síndrome de estocolmo

28 maio

No finzinho de abril o Yvan, dono do blog Face Hunter, avisou que tava se mudando de Paris pra Londres. Disse que as pessoas mais velhas em Paris mantinham seu senso de estilo mas que os jovens perderam essa herança e não ousavam mais, não impressionavam. Yvan disse que se mudou pra continuar “caçando personalidades em vez de somente tendências”, gente que vira ‘curador do seu próprio estilo’.

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Que os sites de street style estão meio obrigando a indústria da imagem de moda a se mexer de um jeito incômodo (pra ela), mas provavelmente definitivo: esses sites são mais dinâmicos, mais inspiradores, mais abrangentes e – melhor parte – mais inspiradores. Mesmo. Não tem nada melhor do que ver alguém da vida real usando algo que faz o nosso olho brilhar, que dá vontade de usar também: porque é como se a gente tivesse mais garantia de que que rola, de que não foi tão milimetricamente calculado (como nos editoriais), de que corpos da vida real também podem, e não só modelas.

No texto da coluna Última Moda de sexta passada (que o blog Oh! respondeu) o Alcino fala dessa nova dinâmica e da ‘mudança da geopolítica fashion’: “cidades até então ignoradas pelos fashionistas – como Estocolmo (Suécia), Helsinque (Finlândia) e Reykjavík (Islândia) – passaram a ganhar peso igual às chamadas ‘capitais da moda’. “As grandes semanas de moda podem até continuar nos mesmos lugares, mas a inspiração não virá mais de lá” (essa última frase é do Face Hunter).”

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Incluir referências (sutilezas) da cultura e do costume regional no vestir faz super diferença, e acrescenta ainda mais personalidade ao vestir (Balenciaga fez todo um desfile fundamentado nisso) – a gente aqui no BR devia fazer mais, de um jeito mais inteligente. O Face Hunter mesmo, quando esteve aqui, achou a gente bem tradicional no vestir – e olha que ele tava na Bienal, durante o SPFW, hein? A gente precisa mesmo perder o medo das cores, se deixar experimentar outras modelagens (e volumes também, por que não?), parar de se achar “fashion” por nada e se inspirar meeeesmo.

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A gente precisa perder a preguiça e dedicar um tempinho aos brechós que a gente tem aqui – poucos e difíceis, mas é o que a gente tem…. O Alcino reclamou na coluna que os poucos blogs brasileiros que se dedicam a registrar street style (existe isso aqui?) não são atualizados há muito. Eu acho, de verdade, que a gente tem que reaprender a ser legal no vestir, pelo menos pra tentar acompanhar o povo sueco! Aí, sim, vai dar vontade de ver ‘blogs brasileiros de street style’.

postado por Oficina de Estilo

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3 Respostas to “síndrome de estocolmo”

  1. oh! 28 de maio de 2007 às 1:56 pm #

    pois é meninas, super concordo com o que vcs estão falando. não sei se é preguiça, vergonha, falta de tempo e/ou dinheiro. mas acho tmb que tem a ver com praticidade, na verdade a falta de, sabe? tudo lindo usar uma plataforma altíssima, mas quero ver isso no dia-a-dia, nas ruas esburacadas de sp… mas acho que poderíamos fazer um acordo, que tal? um promessa de que nos vestiremos melhor a próxima vez que saírmos de casa. pode ser?
    bjs

  2. dressingroom 28 de maio de 2007 às 6:39 pm #

    sinto exactamente a mesma necessidade que voces, aqui em Portugal. O meu interesse por blogs de street style nasceu a partir do thesartorialist, a seguir veio face hunter, e a seguir destes mil e um outros. Londres, Paris, Estocolmo, e até Israel, o meu blogroll nao para de crescer. Sinto que precisamos nao só de nos tornar mais ousados, mas também de definitivamente ter uma palavra a dizer no mundo da moda. Retirar um pouco o protagonismo aquilo que vemos nas passereles, às “grandes casas”. Corpos reais, criatividade, e, como o yvan diz, muita mais personalidade.
    beijo*

Trackbacks/Pingbacks

  1. OFICINA DE ESTILO: MODA PRA VIDA REAL » Blog Archive » semana de moda de ny via blogs-unidos! - 4 de setembro de 2008

    […] na moda brasileira (aqui, aqui e aqui) e o debate sobre o nosso streetwear/streetstyle (aqui e aqui). Foi tudo muito, muito, muito […]

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