Uma por dia

10 maio

O Moda pra ler demorou para estrear no blogview, mas aqui estão as três entrevistas realizadas durante a Casa de Criadores. A dupla Guil Macedo e Roberto Leme da Ash, Walério Araújo e Thiago Marcon sintetizam como foi o evento.

Dia 1

Moda pra Ler entrevista: Ash

Roberto Leme e Guil Macedo

Estreantes na Casa dos Criadores, os estilistas Guil Macedo e Roberto Leme da marca Ash, sigla para A.nimal S.treet H., atenderam o Moda pra ler logo após o desfile do primeiro dia da Casa de Criadores. Os dois estão há três anos e meio juntos e há três vendem roupas. Suas criações são encontradas em quatro pontos de venda em São Paulo, todos nos jardins, um no Rio e um no Japão.

Nunca tinham feito um desfile até serem convidados para a Casa de Criadores. Apesar de críticos da rapidez dos tempos modernos, apertaram o passo para participar do evento. “Não podíamos recusar o convite”, confessou Guil.

O trabalho deles é marcado por estampas coloridas feitas a mão que lembram grafites e arte de rua. São roupas em formas geométricas feitas em malha, dirigidas para o jovem urbano e descolado.

A dupla tinha torcida organizada na platéia. Nos bastidores, ainda ofengantes e cercados de amigos, como a dupla Helena e Lívia da Amonstro e Dudu Bertholini da Neon, os criadores contaram um pouco como foi trabalhar para essa estréia.

Como foi a estrear na passarela?
Guil: Chegamos super cedo. Quando eram 7h, estava todo mundo pronto. Algumas pessoas vieram falar que estávamos loucos que estava muito cedo. Ficamos muito nervosos, mas no final deu tudo certo.

Fala um pouquinho sobre as estampas dessa coleção?
Roberto: Foram todas feitas à mão com nanquim. São estampas exclusivas. Estampo peça por peça, para que não haja muita repetição. Fazemos em média 16 desenhos por coleção. Para a Casa de Criadores desfilamos 24 peças e 17 estampas. Guil: Vamos compondo os desenhos uns sobre os outros. Por exemplo: a tela A com a Tela B, a B com a C e assim vai.

E no que os desenhos são inspirados?
Roberto: Procuro trazer objetos do meu cotidiano. Me inspiro no que vejo pela janela. Moramos no bairro do Paraíso que tem vista para o Parque Ibirapuera. Temos muitos animais, peixes e gatos. Nossas coleções sempre carregam a crítica à rapidez dos dias de hoje. Acreditamos que nos dedicamos mais quando temos tempo para fazer as coisas. Esse boneco, por exemplo, (mostra o pingente do seu colar) tem cara de preguiçoso.

Fala um pouco de como foi fazer as roupas?
Guil: Eu sou muito ligado em arquitetura e me inspiro em algumas casas que vejo, principalmente no meu bairro, para desenvolver as formas das peças. Nessa coleção tinha camiseta, vestido, macacão, muitos bolsos também.

E como foi a produção estréia da Casa dos Criadores? Correram muito?
Guil: Tem camiseta que terminamos em meia hora, mas a coleção demora porque depende das oficinas que costuram. A produção é de mais ou menos 400 peças.

Como vocês vendem suas coleções?
Guil: Vendemos em lojas multimarcas, atualmente na Ellus 2nd Floor, na Acervo Benjamin, na Garimpo Fuxique e na loja das Gêmeas. No Rio vendemos na Cucaracha e uma loja do Japão também comprou peças nossas.

Pensam em abrir loja própria?
Guil: Ainda não

Quais os planos para marca?
Roberto: Queremos diversificar e não só ficar presos às roupas. Queremos também vender pinturas, Toy Art. Nós também ministramos aulas de Toy Art na Escola São Paulo.

Para saber mais sobre a dupla:
http://www.myspace.com/artash
http://www.fotolog.com/ash__

***
Desfile: Erika Palomino
Dupla Ash: Laura/Moda pra Ler

Dia 2

Moda pra ler Entrevista: Walerio Araújo.

Em sua “décima terceira ou décima quarta” participação na Casa de Criadores o estilista Walério Araújo foi ovacionado pelo público ao final de seu desfile. Alguns críticos comparam o criador com John Galliano, que entre outras performances já apareceu num final de desfile com o balão de gás hélio amarrado na cintura. Como bem disse Ricardo Oliveiros do Fora de Moda, “ele desfila melhor do que muita modelo”.

Sua coleção cujo tema era “pérolas aos porcos” traz a marca registrada do seu trabalho para uma mulher que o une sofisticado ao fetiche.

Walério fez curso de corte e costura por correspondência e estreou em 2001 no Amni Hot Spot. Apesar da clientela estrelada e sua figura ser super querida no mundo da moda ele prefere ficar na Casa de Criadores por enquanto.

Um pouco antes do desfile, ao lado de suas passadeiras ele conversou com o Moda pra ler e contou um pouco mais sobre sua opção de desfile, sua coleção e sobre seu sabor de pizza favorito na pizzaria do Copan, onde mora e onde fica sua loja.

Você já tem alguns anos de estrada, clientes famosos, não pensa em participar de um evento maior como o Fashion Rio e o SPFW?
Eu optei por ficar na Casa de Criadores porque tudo é menor Tem uma cobrança muito grande de jornalistas, para participar do Fashion Rio e do SPFW. Para isso tem que ter uma estrutura financeira maior, um esquema de oficinas mais estruturado e por aí vai. Tenho que esperar a hora certa.

Fala um pouco sobre essa coleção?
O tema é “Pérolas aos Porcos”. São 21 looks. Envolve várias referências. É uma crítica a dificuldade de se fazer uma coleção. Dessa troca de favores, toda coleção temos que pedir um apoio financeiro, ou material. Torna-se apelativo. As roupas trazem muitas pérolas em cima de tecidos novos e populares. Tem um look que tem uns porcos bordados de cristais. E por que porcos fazem parte da minha infância. Minha mãe criava porcos e eu tinha função de alimentá-los. Foram muitos anos. Ficou na memória, minha mãe ganhava dinheiro com isso. È um bichinho bonitinho, serve como cofrinho….às vezes.

Também é uma coisa para pensar no seu planejamento financeiro?
Exato.

E os tecidos e os sapatos?
Um jacard exclusivo com um desenho que remete pérolas e bastante tafetá. Os sapatos do Fernando Pires, também com pérolas. Usei muitas luvas. Eu adoro. É coquetel, é fetiche. A minha mulher tem essa mistura do sofisticado com o fetiche. Do trash com o glamour.

Quais são os planos para marca?
Estou analisando algumas propostas para vender em multimarcas. Atualmente vendo na minha loja e na da Patrícia Field em NY.

Por que você optou por abrir sua loja no Copan?
Porque eu me acostumei com o lugar. Moro lá há dez anos. Aproveite a comodidade. Eu uso até o banheiro de casa. Eu procuro ficar lá o tempo todo.Para mim é perto de tudo. Vou na 25 de março três vezes por semana. Também estou sempre na rua das noivas e nos jardins. Faço tudo a pé. Minha pedicure, manicure são lá. Poderia fazer em outro lugar, mas faço lá. A pizza de lá é ótima. Uma vez, no final da novela O Clone, convidei o Herchtcovich para comer pizza e ele adorou. Eu gosto de Palmito com muzzarela, frango com muzarella e milho e a moda do chefe. Eu só não sou fã de catupiry. Também gosto do restaurante do João. Sempre almoço lá. A comida é bem caseira. Adoro a Feijoada do Sapori di Rosi aos sábados.

E o público da região como encara a loja?
O público da região estranha um pouco porque acha a loja muito imponente e também vê a clientela como a Preta Gil, a Sabrina Sato e a Elke Maravilha e não se identifica. Mas é mais pelo espaço porque a loja tem camiseta, vestido, eu faço por encomenda.

***
Fotos:
Desfile – Erika Palomino
Walério – Laura/ Moda pra Ler

Dia 3

Moda pra Ler entrevista: Thiago Marcon

Thiago Marcon divide seu tempo entre sua marca e a equipe de estilo do setor masculino da Ellus. “Agora estou conseguindo levar, mas em breve terei que optar por uma coisa ou outra”, anuncia o estilista de 25 anos em sua quarta participação na Casa de Criadores.

Fã de histórias em quadrinhos ele resgatou os personagens de Mauricio de Souza, o maior símbolo do segmento no país, para colocar em suas coleções. Suas roupas são perfeitas para mocinhas modernas que adoram um brechó. Os maximoletons da estampados com o rosto da Tina e sua turma são objetos de desejo instantâneos (podem ser encontrados na Ellus 2nd Floor).

Como começou essa parceria com o Maurício de Souza?

Quando saí da faculdade entrei no projeto Fábrica Morumbi Fashion, que não existe mais. O projeto era voltado para o artesanato e elementos brasileiros em geral. Como tenho gosto muito de quadrinhos pensei em resgatar esse ícone do HQ brasileiro que é o Mauricio de Souza. Eu fui lá na caruda e ele achou o máximo.

Ele não estranhou?

O Maurício de Souza tem muita coisa licenciada, mas não para esse lado mais de moda. Ele gostou de ver o trabalho dele sob um novo prisma. Ele sempre me pergunta: “você lê turma da Mônica e gosto de ler até hoje?”.
Ele sempre acompanha as coisas e fala “ah! Mas você vai colocar esse rabisco na cara da Tina?”.

E como fica a questão dos direitos autorais sobre as imagens?
A gente tem uma parceria. Como não tenho uma produção grande. O royaltie fica de aguardo. Futuramente, se for ao São Paulo Fashion Week, aí a gente vê como faz.

Por que você escolheu a turma do Rolo e da Tina nessa coleção?
Essa coleção elegi a turma da Tina. Poque estava com vontade de umas meninas mais descolas que tivessem um resquícios da década de 70, que foi a década que ela nasceu. A Tina foi uma menina hippie, depois ela passa pelos anos 80 onde ela fica mais gostosinha, daí que vem os comprimentos minis. Eu pensei, o que seria essa Tina mais contemporânea e então fiz uma mistura de nos 70 e 80. A idéia foi trabalhar moletom como alfaiataria e a lã como jaquelas esportivas. Misturei elementos para alcançar esse clima mais atual.

Você pretende abrir loja própria?
Ainda não. Eu estou há três anos na Ellus. No momento estou crescendo lá e despontando fora. Levos as duas coisas na boa, mas quando galgar mais responsabilidades vou ter que optar entre uma coisa e outra. Porque toma muito tempo.

Qual personagem da Turma da Mônica você gosta mais?
Não tenho um preferido. Na moda já fiz com Austronauta, com Piteco. Tento encaixar os personagens de acordo com o que estou acreditando como tendência. E transformar os personagens em alguma estampa corrida, algum grafismo, que não seja só a carinha dela. A idéia não é trabalhar a estampa certinha.

***
Imagens: Erika Palomino

por Laura Artigas – http://modapraler.blogspot.com

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