Arquivo | julho, 2007

estilo + adequação profissional

31 jul

OFICINA DIZ: Tivemos uma experiência incrível na semana passada: uma assessora de imprensa nos chamou pra ‘conversar’ sobre adequação profissional com duas assistentes, que são umas graças mas tinham dúvidas e inseguranças na hora de se preparar pro trabalho no escritório. Que ninguém quer deixar de comunicar quem é, independente de onde está, mas tem umas sutilezas que fazem diferença no vestir profissional.

OFICINA DIZ: “Quando você modela com sensibilidade a sua imagem para adaptar-se ao ambiente profissional em que trabalha, não só se sente mais confiante – o que melhora sua performance e seus relacionamentos de trabalho, mas também faz avançar suas chances de impor o respeito e a confiança que merece”. E quem falou nem foi a gente, foi a Toby Fischer-Mirkin. Cada ambiente profissional demanda ‘preocupações’ diferentes de cada um: advogados precisam transmitir credibilidade, empresários precisam transmitir confiança, criativos precisam ser criativos (hahahaha!). E de quem trabalha em assessoria de imprensa se espera habilidade pra se relacionar e pra se comunicar, rapidez pra ‘fazer a coisa acontecer’, segurança pra frequentar/conduzir situações diversas. E só tem valor transmitir isso tudo quando a gente tá se sentindo, acima de tudo, bem linda.

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a nicole, no “antes”, tava muito justa e muito toda de preto… no depois ela ficou mais colorida, mais divertida (ela é suuuper!) e mais feliz

OFICINA DIZ: O que tem que se destacar no trabalho é o trabalho em si, a capacidade profissional de cada um – depois nossas personalidades incríveis e nossa beleza aparecem e acrescentam. Primeiro a gente se mostra capaz, se mostra confiável e competente, pra só então, de um jeitinho bem natural e não-agressivo, a gente se mostrar bonitinha também (e descolada, e antenada, e cuidadosa, e elegante, etc etc etc). Qualquer coisa que ‘apareça’ antes (ou mais) que a nossa capacidade não agrega valor profissional à imagem: perna demais, decote demais, roupa justa demais, maquiagem demais (ou super de menos!), acessórios malucos e barulhentos e desastrados… tudo tem que ‘estar’ pensado pra caber no ambiente de trabalho. A pele e o cabelo têm que estar bem tratados, as peças têm que ter aparência de qualidade e manutenção em dia (sem manchas, sem furinhos, sem fios puxados e tals), as unhas têm que estar cuidadas… tudo conta.

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a thais no “antes” não dizia nada sobre ela mesma – no “depois” ela deixou bem claro que é possível ser elegante e estar super confortável ao mesmo tempo! foooooofa!

OFICINA DIZ: As meninas da assessoria, Nicole e Thais, tiraram dúvidas, anotaram sugestões e se sentiram super princesas quando a “chefa” contou que tinha separado um budget pra que a gente fizesse comprinhas com elas duas – foi uma delícia! A gente experimentou na vida real tudo que tínhamos mostrado na teoria, tudo que tinha sido conversado. A idéia não era restringir e sim otimizar as opções, e que elas fossem mais acertadas! As duas voltaram pra casa com peças-chave que rendem mil looks novos e que super incrementam as peças que elas têm nos armários. Junto com a parte material vem a parte mais importante, a que não é palpável:

“Oi, meninas, tudo bem? Adorei nosso encontro de ontem. Estou muito feliz com o resultado e acho que a Fê (a “chefa”!) também. na minhaopinião, além de ser muito importante o que vocês dizem sobre a forma como devemos nos vestir, também é ótimo o resultado para nós como pessoas, nos dando mais segurança e aumentando nossa auto-estima. Hoje já estou usando sapato novo, blusa nova e acreditem, estou de rímel. Não é o máximo? Muito obrigada, um beijo, Thais.”

OFICINA DIZ: Final feliz pra todo mundo: pra “chefa” que tá adorando a dedicação das fofas, pra elas que estão felizes da vida, pro trabalho que deve estar sendo bem mais gostoso de fazer (quando a gente tá linda tudo funciona melhor!) e pra gente que adorou a experiência. =)

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Coluna Desabafo

30 jul

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LUIGI DIZ: A viagem acabou. Depois de um mês em Toronto, chegou a hora de fazer as malas e voltar para casa e para “real life”. Confesso que fiz isso com bastante desgosto, mas enfim, não tinha outro jeito.

Eu sei que esta coluna deveria ser sobre moda masculina (ou masculine, para alguns), como tem sido até então. Mas hoje não estou muito afim de falar disso, e resolvi fazer um pequeno (??) desabafo. Então vamos lá!

Logo que a gente aqui no BlogView decidiu a fazer esse esquema colunas semanais – que eu estou adorando, btw -, um dos assuntos mais recorrentes tem sido o tal DNA brasileiro, que teve o ápice de discussão com o post de street style, do Oliveros, que acabou repercutindo em vários outros blogs.

Tenho que admitir que fiquei meio neutro nessa discussão toda, da qual eu nem participei muito. Em parte por estar viajando, aproveitando outras cositas e curtindo a cidade. Mas também tinha muito de indecisão e dúvidas que sempre me deixavam pensando sobre o assunto de vez em quando. Uma das pessoas que eu conheci por lá, até chegou me perguntar qual era o estilo do Brasil. A pergunta – praticamente sem resposta na hora – me deixou ainda mais pensativo sobre o assunto e me levando a achar que eu, de fato, não tenho certeza se sei qual é o estilo das pessoas no Brasil.

Mas e ai, por que eu não sei? Falta de pesquisa, falta de informação, olhar viciado… Acho que um pouco de tudo. Até que uma outra pessoa que conheci lá – sim, conheci até que bastante gente para uma pessoa ultra tímida como essa que vos escreve – me perguntou do que eu mais sentiria falta quando voltasse para casa. Minha resposta foi que mais me deixaria com vontade de voltar era a liberdade que eu tinha de andar – a pé mesmo – para cima e para baixo, em todo e qualquer lugar e horário, sem pressa, sem neuras de trânsito e horário e, principalmente, sem medo de ser assaltado ou coisa pior.

No fim, acabei percebendo que eu ficava tão maravilhado com as pessoas mais fashionables ou mais montadas nas ruas, como se nunca tivesse visto igual em São Paulo, porque eu não ando em São Paulo. Ah, andar só pelas ruas dos Jardins e afins, não vale, tá?

Eu, e acredito que bastante gente que lê esse blog também, vivo num mundinho – e não só o da moda, não – super fechado. Sempre trancado dentro carro, ou em casa, escritório, café, boate, que seja, sempre correndo para não ficar preso no mega trânsito de São Paulo, sempre sem tempo para nada, que acabo não olhando com calma para nossas próprias ruas, para o que acontece nelas e para quem anda nelas.

Enfim, prometo que semana que vem volto ao tema da coluna, com um assunto mais interessante! De verdade!

Mais um!

30 jul

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BITI DIZ: Esta semana, mais uma fashionista se rendeu aos encantos do blog: a editora de moda Camila Yahn. Bem-vinda ao Fashion Blog Clube!

Lá no Blog da Cami, entre várias coisas legais, tem um post sobre o fotógrafo-hype Ryan McGinley , autor de imagens lindas e impactantes, como as mostradas acima.

Curiosidade: quando era adolescente, McGinley foi fotografado por Larry Clark para o livro Skaters, que deu origem ao filme Kids. Depois de se formar em design gráfico na Parsons School, McGinley retomou a amizade com Clark. Aos 24 anos, foi o fotógrafo mais jovem a merecer uma exposição solo no Whitney Museum, em Nova York. Teve trabalhos publicados nas revistas Vice, Dazed and Confused, V, Dutch, iD e New York Times Magazine. Aos 30 anos, já está sendo incensado como ícone de uma geração que se caracteriza pelo estilo confessional e trash, como Nan Goldin e Wolfgang Tillmans.

Tem uma entrevista legal com ele, feita pela ArtNet, aqui.

 E para quem quiser saber mais, tem uma matéria bem completa, aqui.

Guignard revisitado

29 jul

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“As gêmeas” de Guignard

BITI DIZ: Houve um tempo em que eu achava que não gostava de bijuterias. Usava um anel de prata, um relógio bacana, eventualmente uma peça antiga, de família ou de brechó, e só. Meu minimalismo durou até o dia em que conheci Mary Figueiredo Arantes e suas criações para a Mary Design. Rolou um encantamento instantâneo e num segundo foi-se embora minha atitude blasé. Eu parecia uma criança na frente de uma vitrine de doces, queria provar tudo. E a exlicação para esse acesso de  desejo é muito simples: pela primeira vez tinha encontrado bijuterias com alma, peças que pareciam carregar histórias e segredos, que não eram “a cara da estação”.

Desde então espero ansiosamente pelas coleções e catálogos, feitos com muito cuidado, por Mary e sua equipe. Esta, que acaba de chegar, chama-se “A Flor do Abacate” e celebra a obra do pintor fluminense Guignard.

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“A Nova Flor do Abacate” era o nome do curso criado pelo pintor ao retornar da Europa, em 1929. As aulas aconteciam na casa que tinha sediado um cabaré, conhecido como A Flor do Abacate. Aliás, a tal flor possui os órgãos feminino e masculino e dura apenas dois dias.

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“Marinheiro”, de Guignard

“Guignard foi um apaixonado, seus famosos cadernos, recheados de bilhetes e cartões de amor platônico são um caso à parte em sua obra.” Mary F. Arantes

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Dizem que Guignard costumava começar suas aulas assim: “Minhas senhoras e meus senhores, hoje vou apresentá-los ao amarelo”.

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“Cidades e cores aéreas, corações e balões no espaço, delicados signos e fragmentos do desenho e da pintura de Guignard que, emprestados, ganham, numa nova linguagem, a dimensão de verdadeiros adereços de arte.” Letícia Julião, superintendente de Museus do Estado de Minas Gerais

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“Guignard traduziu em traço e cor o seu mundo interior, particular e único. Um belo mundo tanto na dramaticidade de seus santos flagelados quanto na exuberância de suas flores e na delicadeza de suas cidades imaginárias.” Priscila Freire, diretora Map

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“Noite de São João” de Guignard

“Guignard veio para Minas na década de 40 a convite de Juscelino, aqui em BH fundou, no Parque Municipal, a Escola Guignard. Ouro preto foi a cidade que este fluminense escolheu para viver e para virar semente. Mora hoje entre o mar de montanhas que tanto amou, lá no cemitério da Ordem Terceira de São Francisco, adornado pelo Aleijadinho, semeando balões em céus imaginários.” MFA

Fotos do catálogo: Gustavo Marx/Produção de moda: Mariana Sucupira/Beauty: Léo Caffé

Mary Design: mary@marydesign.com.br

Museu Casa Guignard: rua Conde de Bobadela, 110, Ouro Preto, Minas Gerais

PS- Dedico esta matéria ao Oliveros que tinha feito um post, semanas atrás, sugerindo temas brasileiros aos nossos estilistas. Felizmente temos Mary Arantes e Ronaldo Fraga, para nos presentear com a nossa própria cultura

 

 

Moda pra Ler entrevista: Carol Ambrósio – Dindi

29 jul

Laura diz: Criada dentro do brechó do pai, “Minha Avó Tinha” e apaixonada pela sensualidade das pin-ups, a estilista paulistana Carol Ambrosio tentou ser publicitária, mas acabou cedendo ao dna familiar. Ao invés de comprar e vender, resolveu criar e dessa decisão nasceu a Dindi.

Carol Ambrosio

Os anos passados dentro do brechó foram essenciais para definir o estilo da marca. Carol faz peças ultrafemininas que evocam ícones da sensualidade: pin-ups, bailarinas, vedetes, as voluptuosas mulheres dos filmes de Fellini, os cabarés franceses dos anos 20. Nas roupas isso transparece ora com tecidos fluidos e delicados, e com detalhes em rendas, ora com uma silhueta mais justa, com cintura marcada e o decote farto. Peças com perfume retrô para um figurino contemporâneo e cotidiano.

Carol respondeu a entrevista alguns dias depois de ter voltado da badalada feira de vestuário Bread and Butter, que aconteceu em Barcelona. A Espanha, aliás, é uma grande paixão da estilista “se existir outra vida, fui espanhola”, diverte-se a estilista que tem um carinho especial por Madri.

Moradora de Higienópolis, bairro em que também mantém seu ateliê, a estilista acumula o sonho de estudar moda em outro país e de se aperfeiçoar na técnica do moulage. Para a marca planeja uma loja própria para ficar mais perto de sua consumidora final.

Os sonhos, desejos e planos da estilista e da Dindi, o Moda pra Ler desvenda na entrevista a seguir.

Você esteve na Bread and Butter em Barcelona, como foi?
Foi o máximo!A feira é incrível. Super moderna, com outro conceito do que estamos acostumados em feiras. Super profissional.

Quais suas expectativas para o mercado externo?
Muitas! Estou amando, e está rolando super!

E o mercado interno, anda bem para a Dindi?
Sim. Temos clientes bem bacanas. Ainda quero abrir uma loja, com meu conceito e ai sim investir no varejo.

Quem são suas clientes hoje?
São multimarcas: Daslu, Dona Santa (Recife) e M e Guia (Belo Horizonte). Eu sinto não ter um contato mais direto com minha consumidora final.

Em reportagem do Estadão, você disse que o difícil não é entrar no mercado e sim continuar. Quais as principais dificuldades de continuar no mercado?
Tantas. Poderia ter paginas e paginas de descrição. Vou resumir de forma um tanto simplificada. Estrutura e planejamento é essencial, senão tudo é fugaz. Você precisa de muita estrutura e capital. Não basta ser bom. Quatro elementos básicos devem estar em sincronia: financeiro, comercial, estrutura produtiva e estilo. Então, começar é fácil porque ser novidade é fácil. Ser inovador a cada 6 meses, manter seu estilo atrativo, ter que competir com quem esta começando e com quem está aí há anos, são os grandes desafios.

Agora, sobre a história da marca. Porque escolheu esse nome?
Na verdade não tem uma super historia. Achei sonoro e possível de ser falado em varias línguas.

Quem são seus musa(os) inspiradores?
As Pin ups. Sou apaixonada.

O que te atrai na pin-up?
A pin-up evoca essa mulher que insinua. Isso me atrai.

Porque você optou por criações com ar retrô?
Na verdade, eu não optei. Eu vivi isto. Meu pai tem um brechó há 15 anos. Eu cresci naquele lugar. São essas minhas referencias.

Você segue tendências?
Acho que não. Mas é difícil falar não. Eu não sigo, mas se tem alguma coisa que eu gosto, vou aderir. Não da pra viver numa bolha.

Como desenvolve suas coleções?
Não tem um método.Gostaria de ter. Seria mais fácil. Cada coleção depende. Às vezes começo pelo tema. Em outra coleção posso começar a partir de uma peça que me apaixonei. Nesse caso adapto o tema ás cores. Em outros casos faço uma pesquisa maior. Também pode surgir de algo que vi.

Você considera sua marca vintage?
Sim, ela tem um perfume retrô sim. Mas não gosto de engessar neste conceito.

Você considera suas criações versáteis?
Quando crio quero que seja, mas agente não ta lá no guarda roupa da cliente, né? Penso que é uma roupa para ser usada em varias ocasiões. Depende dos acessórios e sapatos. Não gosto de rotular: “Roupa para sair”, “Roupa para festa”, “Roupa para trabalhar”.

Coleção Balé, a vontade de ser atriz, trilha de desfile com Nino Rota… Isso explica sua roupa também ser um ótimo figurino e ter um quê cinematográfico. O cinema é uma grande referencia para você?
Sem Duvida!!! Na verdade aprendi muito com os filmes e com o Theo (meu namorado) que é viciado. E minha sogra que é super bacana e dá varias dicas.

Tem alguma cena de cinema que você considera inesquecível?
Difícil escolher uma… Ah! Claro! Uma do Filme Drácula do Copolla. É um dos filmes mais lindos que eu já vi. A cena que a Lucy está morta no caixão, vestida de branco gelo, com uma gola Rufo maravilhosa e cospe sangue, super vermelho, numa cena toda branca. É incrível!

Você já fez figurino com roupas da Dindi para alguma peça de teatro ou cinema? Tem vontade de fazer?
Nunca fiz. Já fiz parte de um grupo de teatro. Teatro é minha paixão. Acho que é onde realizo a vontade de ter muitas personalidades. Mas figurino tenho vontade sim.

Como é o estilo da Carol Ambrosio?
Como é seu guarda-roupa? Como é a decoração da sua casa?

Gosto de brincar com as coisas. Gosto de personagens. Sem pretensão. Meu armário é inteiro Dindi e brechó, com algumas exceções. Minha casa também, moro com meu namorado, então tem o estilo dos dois. Ele é mais desencanado. Improvisamos bastante. Gosto de improvisar.

Você que cresceu em brechó. Tem alguma técnica para garimpar as roupas usadas?
Tem sim, mas não sei explicar. Tem que ter paciência. Fuçar, ter olho para achar e ir sem preconceito.

Muitas pessoas têm preconceito de roupa de brechó. O que você acha disso?
Eu não entendo quem tem preconceito, porque eu cresci em um brechó.
Lavou ta novo. Só lingeire que prefiro não comprar.

Você acha que um dia vai mudar de estilo?
Não sei. A gente muda e amadurece o tempo todo. Com a moda eu aprendi uma coisa: nunca é muito tempo!!!! E nunca diga nunca, pois você pode morder a língua.

Inútil, a gente somos inútil!!!!

29 jul

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OLIVEROS DIZ: Essas últimas semanas marcadas pelo caos aéreo, pela tragédia do acidente da TAM, pelos Jogos Panamericanos, algo me incomodou. O Brasil de um lado comovido pela tragédia, por outro feliz, com o Pan, e irritados com a inoperância aérea, e a gente aqui falando de moda? Discutindo se existe moda de rua, o último grito, a dança das cadeiras do mundo fashion…Aquela dúvida de sempre: será que somos alienados e fúteis???Fui tentando me acalmar e me lembrei do desfile do Adriano Costa, (uma das minhas performances como modelo, UIUIUI), que duas frases sintetizaram a coleção: A moda não vai salvar o mundo e A arte não vai salvar o mundo. Sim, a mais pura verdade.Depois, me lembrei de uma conversa no Fashion Rio com uma editora de moda de uma revista que não é de moda, e ela contou que a diretora de redação sempre ligava dizendo: “Ai, já que você está aí SÓ vendo desfiles, será que não daria para…” e o quanto ela ficava incomodada com a palavrinha SÓ. Sim, nas redações de jornais e revistas, a maioria acha que estamos lá nos divertindo e que moda é assunto menor, não é Alcino Leite, não é Vivian Whiteman?

Quando eu fui cobrir o TIM Festival no ano passado, no segundo dia, a maioria reclamava do cansaço, de como era desgatante assistir e escrever sobre um monte de shows. Com meus botões ficava eu repetindo: imagine esse povo durante uma semana de moda, como eles ficariam no segundo dia??? Sim, uma cobertura de moda começa de manhã por volta das 10h e termina quase às 23h. Quem faz cobertura online, não é Carol Vasone? E quem tem que publicar notas, não é Doris Bicudo, não é Jeff Ares?

E quem faz TV e ainda tem que publicar matéria em jornal? Não é Sylvain Justum?

E pior, não dá para usar uma calça jeans e uma camiseta qualquer como no TIM. Temos que estar impecáveis, chics no último, porque é isso que se espera de quem “mexe com modas”, não é Maria Prata?

Uma das formas de eu entender o mundo é vê-lo como uma grandiosa engrenagem. Se cada um fizer seu papel, ou seus vários papéis bem, tudo sai melhor. Se cada um compreendesse sua função dentro de um complexo emaranhado de relações, ações, reações, tudo seria mais fácil. Sim, eu sei, não é fácil. É um aprendizado longo, às vezes penoso, às vezes glorioso, descobrir o que a gente está fazendo aqui neste mundo, afinal.

Nosso papel e de muitos blogues de moda é esse: entender esse complexo mundo de infinitas relações e se alguém acha que é fútil/inútil, sempre vale a pena olhar o mercado. De acordo, com a ABIT: “Hoje, o setor envolve mais de 30 mil empresas e emprega aproximadamente 1,5 milhão de trabalhadores brasileiros. O setor têxtil visa recuperar a participação de 1% no mercado mundial, o que representa elevar o volume de exportações para US$ 4 bilhões/ano até 2007. São metas ambiciosas, mas com o planejamento adequado são compatíveis com a realidade brasileira. Para conquistá-las, novos investimentos em tecnologia serão fundamentais. O Brasil já possui a maturidade empresarial necessária, além da criatividade de nossos profissionais”.

O mercado de moda no Brasil produziu no ano passado 5,6 bilhões de peças (vestuário, meias e acessórios) e consumiu 1 milhão de toneladas de tecido, gerando US$ 15,9 bilhões. O investimento das 17,5 mil empresas que atuam no segmento foi da ordem de US$ 103,6 milhões.

É claro que enfrentamos muitos fantasmas apesar deste número. Veja alguns deles em O sucesso da moda brasileira , que procura entender a nossa pequena participação no mercado global da moda.

Buenas, o que estou querendo dizer, é que isto é só um levantamento quantitativo do mundo da moda. Quando escrevo, ou quando leio cada blogue de moda, sei que por trás de cada post, por trás de cada comentário, estamos comprometidos em revelar culturas, pensamentos e relações que não são mensuráveis. Talvez daí seja a origem do meu incômodo. O que estamos falando nem sempre é visível aos olhos. O que estamos falando é de um mundo em que temos esperança. A moda foi nosso meio para expressar um fim que todo mundo almeja: um mundo melhor.

Um mundo em que os aviões não caem, um mundo que a gente posso sempre comemorar, um mundo que a gente possa ir e vir como queremos. Nós estamos fazendo nosso papel. E você, que ainda acha que a gente somos inúteis, está fazendo o seu?

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PS: Fugi um pouco do meu tema, mas viver de moda é uma arte

CONTRA MITOS, À FAVOR DA LIBERDADE DAS IDÉIAS

27 jul

VITOR ANGELO DIZ: Vivemos numa época pouco criativa faz tempo. Uma espécie de Rococó dus infernus que não conseguindo sucumbir ao Barraco fez do adorno o entorno. Temos ainda muita dificuldade de sair do vulcão criativo do Modernismo e de suas respostas na metade do século 20.

Digo isso não esquecendo que sim, temos exemplos pipocados e isolados de criatividade, mas muito menos do que a mídia necessita todos os dias para alimentar o chamado hype.

Outro problema, para nós, fashionistas “globalizados” na periferia do mundo da moda (gente, adoro esse nome, vocês já repararam… é tão Roberto Schwartz!) são os acessos e os olhares que esses acessos nos dão para informações que a distância não podemos conferir in loco.

Essa talvez tenha sido minha grande preocupação: a educação do meu olhar!

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Pensando nisso comecei a implicar com Hedi Slimane, sim ele, um totem, um deus e citação de 10 entre 10 fashionistas com adjetivos de fantástico, incrível e genial. Olha, talentoso sim, mas genial é um pouco demais. (ai meu Deus, vou ter meu fígado comido por abutres…)

Entendo que o excesso de adulação vem de uma época de necessidade constante de mitos e hypes, mas não podemos exagerar.

Sim, a sua substituição pelo belga Kris Van Assche na Dior Homme, que apresentou uma coleção medonha em sua estréia só fez alçar Slimane ainda mais no panteão da genialidade. Cuidado Chanel que daqui a pouco ele te derruba daí, segundo os fashionistas de nosso “pobre” tempo.

Pausa no cabeção:: Quando falei que tinha problemas com Slimane, o Uóliveros falou que era porque eu era gordo e não cabia numa skinny e a gente morreu de dar risada. Mas mesmo cabendo, não é uma roupa em que alguém com mais de 35 anos fique bem, pelo seu ar extremamente adolescente. Convenhamos que o Lagerfeld fica bem estranho com Dior Homme: meio múmia, meio Ozzy! Será que ele não tem amigo pra avisá-lo? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Voltando ao assunto. Sim, acho Slimane talentoso mas não um criador ou mestre, o que pra mim é só nessas esferas que podem entrar em um panteão de genialidade. Apesar de que nos dias de hoje muitos consideram o marketing uma jogada de mestre.

Ezra Pound, esse sim poeta genial, classificou os escritores e numa visão geral, os artistas e produtores culturais em 6 tipos:

1 – Inventores – Homens que descobrem algo novo ou são os primeiros a evidenciar uma novidade.

2 – Mestres – Homens que combinam tais processos descobertos pelos inventores e os usam tão bem ou melhor que os inventores.

3 – Diluidores – Homens que difundem o que foi inventado

4 – Bons “escritores” sem qualidades salientes

5 – Belle Lettres – Homens que não inventaram nada mas se especializaram em uma parte da invenção.

6 – Lançadores de “moda” – Homens que por seu sucesso chamam atenção por um tempo, mas desaparecem e perdem importância no decorrer da História.

Pausa do politicamente incorreto: Antes que alguma feminista venha me chamar de misógino miojo mil folhas, o uso da palavra Homens aqui se relaciona aos seres humanos.

O que Slimane inventou? Nada! Pegou toda a informação da moda de rua e trouxe com olhar de moda para as passarelas. Processo realizado desde os anos 60 e, se não me engano, iniciado por Yves Saint-Laurent e sua jaqueta de motoqueiro inspirada no clássico de Marlon Brando “O Selvagem”.

Todo o universo rock já está presente na moda desde Mary Quant, sem falar da experiência inversa de construção de imagem rock pela moda com fez Vivienne Westwood, essa sim inventora.

No que ele é mestre? Nada. Ele não produziu uma moda inspirada na rua melhor que a de Vivienne nos 70 e todos que olharam para o Swinging London nos 60 e para não parecer velharia, está longe das construções de Walter Von Beirendonck para a W.& L.T.e toda a cultura eletrônica e clubber inserida em suas coleções.

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Mod dos anos 60 diz: “Sr. Doherty e Sr. slimane, bebam da minha fonte!”

Sim, ele é um diluidor de primeira. Sim, ele fundiu uma cultura rock’n roll em um meio tradicional: o da alfaiataria, mas nada de novo no front, basta ver os mods, ou o figurino de Jean Paul Belmondo nos filmes de Godard (no início dos anos 60) para entender o que estou falando, apesar de acharmos que o estilo é de Pete Doherty

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Belmondo e seus signos imitados até hoje 

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Doherty carrega seu museu de grandes novidades e a namorada lançadora de “modas”

Enfim, Slimane pra mim tem algo de interessante. Trouxe o corpo magro e esguio para as passarelas, tornou-o centralmente fashion. E com isso a juventude que é o que toda a sociedade anseia, mesmo com todos os problemas que essa corrida por um corpo magro e mais jovem podem acarretar negativamente. Mas nesse sentido ele trouxe uma mudança que vejo como conservadora, pois como o sociólogo Edgar Mourin já escreveu, o processo de adolescer de uma sociedade é uma forma de domesticá-la e tirar qualquer sinal de rebeldia, o adorno vira entorno.

Momento fofoca podre: Sem falar de um certo ar pedófilo que, tenho certeza, no fundo o sr. Slimane deve ter ao fotografar seus jovens. Mais do que isso reflete uma sociedade com desejo de juventude, que pode enveredar tranquilamente pelo caminho da pedofilia. 

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foto Hedi Slimane 

modelo (de desejo) de Slimane 

 

Mas, afinal ele também é um produto de marketing assim como seu rival Tom Ford? Claro que em suas devidas proporções: Tom Ford é mais marketing agressivo, e Slimane é mais Natura, a marca, se é que vocês me entendem?

O estilista tem sim uma alfaiataria impecável! Mas pra mim, isso importa bem pouco no avanço da moda masculine. Não acredito que o avanço da roupa masculine esteja na alfaiataria. Apesar do senso comum entre fashionistas que alguém é bom em moda masculine quando faz uma boa alfaiataria. E é preciso desse quesito em seu currículo para entrar nesse mundo fechado de smokings.

A moda masculine avançará pelo sportswear, disso tenho uma intuição forte.

Então vejo Slimane como Debussy, trabalhando sobre a fórmula antiga, adorando as escalas tonais e não o novo de Schoenberg, o atonalismo.Ou mesmo Portinari que fingia cubismo para apresentar modernidade aceita para olhos fáceis, um cubismo de fachada. Quem ousava falar mal de Portinari na época, dizer que aquilo não era moderno e hoje o contrário é um fato inconteste.

Enfim, repito, Slimane tem seu mérito em seu tempo de moda sim, mas genial está longe. Isso não tira seus atributos e qualidades no mundo da moda, mas o rearranja na idéia de criador que muitos têm dele. E é assim começo a olhar para o fotógrafo.

Momento xoxo: E espero que diferente de Tom Ford, ele não caia no obscurantismo e se revele apenas um lançador de “moda”.