19
Ago
07

Avanços e retrocessos

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BITI DIZ: Na sexta-feira, dia 17 de agosto, a coluna Última Moda, de Alcino Leite Neto, na Folha de São Paulo, publicou uma matéria com o diretor de arte Giovanni Bianco. Lá, Bianco fez afirmações contundentes, e na minha opinião bastante pertinentes, sobre a moda brasileira.

Bianco é um profissional conceituado, com fama de exigente e de “difícil”. Dizem que tem tantos admiradores quanto desafetos, mas suas palavras fazem sentido e merecem uma reflexão. Leia em itálico.

“O que virou o marketing de moda no Brasil? É sair em coluna social.”

Vamos pensar nisso juntos. Qual foi última vez que uma marca nacional chamou a atenção com uma estratégia de marketing diferenciada, inovadora? Eu me lembro da Ellus Second Floor, mas isso foi em…no século passado. E você?

 “Bato palmas para quem faz as semanas de moda, mas hoje elas têm um grande buraco: está faltando conteúdo e edição.”

Quantas marcas nacionais têm algo consistente e relevante para mostrar na passarela? Segundo os profissionais de moda que conheço, são poucas e podem ser contadas nos dedos. A cada temporada, ouço mais reclamações sobre marcas inexpressivas que tentam desesperadamente chamar a atenção da mídia com truques e pirotecnias: cenografias mirabolantes, styling maluco, peças confeccionadas só para o desfile, sem nenhuma conexão com as roupas que estarão à venda nas lojas, e por aí vai. Mas nada disso dissimula a pobreza de idéias de uma coleção, aos olhos de quem tem olhar atento e alguma experiência.

“A moda é um todo, não pode ser o que acontece numa semana apenas. A marca São Paulo Fashion Week se tornou mais importante que qualquer grife individual.”

Eu acho que a confirmação disso –do valor da grife do evento– está estampado na página 2 do mesmo caderno, numa nota da coluna de Mônica Bergamo que diz:

“Paulo Borges, dono da SP Fashion Week, espera Nizan Guanaes de braços abertos: depois que o publicitário anunciou publicamente que tem interesse em “comprar” a semana de moda, Borges admitiu que pode fechar negócio…”

Então é isso, a moda brasileira avançou, mas ainda falta muito chão pela frente. E não se pode deixar-como-está-para-ver-como-é-que-fica, sob pena do país de ser atropelado pela globalização. Além da ameaçadora China, muitos outros países, como a Turquia e Bulgária, estão se preparando para competir industrialmente com o Brasil.

Palavras-chave para encontrar a saída: trabalho, foco, produção, distribuição, consistência, autenticidade. Já!


7 Respostas to “Avanços e retrocessos”


  1. 1 Edge Agosto 19, 2007 às 6:56 am

    Cara Biti Averbach,

    Acho bastante pertinente a discussão sobre este assunto. Ontem mesmo estava questionando isso em meu blog no artigo “pensamentos”… e é isso que proponha a todos os leitores a discussão….

  2. 2 marco sabino Agosto 19, 2007 às 8:26 am

    Oi Biti!
    As declarações de Bianco não me surpreendem em absolutamente nada.
    A moda brasileira e seus profissionais necessitam fazer um exame de consciência, procurar conhecer mais a CENA FASHION do passado, ter mais respeito e interesse pelos profissionais brasileiros de outras décadas, não serem ingênuos e saber que sempre haverá gente muito e$perta e não muito idealista.
    Você não se lembra do seminário MODA BRASILEIRA BRILHA, MAS NÃO VENDE?
    Se alguém prestou atenção às minhas perguntas ao Colin McDowell, quando participei como moderador durante a palestra dele no último Fashion Marketing, vai entender muita coisa a respeito da moda brasileira.
    A moda nacional, principalmente o fashion nacional, precisa parar de mentir tanto e a imprensa precisa ser mais investigativa e imparcial.
    A moda, como eu disse, é a filha MIMADA da Indumentária, e muitas vezes, suas babás não são tão competentes como deveriam.
    Beijos,
    Marco Sabino

  3. 3 Sylvain Agosto 19, 2007 às 6:09 pm

    O jeitão desbocado do Giovanni tem seu lado bom. Da boca dele saem coisas que todo mundo sabe, mas poucos tem coragem de assumir. Tá certíssimo.

  4. 4 walter cunha Agosto 20, 2007 às 10:51 am

    De fato desde que cheguei em SP e acompanho, trabalhando nas semanas de moda ( SPFW< Amni HOT SPOT, Casa de Criadores e O Pret à porté, o vamos dizer assim avanço da modda brasileira e não vejo nada de tão “inovador” assim, a não ser como você cita acima a Ellus second Floor qdo na época do lançamento da marca e alguns desfiles maravilhosos de designers muito talentosos que considero talentosos, como: Jun Nakao, Ronaldo Fragae e Lino Vilaventura, que transformam a suas apresentações em momentos delirantes para o Olhar.Fora isso, acho que a maioria das pessoas que trabalha no meio, ainda pensa que a produção de moda (industria/mercado ) é só esse “glamour” fantasiado que se ver nas colunas sociais.Vi a matéria do Alcino com o Giovanni e concordo com todas as afirmações dele.Gente difícil? não o conheço pessoalmente pra tecer nenhum comentário, mas acretido que muitos dos desafetos tenha sido causado pela sua postura profissional séria e intolerante à mediocridade de criação de alguns profissionais da moda brasileira.
    Beijão!!Boa semana!!
    Acho que deveria haver sempre um Fórum de debates à respeito do que foi apresentado nas edições do SPFW.( críticos, compradores, designers, fornecedores!!todos juntos falando e expondo suas opiniões sobre o que foi visto,etc..)

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