stores. Ou seja, lojas especializadas em comercializar produtos para esse público, além de fabricar toda sorte de fantasias, armaduras e armas. Na minha pesquisa, descobri que algumas pessoas gastam até R$ 2 mil para se transformarem no personagem escolhido.

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A japonesa Yaya Han, considerada uma das melhores do mundo no cosplay.

O principal ponto de encontro dos cosplayers são os eventos de animê que acontecem anualmente no mundo todo. No Brasil, são mais de 400 comunidades no orkut, com participação de pessoas de norte a sul do País, além de eventos em quase todos os estados. Por concentrar a maior colônia japonesa, São Paulo conta com as mais importantes convenções: além dos populares Animecon e Anime Friends, que recebem milhares de visitantes em Julho, a cidade sedia também as eliminatórias para o World Cosplay Summit (WCS), concurso internacional de cosplay cujas finais são realizadas no Japão. Nesses concursos, os competidores têm de fazer uma pequena apresentação que represente os personagens que escolheram encarnar e o desempenho é avaliado por juízes. Aliás, no WCS 2007, um casal de brasileiros estava entre os 12 finalistas. Os cariocas Thaís Jussi e Marcelo Fernandes foram buscar o bicampeonato do Brasil no concurso, já que os irmãos paulistas Mauricio e Mônica Somenzari venceram a edição de 2006.

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Após três meses preparando as vestimentas, Vingaard e Yuki, como são chamados os personagens dos cariocas Thaís Jussi e Marcelo Fernandes, venceram etapa nacional do WCS 2007.

Moda

Impossível não falar da influência que toda essa cultura tem na moda. De cara, dá pra lembrar de toda a montação dos jovens japoneses em Harajuku e Akihabara, bairros referência de cosplay pelo mundo, localizados em Tóquio. Em escala menor, o cosplay também ocupa as ruas de São Paulo. Quem freqüenta o bairro da Liberdade aos sábados certamente já deve ter visto, principalmente perto da estação do metrô, adolescentes com lentes de contato coloridas, tiara com orelhas de gatinho e, com um pouquinho de sorte, até uns cosplayers (eu já vi um grupo muuuuito legal: uns meninos vestidos iguais aos membros da gangue de Alex, interpretado por Malcolm McDowell, no clássico Laranja Mecânica).

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Fotos do Flickr de jovens do bairro japonês de Harajuku, em Tóquio 

Super antenada na cultura pop e nas atitudes que “estão em alta”, a estilista Thais Losso, apresentou no último Fashion Rio, pela grife Sommer, uma coleção com temática oriental. Para o desfile que rolou no Cine Odeon, no centro do Rio, contratou cosplayers e exibiu vídeos do popular desenho Naruto. Já a Nike, que pelo visto não perde uma, também lançou uma propaganda que utiliza desse universo. Cosplayers perseguem um cara pelas ruas de Tóquio usando tênis multicoloridos. É bem legal.

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O verão 2008 da Sommer tem referências na cultura pop asiática e, é claro, nos cosplayers (Fotos Alexandre Schneider/UOL)


O Vídeo Nikecosplay

Choque

30 ago

OH! DIZ: Não assino o jornal Estado, nem tenho o custume de lê-lo na internet, então só agora que eu vi a campanha que o portal de internet do jornal vem fazendo contra os blogs (até comentei no meu blog no começo da semana) com o slogan: “por onde você tem clicado, heim?”.

OH! DIZ: O que mais me chocou foi a generalização com que eles abordam o assunto, fazendo parecer que todos os blogs, como os de psicologia mencionados acima, são um truque. Realmente fica fácil de descreditar muitos bloggueiros pois não sabemos quem são e nem se eles sabem do que estão falando. Mas, pra mim, fica ao critério de cada pessoa saber se o que o blog fala é verdade ou não. O grande problema é a generalização da campanha. Ai já é um pouco demais, não? Ainda mais vindo de um jornal que tem como slogan “pense ão”.

OH! DIZ: Ah, a incrível campanha foi criada pela Talent.

Para ler mais sobre esta discussão, tem matérias no brainstorm 9 e no querido Glauco/Descolex.

Devido a grande discussão gerada pelo assunto, ontem teve até uma mesa redonda entre bloggers, publicitários e jornalistas do Estado, para discutir conteúdo digital e responsabilidade. A matéria já está no ar e pode ser lida aqui. Adoro que os criadores da campanha não acham que ela é ofensiva, e que daqui a duas semanas um novo blog (!!) da agência entrará no ar…

‘visita guiada’ ao showstudio

28 ago

OFICINA DIZ: O ShowStudio do Nick Knight sempre me intimidou. Eu achava moderno demais pra mim, vanguarda demais, na frente demais. E hoje aprendi que o ShowStudio é um projeto de amigos, um meio facilitador de idéias, conversas e crescimento – de todo mundo que faz ou que só curte o que tem lá. Na palestra da Penny Martin hoje no Iguatemi Filme Fashion foi bem isso que a gente ouviu: o top fotógrafo, junto com o diretor de arte Peter Saville, sentiam restrições e limites nos seus trabalhos e queriam experimentar, inovar, ter mais liberdade e tals. E queriam de um jeito rápido, barato e acessível: a internet pareceu uma super solução – isso era 2000.

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no escurinho do cinema! 

OFICINA DIZ: E foi mesmo (diz que não é nem tão rápido quanto eles queria, nem tão barato). A idéia é expor um estúdio de verdade, onde trabalhos de verdade acontecem, ao maior número de pessoas possível E ainda trocar informações com essas pessoas. Promover projetos colaborativos (entre artistas com vontades e carreiras diferentes) pra promover produtos cada vez mais originais. Despertar inquietação na audiência pra gerar mais e mais idéias, mais troca. E aproveitar o ambiente virtual pra testar novas tecnologias: revistas contam com imagens e textos. Internet conta com imagens, textos, sons, movimentos, interatividade… No ShowStudio editoriais são feitos com imagens de celular, de webcam, com uso de photoshop e com intervenções de artistas e ilustradores e tals.

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fashionistas flagrados por câmeras de celular: sem retoques, que photoshop é só pra fazer arte!

OFICINA DIZ: A editora mostrou vááários projetos mega legais do ShowStudio (todos na parte de arquivo deles), e um dos mais legais é um editorial com imagens feitas com um scanner tipo de ressonância magnética, de hospital mesmo, que fotografa pessoas em 3d, com relevos e em 360º. A forma humana é escaneada e coberta depois por papéis bem pobrinhos que revestem os relevos querendo ser peças de alta costura sem ser, mas criando o mesmo efeito. E a pessoa pode com o mouse girar a imagem como quiser e ver do ângulo que quiser (achei incríííível). Outra é um filminho em que peças-chave de coleções super importantes foram ‘gravadas’ por um aparelho que registra o som como se ele fosse extraído por um microscópio, super mega apurado. Em vez de só ver as roupas, a gente as ouve também. Não é genial?!??

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OFICINA DIZ: Um monte de projetos do site é pensado e executado pra ser baixado pela audiência – eles qurem que a gente baixe, reinterprete, fotografe e devolva pra eles, pra que a galeria de “trabalhos” feitos em colaboração entre site e internautas cresça e se diversifique mais e mais (de-mais!). Tipo o John Galliano fez uma estampa (ou um molde, not sure) que está lá disponível pra download. Um moço no Nepal baixou, fez, fotografou e mandou pra eles – no Nepal não tem John Galliano, mas esse moço tem! E a gente postou há tempos a galeria de fotos formada pela colaboração de pessoas que baixaram um molde feito/disponibilizado pelo Yohji Yamamoto: elas cortaram e costuraram seus próprios tecidos com as instruções deles e no fim, gente do mundo todo tem várias interpretações de um mesmo trabalho. =)

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a loira é a penny martin – e ela a-do-rou a gente, tsá?!??

OFICINA DIZ: No site dá pra acompanhar sessões de fotos, confecção e criação de projetos, dá pra ver o povo trabalhando em tempo real no estúdio e dá pra participar de foruns e discussões. O blog do site tá super abastecido com as impressões da Penny Martin sobre o Filme Fashion e sobre as pessoas que passam por lá. Tem uma lista de links que é um super catálogo fashion, com mil referências e sugestões legais. Não intimida, não exclui – pelo contrário: o ShowStudio chama pra dentro, inclui o que tá de fora, valoriza o olhar externo e faz todo mundo mais inteligente, mais legal.

Por onde costura a agulha de Jum Nakao

26 ago

OLIVEROS DIZ: Bom, nesta série que estou escrevendo aos domingos, procuro refletir sobre como o povo da moda acaba indo para a arte em busca de novos caminhos e fronteiras. Tudo começou com o artigo Por onde sua agulha costura, para explicitar que Moda não é Arte.

Depois vieram os artigos sobre a Karlla Girotto e o Maurício Iânes . Engraçado, que quando comecei o primeiro seria Jum Nakao. Depois, pensei que era óbvio demais, porque ele é o grande exemplo do cruzamento de fronteiras entre Moda e Arte, principalmente depois do seu desfile-manifesto com as roupas de papel.

Eu escrevi um artigo para o dossiê sobre Moda e Arte para revista Cult sobre o desfile. Considero este texto uma síntese sobre o que eu penso sobre estas relações. Depois, acho que fiquei repetindo a mesma coisa, como o velho Barbosa, personagem do Ney Latorraca, na TV Pirata.

Para tentar não me repetir tanto assim, vou relatar a primeira vez que convidei o Jum Nakao para participar de uma exposição de artes plásticas.

Conheço o trabalho do Jum há muito tempo, desde seus desfiles no Phytoervas Fashion (1996), que eu assistia ainda pela TV, e depois revi no documentário Moda Brasileira, 1 olhar de Ruth Slinger. Por causa de uma crítica que eu escrevi no extinto site gay Supersite sobre o desfile A Carta (2000) em que ele homenageava Ronaldo Fraga e vice-e-versa, eles quiseram me conhecer. Daí para frente, pude acompanhar mais de perto o trabalho dele.

No seu desfile do verão 2003/2004, Nakao fez uma coleção-tributo à obra dos animadores Stephen e Timothy Quay, os irmãos americanos radicados em Londres que ganharam projeção por imprimir uma nova estética nos curtas de animação.


Animação The Epic of Gilgamesh (1985) dos Brohers Quay

Mais do que o belo desfile, o catálogo me chamou muita atenção. Quando eu estava pesquisando artistas para a exposição Imagética em 2003, propus para os outros curadores apresentar este trabalho, porque achava que era uma síntese do cruzamento de linguagens. Tive que defender muito minha tese até convencê-los.

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Imagem do catálogo do Jum Nakao

O resultado foi uma instalação com ambiente sonoro, projeção de imagens, impressos do catálogo, amostras das etapas do processamento das matérias prima, maquete do cenário, bonecos e até um manequim com roupa de bailarina na abertura do desfile.

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Imagens da instalação de Jum Nakao em Imagética

Assim, o público pode ver ao vivo as bonecas surrealistas das fotos do catálogo e foi a primeira vez que trabalhei com moda numa exposição. Depois do desfile das roupas de papel, na coletiva Grátis (julho de 2004), na Galeria Vermelho, Jum Nakao apresentou a Fonte dos Desejos.

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A fonte destruída de Jum Nakao

Por coincidência, só viu este trabalho por inteiro quem foi na abertura da mostra. Durante a noite, a fonte se partiu, e o que restou foi um vídeo documentando as pessoas que faziam seus desejos. Assim, como as roupas que só existiram no desfile, a fonte também fez seu paralelo.

Daí para frente, todo mundo já sabe. Jum Nakao participou de várias exposições e, além de ser reconhecido como um estilista de grande talento, já tem seu lugar nas artes.

sem título

25 ago

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Laura diz: Esse sábado estive no Masp para ver exposição DA BAUHAUS A (AGORA!). A mostra fica no masp até 28 de outubro e traz 100 obras da coleção de arte da fábrica de carros alemã DaimlerChrysler.

Entre as peças uma foto do suíço Daniele Buetti (aí em cima) me chamou a atenção. Uma modelo com a pele marcada com as palavras Christian Dior, parecendo uma maneira caseira de tatuar o nome da grife. A imagem choca. A obra é uma da série: “Procurando por Amor”.Não conhecia o trabalho do artista e acho bem interessante observar uma obra de arte sem informações prévias sobre porque os pensamentos fluem mais soltos. Quando olhei a imagem e li o título me veio a cabeça um carrossel de pensamentos:
Será uma crítica ao consumismo? À necessidade da sociedade moderna de etiquetar as pessoas, como numa seção de supermercado?

A interpretação da arte é muito pessoal, prefiro usar esse post para convidar os leitores do blogview à reflexão com a observação de outras imagens do mesmo artista, que, ao que parece, gosta de reinventar imagens de moda.

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Consumo do bem

25 ago

GLAUCO DIZ: Em tempos de Criança Esperança, fiquei pensando na quantidade de iniciativas que existem hoje em prol de alguma coisa, de qualquer coisa. Não que eu não ache válido ajudar as criancinhas, os velhinhos, as baleias, as árvores… Mas, frente a essas milhares de campanhas para arrecadar dinheiro, não é de se espantar que as pessoas façam cada vez menos caridade. “Se eu for ajudar todo mundo que me pede, sou eu que vou precisar levantar fundos pra viver…” é uma frase muito comum de se ouvir. É por isso que, de uns tempos pra cá, grandes campanhas para arrecadar dinheiro vêm envolvendo cada vez mais o consumo (esse sim, nunca para de aumentar) de um produto.

Lembra-se daquelas pulserinhas da Livestrong? Lançada em 1999, o fruto da parceria entre a Lance Armstrong Foundation e a Nike virou febre mundial. (Quase) todo mundo tinha uma. A original era amarela, mas depois de um tempo dava para encontrar todas as cores em qualquer camelô… Comprava-se porque “tá na moda” sem que ao menos as pessoas soubessem qual era a razão daquilo mais. Sem dúvida, um aspecto negativo desse tipo de estratégia de marketing das ONGS.

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As pulseiras originais da Livestrong…

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… E as fakes.

Propaganda da Nike sobre a fabricação das pulseiras

Mas, por outro lado, há de se concordar que se a única linguagem universalmente compreendida é a do consumo, é mais do que justo utilizá-la a favor de coisas positivas. Um exemplo muito bom disso é a Red. Criada para arrecadar recursos para o Fundo Global de combate à Aids na África, além da malária e da tuberculose, a campanha pintou de vermelho produtos de grandes empresas como Apple, Motorola, GAP, Armani e Converse.

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Linhas de produtos Red: Gap, Apple, Motorola, Armani e Converse são alguns exemplos

O queridinho do momento, Mika emprestou a voz para a propagada da Motorola sobre o celular Red

A revista americana Vanity Fair, inclusive, entrou na onda dedicando sua edição de Julho a matérias e entrevistas sobre o Red e a situação na África. Além disso, lançaram em parceria um CD no iTunes com músicas de artistas africanos. Todo dinheiro da venda das faixas foi e está sendo destinado para a causa. “A Red não é caridade, é simplesmente um modelo de negócio. Você compra coisas ‘vermelhas’ e nós conseguimos o dinheiro. Compramos os remédios e os distribuímos. Assim conseguem continuar vivos e cuidar de suas famílias”, afirma o manifesto da campanha. Em maio de 2006, a Red entregou seu primeiro US$ 1 milhão ao Fundo Global para suas atividades em Ruanda. Em setembro, outros US$ 9 milhões foram para essa nação e a Suazilândia, um dos países africanos mais afetados pela Aids.

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A revista Vanity Fair fez 20 capas com diferentes personalidades. A idéia era criar a sensação de que um passava a idéia para o outro…

Bono Vox fala do seu trabalho como “editor convidado” da edição especial da Vanity Fair África

Aqui no Brasil, não poderia deixar de citar a Campanha “O Câncer de Mama no Alvo da Moda”. Nascida nos Estados Unidos, em 1994, por iniciativa do CFDA (Council of Fashion Designers of America), é realizada há 12 anos no Brasil pelo IBCC – Instituto Brasileiro de Controle do Câncer. Nesse período, o alvo azul desenhado por Ralph Lauren em homenagem à sua amiga e jornalista, Nina Hyde, que morreu de câncer de mama em 1990, estampou inúmeros produtos licenciados por empresas como Hering e Rainha, além de coleções assinadas por estilistas como Isabela Capeto e Marcelo Sommer. Segundo dados do próprio IBCC já foram vendidas mais de 7 milhões de camisetas do “alvo” e arrecadados mais de R$ 40 milhões desde o início da campanha. Esses recursos permitiram ao hospital ampliar em três mil metros quadrados a sua área e subsidiar parte dos atendimentos médicos, dobrando o volume de consultas, mamografias e cirurgias.

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Linha de produtos “do Alvo”: Hering, Ronaldo Fraga, Rainha e Isabela Capeto são alguns exemplos

 

Consideração

Com os exemplos acima, tudo indica que esse modelo de arrecadação de fundos é o futuro (e o presente) das ONGs. Mas há, na minha opinião, uma consideração importante: cria-se a sensação de que comprando, as pessoas já terão feito a parte delas. Você compra o seu ipod Red e pode dormir ouvindo música tranquilamente sabendo que ajudou quem nem sabe o que é ter uma cama… Parece simples demais. Tão simples que banaliza questões que devem ser discutidas, cobradas e tratadas com mais seriedade por todos. Se além de comprar, cada um pudesse doar um pouco do seu tempo, um pouco do seu poder de espalhar e difundir idéias, talvez a coisa seria bem melhor, não acham?

FILME FASHION VICIA

24 ago

VITOR DIZ: Eu adorei a matéria das meninas da Oficina de Estilo aqui no Blog View sobre os looks de filmes que, fora elas terem uma aproximação emotiva, seriam próprios para a vida real. Como não posso copiar, resolvi ir em outra direção já que estamos em época de Filme Fashion, uma das grandes sacadas de Alexandra Farah.

Inspirado também pela entrevista de Diane Pernet (uma das convidadas do festival) para o Chic onde a top blogueira diz que ama os looks da mãe de Tazdio (Silvana Magnano) de “Morte em Veneza” de Luschino Visconti entre outros, resolvi falar dos looks da época do silencioso, para muitos a chamada era de ouro do cinema.  

Eu sei que é super clichê gostar de Charles Chaplin, o “cool” é sempre Buster Keaton, mas como eu não ligo muito pra essa guerra Marlene-Emilinha Borba dos comediantes mudos, eu amo os dois. E olha como Carlitos, mesmo mendigo usa terno e não costume!

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Pode ser mudo, mas é ultra fashion. Nada mais Chanel que Louise Brooks (super sintonizada) em “A Caixa de Pandora” (G.W.Pabst, 1928).  

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E os darks e emos, queridinhas? Com certeza se enterraram em várias sessões do expressionismo alemão para aprender truques de maquiagem. Olha as olheiras do moço em “O Gabinete do Doutor Caligari” (Robert Wiene, 1919-1920) e o grafismo da fofa, (ah! se o Fred O´Rey da Totem tivesse visto isso antes…)  

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As olheiras e o grafismo em “O Gabinete do Doutor Caligari”

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Totem verão 2007

E o futurismo? Entendiam tudo esses expressionistas. Essa é a robô-Maria do clássico “Metrópolis” (Fritz Lang , 1927). Beijo Raquel Zimmerman! Beijo Ghesquière! 

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Robô do Fritz Lang

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Balenciaga verão 2007

E os brasileiros? Quem arrasa mesmo é seu belíssimo “Limite” (Mário Peixoto, 1931). Tem uma sequência do filme que para mostrar o trabalho de uma das personagens que é costureira, ele abusa de big closes de tesoura, carretel e linhas. È excepcional!

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Cenas de “Limite”

Fora os closes, olha a meia que lembra a mesma que Prada usou no verão 2006 e reeditou quase como polaina no inverno 2007/2008. 

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Limite de Mario Peixoto

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Prada verão 2006

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Prada inverno 2007

Sem falar no carão!. Essa imagem da mulher e as algemas que abre o filme é um primor e muito inspiradora.  

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O cinema mudo é uma fonte infinita de referência para as construções de imagens, incluindo as de moda. Eles ensinaram ao mundo a observar um rosto, a famosa tese da fotogenia da avant-garde francesa de1920 e que teve no rosto emblemático de Falconetti, em “A Paixão de Joana D’Arc” (Carl Th. Dreyer, 1928) o seu maior carão!

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De malas prontas!

24 ago

BITI DIZ: Tenho uma novidade muito bacana para contar: o Moda Sem Frescura acaba de ganhar domínio próprio e está de mudança! À partir de agora, você deve acessar o blog pelo seguinte endereço: http://www.modasemfrescura.com

Não esqueça de atualizar o URL dos seus links favoritos!

Por conta da mudança (e toda mudança dá um trabalhão, né!) minha coluna aqui no Blogview vai atrasar. Mas prometo caprichar! :)

Expo

23 ago

OH! DIZ: Muito legal a exposição que está no Museu da Casa Brasileira, a “Place: O Mundo em uma Maleta”, que fala literalmente disso, de uma, aliás duas malas viajantes que continham um livro em branco, uma filmadora e uma camiseta. E estória começou lá por 2002/3, mais expecificamente no estúdio de design gráfico Varsava, em Barcelona, que enviou uma mala para o leste, e a outra para o oeste. As malas foram designers do mundo inteiro, circulando durante 18 mêses, por 35 cidades, entre elas Caracas, Londres, Medellín, Tóquio e Amsterdãm. Ao receberam as malas, os designers eram perguntados “como o lugar onde se mora influencia o processo criativo”?

E é esta resposta que pode ser vista na exposição. Do Brasil, só dois participantes: o Tonho, do estúdio Quinta-feira, lá do Rio de Janeiro (imagem abaixo), e a Lobo de São Paulo.

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O legal da exposição é que você pode ver algumas páginas do livro ao vivo e outras scanneadas. Mas a minha parte favorita são vídeozinhos que casa pessoa/ estúdio fez – estes tem até no site da Place, dai em “project” e em “vídeos”.

Fica no Museu da Casa Brasileira até o dia 30 de Setembro. Vale a visita!

filmes fashion de vida real

21 ago

OFICINA DIZ: É semana de Iguatemi Filme Fashion, amigos. E enquanto a gente se programa pra ver os figurinos mais legais do cinema brasileiro e filminhos especiais do Lagerfeld, da moça do Iqons e do ShowStudio, dá pra lembrar de figurinos que super inspiram nossos figurinos na vida real. Tudo bem, às vezes inspiram, outras só fazem sorrir (vale, né?!??).

OFICINA DIZ: Minha experiência pessoal com figurinos pra vida real começa com ‘Clueless’ (As Patricinhas…). Eu já saí do cinema com vontade de ser a Cher, de só usar micro sainhas e xadrezes e cardigans e sapato boneca. Consegui durante um tempo (adaptando pro calor de frente pra praia!), e depois disso as situações “quero ser essa personagem” só se repetiram, se repetem até hoje. Que eu assisti a versão adolescente de ‘Ligações Perigosas’, ‘Cruel Intentions’, e entrei em crise de identidade: não sabia se queria usar vestidinhos pretos justinhos pra ser a Sarah Michelle Geller, super vilã, ou se queria usar shortinho branco e malha lilás pra ser a boazinha Reese Witherspoon. E um tempão depois eu ainda tinha vontade usar esses looks ‘patricinha combinandinho’, bem com tudo certinho, tudo no lugar, bem Winona Ryder em ‘Mr. Deeds’.

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margot tenembaum, winona ryder em mr. deeds, sarah michelle geller em cruel intentions e amanda peet em a lot like love: adoro todas

OFICINA DIZ: Fora da ordem cronológica, um dia eu assisti ‘Os Excêntricos Tenembaums’ e desde então sonho usar vestidinhos polo da Lacoste e mega casacos de pele por cima, como se fosse a coisa mais normal desse mundo (e não é?!??). Que Margot Tenembaum é tudo, não? Tipo ícone fashion instantâneo. E quando Amanda Peet usou, em ‘A Lot Like Love’, a combinação teninhos + saia + moletom, eu fiquei uns 6 meses só variando cores e formas dessas mesmas peças pra ver se Ashton Kutcher também me curtia. =)

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amélie poulain, miranda july, claire danes (a shopgirl em si) e olive hoover, a little miss sunshine: mais fofas impossível

OFICINA DIZ:  De ‘Shopgirl’ eu herdei a vontade de ter sempre um arzinho vintage, uma coisa “uso o vestido da vovó e ainda assim sou moderninha” (ainda não consigo!). De ‘Fabuloso Destino de Amélie Poulain’ e de ‘Me and You and Everyone We Know’, da sensacional Miranda July, eu ganhei ânimo pra inserir cores coloridas nos looks de todo dia, pra vida toda (essa eu consigo!) – quem também ensina a usar cores coloridas é a Olive de ‘Little Miss Sunshine’, com seus rosas e vermelhos super doces. Agora é esperar a programação do festival começar pra registrar novas vontades. Quem sabe, né?!??

Elas existem?

20 ago

LUIGI DIZ: Eu sei que a coluna devia ser sobre moda masculina, mas hoje não estou conseguindo escrever nada a respeito… Até fiz um texto, mas sabe quando você não gosta, acha que não está bom e fica só naquela “encheção de lingüiça”? Então, por isso resolvi mudar um pouco o foco na coluna de hoje. Quero falar sobre um dos assuntos abordados por Paulo Borges em palestra para os alunos do curso de moda do Centro Universitário Senac, na quinta passada.

Um dos assuntos sobre o qual Paulo Borges mas discutiu, foi sobre as tendências, chegando à afirmar que elas não existem. Achei um tanto quanto complexa essa afirmação. Entendo o ponto de vista dele em ir contra as tendências e preferir o universo pessoal de cada estilista como fonte de inspiração/criação do que o que os birôs de estilo definem como tendência. Até mesmo, porque também adoto esta posição. Ultimamente até vimos como alguns estilistas deixaram as “vontades” da estação de lado e focaram mais no seu próprio universo, e nem por isso deixaram de ter prestígio e boas críticas. Exemplos? Balenciaga inverno 2007/08 e Alexandre Herchcovicthc verão 2008.

Ok, até ai tudo bem, mas dizer que as tendências não existem não é um pouco de exagero. Honestamente, não consigo acreditar que o inconsciente coletivo seja tão forte a ponto de fazer com que quase todos os estilistas e marcas apostassem no futurismo para o verão 2007 (no caso do hemisfério norte) e inverno 2007, aqui para a gente.

Concordo com o Oliveros quando cita Silvia Barros: “Com a pulverização de estilos que passa a existir nessa época, a própria idéia de tendência, é posta em cheque. E a moda, tradicionalmente um fenômeno quantitativo e massificador, definido pela estatística ‘como o elemento mais freqüente de uma mostra’, passa então de homogenizadora à uma das maiores produtoras de subjetividade dos nossos tempos.

O que acontece é que, ao longo dos anos 90, esse desejo de pertencer a um grupo, até então o apelo maior na construção da imagem, é substituído por uma nova sensibilidade, que se concentra no indivíduo. A importância das subculturas ou tribos urbanas, fenômeno dos anos 80, diminui e em lugar do grupo aparece o sujeito”.

E mais ainda, quando ele, querido Oliveros de novo, diz que a lista de tendências “é tão grande, que praticamente tudo está na moda. Quando o vestido pode ser longo, médio, curto, curto-curtíssimo, balonê, bubble, franzido, de um ombro só, plissado, amassado, justo, largo, o que define o “vestido de verão”?” Ai fica claro que as tendências hoje são bem mais etéreas e diluídas do que há tempos atrás. Justamente por essa busca de individualização. Mas, no fundo, no fundo, elas ainda existem, não?

nota sobre o sutiã

20 ago

Madonna por Gaultier

“Soutien” – em francês, sustentação

Laura diz: Essa semana resolvi deixar as entrevistas de lado para dividir com os leitores do Blogview uma curiosidade que me assombrou durante a semana do aniversário da Madonna.

Certamente uma das imagens mais marcantes da carreira da cantora foi o figurino com o sutiã pontudo que Jean Paul Gaultier criou para ela no inicio da década de 90.

A recordação desse emblemático sutiã aguçou uma dúvida surgida durante o Salão da Lingerie quando a Lycra anunciou os “100 anos do sutiã” com uma exposição.

A fabricante conta o v0 da peça íntima como 1907, ano que em a palavra “brassiere” apareceu pela primeira vez em um editorial de moda nos EUA.

Sucesso de vendas da DelRio em 1967, na exposição da Lycra

Contudo, em uma pesquisa rápida no “Dicionário da Moda” da Georgina O´Hara, no Volume II da série “Reflexões de Moda” do João Braga, e na Wikipedia não encontrei a confirmação para esse marco incial.

O´Hara diz que o sutiã data de 1900, e assim como a Wikipedia cita a Mary Phelps Jacob como a precurssora do sutiã, responsável por patentear a peça nos Estados Unidos. João Braga, que não citou um inicio nesse texto, considera como um fato importante na história dessa roupa íntima o ano de 1950, quando o aviador Howard Hughes (aquele do filme do Scorcese com o Leonardo de Caprio) desenvolveu um sutiã aerodinâmico para a atriz Jane Russell.

O projeto do sutiã de Mary Phelps Jacob

A atriz Jane Russel, musa inspiradora do sutiã de Hughes

Seja qual for sua origem, certamente é uma peça muito intrigante no guarda-roupa feminino. Se em 1968 eles foram queimados em frente ao senado dos Estados Unidos para mostrar a libertação feminina, nos anos 90 aparecem livres nas passarelas confirmando o poder da mulher.

O ingênuo primeiro sutiã versus o sexy wonderbra

Sutiã da Victoria´s Secret, feito para mostrar

O barroco silencioso de Maurício Ianês

19 ago

OLIVEROS DIZ: Continuando minha série do povo da moda que também costura para fora, por causa de uma nota que me passaram, vou falar não de um estilista, mas do stylist e artista plástico Maurício Ianês, que trafega muito bem entre as duas linguagens, sem nenhuma confusão entre uma e outra.

Ele é formado em Artes pela FAAP e trabalha com vídeo, projeções, instalações, objetos e performances. Na moda, eu conheço ele há tempos, e me lembro que no começo da parceria com o Herchcovitch ele não se deixava fotografar.

Os anos foram passando, e teve um momento que eu dei uma pausa no mundo da moda e fui trabalhar com artes plásticas. Fui convidado para ser produtor executivo na abertura do Museu Niemeyer em Curitiba. Eram 7 exposições que abririam o museu, e eu fui convocado para ser curador assistente de uma sobre o urbanismo do Jaime Leiner. Era pequena e consegui juntar uma equipe ótima de montagem.

Aí teve um momento de urgência, que além de cuidar da minha própria exposição sobre o urbanismo da cidade, tinha a exposição central, Matéria Prima, com curadoria da Lisette Lagnado e Agnaldo Farias. Fui resolver pepinos. Lembro-me até hoje, que na abertura, o Fernando Henrique estava adentrando por um lado, e a gente, saindo por outro, com baldes, vassouras,  finalizando a exposição.

Um dos escolhidos para Matéria Prima, era o Maurício Iânes, com a performance “Permanecendo em Silêncio” (2003). O artista colocou duas cadeiras simples, sentou em uma delas, deixando a outra vazia. Nas mãos, um bloco de papel de carta em branco. No rosto, nenhuma expressão. Você sentava e ele entregava um papel para você. 7 dias, durante 7 horas. Na parede, um diário dele com os papéis deixados pelo público.

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Eu sentei ali e nenhuma expressão nele, um vazio, aquilo que poderia ser uma aproximação, era de uma distância, de um silêncio tão incomodo, tão doloroso. Eu o conhecia só dos trabalhos com o Herchcovitch, pois não ia à Galeria Vermelho, porque na época, achei a exposição Marrom (2002), com curadoria da Dora Longo Bahia, uma coisa que não entrava na minha cabeça, como produtor de arte. Achava tudo muito em processo, achava tudo um clubinho meio fechado. A coisa só se resolveu com muita conversa com a Lisete sobre arte, e depois que fiquei amigo do Eduardo Brandão. E deu no que deu….

Voltando, acabei confessando para ele a minha admiração pelo trabalho dele, enquanto stylist, o quanto era difícil eu em começo de carreira, conseguir uma entrevista com ele ou com o Herchcovitch, etcetcetc… É claro, que depois, não me aproximei dele.

Depois, que fiz as pazes com a Vermelho, passei ser até mais que um habitueé, como todo mundo sabe. E pude acompanhar de perto o trabalho do Ianês. Depois, acabei firmando mais meu pé na moda, como jornalista, e pude também acompanhar mais de perto o trabalho dele como stylist. E por circunstâncias da vida, acabei ficando mais próximo dele.

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Têm um vídeo do Maurício, Sussurrando (2006) em que ele diz coisas para uma árvore, e que não se ouve o que ele está dizendo. Em Amor a Flor da Pele, meu filme de cabeceira, tem a mesma cena, como outro sentido, em que o Chow (Tony Leung), diz o nome da Li-chun (Maggie Cheung) num buraco de pedra, espécie de muro de segredos.

Eu sei que a comparação parece óbvia demais. Mas o ponto em que eu quero chegar é que nos filmes do Wong Kar-Wai as relações nunca acontecem, a comunicação nunca se dá. E por incrível que pareça, a comparação com os filmes deste cineasta, sempre foi uma das chaves para que eu compreendesse o trabalho do Ianês.

Nestes anos todos, mais do que a imagem, como é o seu trabalho de stylist, o seu fazer de artístico, está centrado na linguagem e a comunicação, e muitas vezes a impossibilidade dela. A dificuldade da comunicação verbal.

Na individual que o artista fez na Vermelho, Mensageiro, em 2006, o texto crítico é da Kiki Mazzucchelli. Para fazer um texto deste tipo, a gente tem que conversar com o artista, ver a obra apresentada, ver a trajetória do artista e tentar estabelecer um ponto de vista, que ajude o público a ir além da contemplação do trabalho.

Na abertura do texto, “O Verbo Encarnado”, a crítica revela um texto que o Maurício havia lhe enviado, para entender o ponto de partida dele:

“Tomara chegue o tempo, graças a Deus que em certas rodas já chegou, em que a linguagem é mais eficientemente empregada quando mal empregada. Como não podemos eliminar a linguagem de uma vez por todas, devemos pelo menos não deixar por fazer nada que possa contribuir para sua desgraça. Cavar nela um buraco atrás do outro, até que aquilo que está à espreita por trás seja isto alguma coisa ou nada comece a atravessar; não consigo imaginar um objetivo mais elevado para um escritor hoje.”
(Beckett em carta de 07 de Julho de 1937 a Axel Kaun – publicado em matéria da Folha de SP, 01/04, por Fábio de Souza Andrade)

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Esse perseguir no Ianês vai sempre no limite, mais do que conceitual, das resistências seu próprio corpo. Na mesma exposição, ele percorre vendado um caminho de tábuas finas, levando um pequeno pedaço de papel de um ponto a outro. Nós, não sabemos qual a mensagem é levada, mas acompanhamos aflitos, o Mensageiro, silencioso, cego, percorrendo um caminho que é bastante perigoso em alguns trechos.

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Mas, na vida a gente não é assim? Levamos e trazemos tantas mensagens que nem sempre são nossas, por caminhos que são tão tortuosos, perigosos, em nome de desejos, amores, carências? Muitas vezes chegando em limites que nosso próprio coração cego nos leva?

O não-limite é o que não falta em Iânes. No trabalho Apophasis (1997), ele tem o corpo enrolado por uma fita isolante negra, e fica ali exposto esperando pelo último raio de sol, entrar na Galeria. O corpo não respira, e aquela figura negra, quase múmia, fica ali, imóvel, e a gente aflito, porque a qualquer hora ele pode cair, não agüentando os limites que o corpo em si, necessita.

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Recentemente na Verbo, ele volta para o mesmo espaço do cubo branco da Galeria, agora, nu, deitado, abandonado, numa colcha de glitter, coberto com um pouco do mesmo material, em Zona Morta (2007). O olhar parado, o silêncio, são os mesmos de “Permanecendo em Silêncio”.

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Foto: Ding Musa

O público nem sabe como reagir, diante do corpo agonizado, melancólico, quase morto. Ao mesmo tempo, tem aquele brilho dourado, barroco, alegórico. O significado do Barroco brasileiro na arte é isso, trabalha com a vertigem dos sentidos, com as junções do sagrado e do profano. Zona Morta tem todos estes significados, num simples corpo deitado no chão.

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O espírito Barroco de uma certa forma está presente na trajetória do artista. No vídeo, como o próprio nome revela, “Alfabeto Barroco” (2005), ele agora totalmente coberto de glitter, e realiza uma espécie de mantra com as letras do alfabeto português formando frases, que demoram a fazer sentido nos seus 20 minutos.

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Na performance Melancolia (2005), durante 4 dias ele escolhe partes da Galeria Vermelho para sua imobilização, vestido com uma roupa negra, e um enorme aplique na cabeça feito de cristais, que se espalham, se penduram, se emaranham, com uma extensão de pensamentos vertiginosos.

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Assim, os cruzamentos entre Arte e Moda continuam a fazer seus diálogos, mas cada uma afirmando sua própria linguagem, com o Maurício Ianês faz tão bem.

LEIA MAIS:

A moda como manifesto de arte

Por onde sua agulha costura

Por onde costura a agulha de Karlla Girotto

 

O OROBORUS DA MODA BRASILEIRA

19 ago

VITOR DIZ: A entrevista de Giovanni Bianco também me chamou atenção na última coluna de moda de Alcino Leite Neto na Folha. Também porque a amiga de Blog View Biti Averbach levantou questões importantes a partir das afirmações do diretor de arte sobre a moda brasileira. Concordo plenamente com a Biti que elas são muito pertinentes, mas tem uma questão que me intrigou muito. 

Biti escreve colocando uma das frases de Bianco e terminando com a nota da colunista da Folha, Monica Bergamo: 

“’A moda é um todo, não pode ser o que acontece numa semana apenas. A marca São Paulo Fashion Week se tornou mais importante que qualquer grife individual’ 

Eu acho que a confirmação disso –do valor da grife do evento– está estampado na página 2 do mesmo caderno, numa nota da coluna de Mônica Bergamo que diz: 

‘Paulo Borges, dono da SP Fashion Week, espera Nizan Guanaes de braços abertos: depois que o publicitário anunciou publicamente que tem interesse em “comprar” a semana de moda, Borges admitiu que pode fechar negócio…’” 

O evento realmente é uma das grandes conquistas da moda brasileira na década de 90 senão a mais importante. Tudo que surgiu nesse período vem embaixo de seu grande guarda-chuva de visibilidade: estilistas, modelos…

Mas a crítica de Bianco conjugada com a nota de Monica Bergamo deixa claro que essa construção não é sólida.  

Faz já algum tempo que sabemos que o SPFW teve dificuldades econômicas e ultimamente com patrocinador, perdendo um bem importante Sabe-se  que por conflitos de patrocínios (isto é, uma marca é patrocinada pela concorrente que patrocina o SPFW) alguns estilistas como Ricardo Almeida e Raia de Goeye deixaram de desfilar na semana. 

Temos muito mais que uma dicotomia. Ao mesmo tempo em que a moda brasileira se planeja muito pautada nessa semana, ela não pode assim sê-la, pois o evento por oscilações externas (econômicas e políticas) a ele, é frágil e demonstra a fragilidade da moda brasileira ao nos pautarmos a partir dele. 

Oroborus, a cobra come seu próprio rabo!

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Avanços e retrocessos

19 ago

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BITI DIZ: Na sexta-feira, dia 17 de agosto, a coluna Última Moda, de Alcino Leite Neto, na Folha de São Paulo, publicou uma matéria com o diretor de arte Giovanni Bianco. Lá, Bianco fez afirmações contundentes, e na minha opinião bastante pertinentes, sobre a moda brasileira.

Bianco é um profissional conceituado, com fama de exigente e de “difícil”. Dizem que tem tantos admiradores quanto desafetos, mas suas palavras fazem sentido e merecem uma reflexão. Leia em itálico.

“O que virou o marketing de moda no Brasil? É sair em coluna social.”

Vamos pensar nisso juntos. Qual foi última vez que uma marca nacional chamou a atenção com uma estratégia de marketing diferenciada, inovadora? Eu me lembro da Ellus Second Floor, mas isso foi em…no século passado. E você?

 “Bato palmas para quem faz as semanas de moda, mas hoje elas têm um grande buraco: está faltando conteúdo e edição.”

Quantas marcas nacionais têm algo consistente e relevante para mostrar na passarela? Segundo os profissionais de moda que conheço, são poucas e podem ser contadas nos dedos. A cada temporada, ouço mais reclamações sobre marcas inexpressivas que tentam desesperadamente chamar a atenção da mídia com truques e pirotecnias: cenografias mirabolantes, styling maluco, peças confeccionadas só para o desfile, sem nenhuma conexão com as roupas que estarão à venda nas lojas, e por aí vai. Mas nada disso dissimula a pobreza de idéias de uma coleção, aos olhos de quem tem olhar atento e alguma experiência.

“A moda é um todo, não pode ser o que acontece numa semana apenas. A marca São Paulo Fashion Week se tornou mais importante que qualquer grife individual.”

Eu acho que a confirmação disso –do valor da grife do evento– está estampado na página 2 do mesmo caderno, numa nota da coluna de Mônica Bergamo que diz:

“Paulo Borges, dono da SP Fashion Week, espera Nizan Guanaes de braços abertos: depois que o publicitário anunciou publicamente que tem interesse em “comprar” a semana de moda, Borges admitiu que pode fechar negócio…”

Então é isso, a moda brasileira avançou, mas ainda falta muito chão pela frente. E não se pode deixar-como-está-para-ver-como-é-que-fica, sob pena do país de ser atropelado pela globalização. Além da ameaçadora China, muitos outros países, como a Turquia e Bulgária, estão se preparando para competir industrialmente com o Brasil.

Palavras-chave para encontrar a saída: trabalho, foco, produção, distribuição, consistência, autenticidade. Já!

Jabá

15 ago

OH! DIZ Queridos, vou aproveitar a minha coluninha pra falar do FilmeFashion que acontece nos dias 24 à 30 de Agosto, lá no Shopping Iguatemi.

A programação tá recheada de coisas ótimas e imperdíveis, entre elas:

Sexta-feira (24/08) às 15:30hs, os curtas do incrível fotógrafo Bruce Weber (“The Beauty Brothers” ’87, “Backyard Movie” ’91, “Glentle Giants” ’94, “The Teddy Boys of the Edwardian Drape Society” ’96 e “Weberbilt” ’04)

Sábado (25/08) às 24hs, “Lagerfeld Confidential”, o documentário sobre o estilista Karl Lagerfeld

Segunda-feira (27/08) às 19:30hs, palestra com a Penny Martin do absurdo ShowStudio, que pra quem não conhece é um coletivo de moda, fotografia e artes plásticas criado pelo fotógrafo Nick Knight

E eu também estou participando do festival, especificamente na categoria FilmeFashion de Bolso, com um curta que eu fiz com o querido fotógrafo Marcio Simnch para a exposição “Teenage Riot” do Resfest |10.

O curta chama “By Your Side” e tem trilha do Cocorosie, make de Lau Neves, pinturas de Raquel Uendi e edição de Mauricio Ambrósio. O styling é meu e as fotos são do Marcio. Ele foi todo feito em stop-motion, o que deu um trabalhão, mas super valeu a pena =). Olha ele aí (só não reparem na qualidade que tá bem ruinzinha, é que não consegui comprimir sem perder informação…):

Só não sei quando ele vai passar, mas assim que souber aviso, já que vai ter votação de público (votem!!) e do júri.

Imperdível!

a gente vai usar as calças “jodhpurs”?!??

14 ago

OFICINA DIZ: Diz que as calças tipo ‘jodhpurs’ já são frisson no outro hemisfério mesmo antes de chegarem às lojas. Depois da febre da modelagem skinny, justíssima, a gente viu há pouco uma onda de celebrities usando calças com modelagens mais amplas, especilamente nas pernas – as chamadas ‘wide legs’ ou ‘flares’ (que falta de nomes em portugês, não?). E ontem deu no Telegraph que o novo objeto de desejo (das britânicas, pelo menos) é a calça ‘jodhpur’, bem Balenciaga. Diz que já tem um infinito número de genéricas até, pra todos os orçamentos e estilos.

OFICINA DIZ: O texto do jornal inglês já repercutiu aqui (Luigi, você é mointo rápido!), onde a gente viu que, historicamente, a calça-objeto-de-desejo (ahãm) tem origem oriental e foi usada originalmente para equitação. No texto-objeto desse post, a Hillary Alexander ensina que por isso mesmo a calça não deve ser coordenada com acessórios equestres, pra não ficar caricato: no lugar da bota montaria a mulherada que topar (será?) deve usar saltos, plataformas, escarpins coloridos ou sapatilhas. A jornalista também sugere com que partes de cima combinar a calça: vale camisa de seda e pérolas, vale camisetinha polo preta, vale blusa vitoriana. Tudo sempre por dentro, acentuando a cintura e arrematando com cinto.

OFICINA DIZ: O texto ainda diz que as jodhpurs são incríveis pra disfarçar culotes e que “aumentam menos” o quadril quando têm bolsos na frente e não dos lados. A gente parou pra pensar na nossa realidade e na nossa relação com o corpo, com as formas. Mulher brasileira valoriza curvas e quer que essas sejam valorizadas. Mulher brasileira não quer parecer gordinha e desde cedo já se preocupa com quadris e culotes – já nascemos com eles no país da ‘mulher violão’, não?!?? E ‘localização de bolsos’ é o de menos numa modelagem super justa na panturrilha e mais larguinha nas coxas e quadris. A gente acha que só funciona na Gisele – e já imaginamos um tanto de ‘mortais’ com a calça, e (na nossa imaginação) nenhuma deu certo.

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OFICINA DIZ: Que todo mundo vai propor cinturas mais altas é fato, e cintura alta é mais legal pra quem tem quadril do que cinturas super baixas. As modelagens mais larguinhas, com pernas amplas, também ajudam a diminuir volume, visualmente. E quando coordenadas com partes de cima no mesmo tom (tudo claro, ou tudo escuro), criam um efeito monocromático que é super “emagrecedor”. A gente acha que o povo aqui (no BR) devia investir mais nesse tipo de calça do que nas jodhpurs (que, provavelmente, vão aparecer mais no meio das mudérnas dos jardãns), e que devia ser feliz com as curvas que Deus deu, no lugar de providenciar outras inventadas pela modelagem. =)

Por onde costura a agulha de Karlla Girotto

13 ago

OLIVEROS DIZ: Fim de domingo, já quase 1 da manhã. Por causa do texto Por onde sua agulha costura, as reflexões de Mariana Rocha, todos os comentários e, em especial, o artigo do Vitor Ângelo, O complexo de inferioridade da moda, fiquei pensando em várias coisas esta semana. Perguntas me rondaram a cabeça, como a afirmação da moda enquanto linguagem autônoma, onde começa a arte, onde começa a moda, em um tempo em que as linguagens cruzam as fronteiras.

Temos muitos exemplos de estilistas/artistas que procuram romper com os limites das linguagens como Jum Nakao, Karlla Girotto, Adriano Costa, Alexandre Herchcovitch, Ronaldo Fraga, entre outros.

Pensei em me aprofundar nestes criadores, a começar por Karlla Girotto. A estilista ficou conhecida por seus desfiles performáticos, que buscam fugir da bidimensionalidade visual das passarelas. Já nos tempos da Casa dos Criadores, as apresentações causavam impactos com seus anjos caídos, suas patas de fauno, os quais prenunciavam que não estávamos diante do convencional.

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Polissemia N (2003), Suzy Okamoto e Karlla Girotto

Em 2003, ela costurou pérolas na sua própria pele. A pele se tornava uma roupa, apesar da aparente nudez.

Na Galeria Vermelho, em 2004, ela fez um desfile-instalação: as modelos ficavam paradas e o público que se movimentava.

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Depois, na sua estréia do Fashion Rio uma apresentação aberta nos jardins do MAM, com móveis antigos, mulheres-morcego, que causou furor entre cinegrafistas e fotógrafos, que tinham que abandonar a idéia do pit de fotógrafos que sempre privilegia, uma visão de um único ponto de vista.

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Em seguida, nos mesmos jardins do MAM a radicalidade aumenta. As modelos dormiam por longo período em camas longas, expostas quase como bonecas, com seus sapatos aprisionados em gaiolas. Na Viés, teve um desdobramento deste trabalho, que só podíamos presenciar o início da performance e o final.

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A performance “Invisível”, consiste numa mulher que dorme com a roupa durante uma noite na Galeria Vermelho. Seu sono é velado por um homem que usa uma roupa em que se assemelha a um animal. Embaixo uma mulher representa o tempo. Eles permaneceram lá durante a noite, sem que ninguém pudesse presenciar a ação. Era o inverso da superexposição que ela sofreu nos desfiles cariocas.

 

 

Atualmente, ela pertence ao casting da Galeria Florence Antonio, ao lado de outros artistas que trafegam em diferentes setores da moda, como Hugo Frasa, que produz trilhas para desfiles. Aliás, está em cartaz virtualmente os trabalhos do estilista Flaminio Jallageas e de Andrés Sandoval, que desenha estampas para Néon.

 

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Sem título, 2005

Ou seja, agora Karlla, que continua com seu atelier, tem um lugar onde seu trabalho vai continuar a nos desafiando a entender os não-limites entre arte e moda. A artista/estilista incorpora, em termos, o que Baudelaire chamaria de “um elemento relativo, circunstancial, que será, se quisermos, a cada vez ou de uma só vez, a moda, a moral, a paixão. Nele reside toda a ambivalência da temporalidade: o passageiro e o frágil, i.e., a modernidade e a tragédia da existência”.

Quando digo que ela incorpora “em termos”, porque percebo sim, a tragédia da existência, que está sempre presente, seja nos desfiles, seja na arte da Karlla Girotto, em que são expostos desejos, medos, sentimentos que passam muitas vezes invisíveis como as costuras que estruturam uma roupa, mas que sem elas, as roupas simplesmente deixariam de existir.

Todavia, seu fazer artístico está em sintonia com a contemporaneidade, onde as pontes são em maior número, que sequer sonhou a modernidade.

 

 

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Registro da performance Natureza Morta, 2005

Dilemas de sábado à noite

13 ago

04.jpgLUIGI DIZ:Meu sábado foi um tanto quanto agitado. Pelo menos de noite, já que o dia foi um tédio só. Tinha 3 festeenhas para ir, mas no fim acabei só conseguindo ir em duas, o que eu estou me lamentando até agora, mas isso não vem ao caso. Enfim, a primeira festa, que começava mais cedo e que estava marcada faz mais tempo, era de aniversário de uma amiga minha. Foi na casa dos pais dela, cheia de convidados familiares e amigos. As outras duas que eu tinha depois, eram mais descoladinhas – pelo menos esteticamente falando -, me deixando mais à vontade com o que eu queria vestir.

Na primeira festa ia ter gente muito, muito careta, que ia olhar estranho, como realmente olharam, para qualquer composição de estilo ou peça de roupa fora de um guarda roupa masculino convencional – convencional, tá? De convenções! – e as outras duas até permitiam uma produção mais divertida. Enfim, a festa não tinha traje específico nem nada, já que era só um “get together” de amigos. Mas mesmo assim, fui avisado por um amigo para pensar bem no que ia vestir para não virar a atração principal da festa. Entrei em mini pânico, né? Porque queria fazer uma mini produçãozinha para as outras festas, mas também não queria chocar os pais da menina. Imagina depois: “filha, olha só com quem vocês está andando!”. No fim, o frio que baixou aqui em São Paulo acabou me ajudando… Mas eis meu dilema: será que a gente tem que sempre se adequar a situações como essa, ou devemos meio que ligar o foda-se e sair do jeito que a gente quer?

Fiquei pensando bastante sobre isso e acho que tem casos e casos. Quando é uma festa mais séria, tipo que tem traje específico escrito no convite, ai acho bom se adequar, por uma questão de respeito mesmo. Fora isso, acho que a gente tem que se vestir do jeito que a gente quer. É mais ou menos aquilo que eu falei numa coluna antiga aqui. Que se agente for sempre se moldando à convenções sociais, vai demorar muito para algo mudar na moda, e principalmente masculina.

Lógico que não precisa ser nada extremado. Como em tudo nesse mundo, bom senso é fundamental. Ninguém precisa sair de casa com uma saia à la Gaultier, nem numa explosão de cores fluo – quase o meu caso -, muito menos de legging e maxi-pull, para ir numa festa ou evento do tipo que eu tive. Mas dá muito bem para is misturando peças e elementos mais modernos e não convencionais com outros mais clássicos. Assim dá para montar um look que não fica careta de mais e nem moderno/fashionista em excesso.

Recomendações da semana

Durante semana passada acabei lendo várias matérias falando sobre novas – algumas novíssimas, com 2 meses de vida apenas – marcas de moda masculina que andam pipocando pelo hemisférios norte. Então resolvi compartilhar algumas coisinhas aqui.

102.jpgPara começar a última edição do JC Report, um relatório ótimo para quem quer ficar sabendo o que acontece de novo por ai, e não só o que se passa no mainstream da moda. Enfim, está última edição veio focada exclusivamente na moda masculina. Mas não vá esperando resenhas ou análises da última coleção da Prada, Burberry e afins. O foco é justamente nas marcas menores que acabam sendo ofuscadas pelo grande hype ou buzz que a grande mídia faz em torno de marcas mais conhecidas. Vale a pena ler, e depois ir fuçar o site das marcas que eles citam lá.

Depois a novíssima marca de Nova Iorque, S2VS, que acaba de lançar sua primeira coleção, para o verão 2008. No fundo, não é nada do que a gente não tenha visto antes, mas eu gostei bastante de algumas peças, com um certo frescor jovem meio à la London East End… Enfim, a coleção tem um quê meio rocker, meio Hedi Slimane, com bastante shorts curtinhos, silhueta bem slim, com bastante skinny, camisetas mais longas com estampas gráficas e até algumas peças metalizadas – amei a calça dourada, quero já!

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