spfw: o hardcore masculino de alexandre herchcovitch

15 jun

OFICINA DE ESTILO DIZ: Ainda bem que a gente perdeu a hora e teve que assistir o desfile do masculino do Alexandre Herchcovitch do telão que fica na sala de imprensa (tem no vídeo!). Que mesmo de longe a gente sentiu medo! O desfile mostrou meninos-caveira, com um make super macabro que a gente achou primeiro que era meio Kiss, mas que depois deixou os modelos com cara de filme de terror. E no fim o make virava saaaangue! A trilha também era super pesada e ia pesando mais e mais. É meio uma retomada das vontades que o estilista tinha nos primeiros desfiles que fez, super no underground da noite aqui em SP.

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OFICINA DIZ: Foi quase tudo preto, com umas mini aparições de amarelo e cinza e o final em branco (meio redenção, sabe?). A base era toda de alfaiataria e camisaria, bem tradicional mas de um jeito desconstruído: tinha paletó com abotoamento duplo, mas mais curto e mais quadradinho. Tinha camisa tipo de fraque, mas com pontas irregulares atrás. Tinha paletós com um botão só e lapelas que pareciam foulards. E no fim parecia tudo um grande ritual macabro, muito muito perturbador. Tinha pinguinho de transparência (num tule que cobria camisas e camisetas) e pinguinho de brilho (em tecido lustroso, ainda um mistério pra gente), que foram respiros de leveza no meio dessa densidade toda. Mas tava todo mundo elegante!

OFICINA DIZ: Pra vida real a gente acha que fica assim: acompanhando a alfaiataria teve muito moletom de capuz (hoodies), super tendência pros meninos. Os paletós mais modernos devem mesmo vir mais curtos e um botão só é tudo. Os tênis tinham tachas e as sandálias também – a gente adorou (a gente é parcial porque adora tudo que ele faz…). E todo esse tema deve aparecer traduzido em mil camisetas super legais, e as caveiras dessa vez devem migrar do make pras estampas meio grafitadas, tipo pichações de caveiras, escorrendo até. E quem não usa tanto preto vai se encontrar nos cinzas e brancos… a gente acha!

BITI DIZ: Ainda bem que eu estava dentro da sala de desfile porque se não, estaria inconformada de ter perdido. Hehehehe! Não é todo dia que a gente vê um desfile tão impactante e tão coerente. E como eu tenho uma quedinha pelo lado dark das coisas, gostei de tudo. E se você eliminar o make, a música pesada e os coletes de penas (liiindos!), no fundo as roupas nem são tão radicais assim. A coleção anterior, de verão, era bem mais difícil ser assimilada no varejo, na minha opinião.

LUIGI DIZ: Sou meio suspeito para dizer, mas A-DO-REI o desfile masculino do Alexandre Herchcovitch. Se no feminino a gente viu ele se encontrando novamente, no masculino essa fusão foi ainda mais forte. Fazia tempo que não aparecia uma coleção masculina tão pesada, cheia de informação e boa como essa.

LUIGI DIZ: Adorei tudo, as sobreposições, as releituras de alfaiataria e camisaria, as desconstruções, tudo muito bom. Todo aquele clima dark, o som pesado, o make e principalmente os incríveis acessório com penas negras me lembrou muito aquele filme “O Corvo” e também Alice Cooper. Mas o que mais gostei mesmo foi que Alexandre deixou meio que as vontades da estação de lado e se focou naquilo que gosta e que caracterizou seu trabalho lá no começo. Muito bom isso. Arrasou.

OLIVEROS DIZ: Comecei a falar isso no desfile feminino e continuo o assunto por aqui. O que todo mundo resolveu chamar de DNA de uma marca, penso em gramática. Aqueles códigos reunidos que resultam numa sentença.

De uns tempos para cá, Herchcovitch está olhando cada vez mais para a gramática que ele vem construindo há mais de 10 anos. Imagine um mercado complicado de moda, com tantas marcas querendo vender, apostar no certo, muito calcado/calculado nas pesquisas de tendências, é um luxo ter alguém que se arrisca e que pode olhar para si, e poder fazer coisas, que em um determinado tempo, não pode ser desenvolvido como agora ele pode.

Eu vi seus primeiros desfiles, ainda com a sua musa, a drag Marcia Pantera, de chifres, de corselets-vestidos com uma infinidade de ilhoses e cordas, que reaparecem agora nas calças masculinas.

A sua amada caveira, símbolo da marca, surge no rosto dos meninos meio Black Metal, meio Vodoo, ou Festa dos Mortos mexicana. Tudo misturado, porque no caldeirão de Alexandre não tem tendência certa.

A alfaiataria cada vez mais sofisticada, menos esportiva desta vez, mais soturna. Mas não foi o WGSN que disse que o sombrio seria a tonica do Inverno 2009??? Bom é que a gente tem um criador que está muito a frente deste supermercado de tendências.

Gostar ou não gostar do desfile é uma outra questão. É, claro, que eu AMEI, por estas e outras razões.

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