moda, estilo, humores e sentimentos

24 jul

OFICINA DE ESTILO DIZ: “Não somos feitos de uma matéria fixa, imutável; somos produto dos encontros, das conexões que nos permitimos fazer ao longo da nossa existência.”* A gente tem personalidade definida, tem todo um modus operandi que funciona direitinho (trabalhamos, almoçamos, encontramos amigos, resolvemos problemas…) e tem um guarda-roupa “na medida“. Tudo isso junto implica num estilo de vestir definido, que externe essas subjetividades com clareza para o mundo em volta. Mas e essa instabilidade, fruto dos “encontros e conexões” que nos permitimos fazer?

Qual o tamanho da relação entre o que acontece com a gente e o que a gente escolhe vestir? E qual a importância dessa relação? O emocional de um indivíduo pode se sobrepor ao seu estilo pessoal? Ou obrigatoriamente se manifesta aliado a ele?!??

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**às vezes a gente tá feliz

A gente não é estável (nunca) e tá todo mundo sujeito ao novo, ao inesperado. Mega natural que haja diferenças no vestir por conta desses ‘desacertos’ que teimam em acontecer no meio dos caminhos. O inesperado nos surpreende – apesar de saber que se deve viver esperando o inesperado, quem tá preparado de verdade pra ele?!?? A segurança do vestir-se automaticamente pode ser fragilizada por humores, amores, viagens, trabalhos, sustos ou medos… não pode? “O termo ‘complexidade’ vem do latim complexus, que significa o que abrange muitos elementos ou várias partes. É um conjunto de circunstâncias, ou coisas independentes, ou seja, que apresentam ligação entre si. Trata-se da congregação de elementos que são membros e partícipes do todo.”* O que a gente veste tem que falar da gente = nossas escolhas no vestir têm ligação com quem somos. E qualquer situação complexa que a gente vive “abrange muitos elementos ou várias partes”. O vestir também.

A gente pode usar moda pra acolher, pra confortar, pra camuflar sentimentos ou situações mal-resolvidas, pra alegrar, pra estimular. Escolher materiais fofos e aconchegantes pode ser sintoma de desconforto. Escolher cores coloridas pode pretender alegrar alguém tristinho. Escolher tons neutros e sóbrios pode dar sensação de se querer refletir, acalmar, permanecer inerte. Dificuldade de escolha pode decorrer de confusão mental, confusão de tudo. E se a gente conscientizar isso tudo, dá pra escolher direito, com propósito. Tipo mudar de roupa pra mudar de comportamento, ou mudar de comportamento e por isso mudar de roupa. As inglesas do ‘Esquadrão da Moda‘ escreveram um livro chamado “What you wear can change your life” e elas têm alguma razão.

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** às vezes a gente tá triste

“O que de fato buscamos é captar o tempo todo o que se faz e o que se desfaz em nós, dar forma ao que vivenciamos em nossa subjetividade. Chega o momento, então, em que, a despeito da forte sensação de vertigem e desorientação que possamos experimentar, é preciso abandonar aquela forma que virou carcaça, não nos diz mais nada, e ir em busca de outra que pareça vital, que “aumente nossa potência de agir”*. Terapia em frente ao espelho; estímulo pra curas e atitudes e mudanças e tomadas de decisão que podem ser influenciadas e exteriorizadas no discurso não-verbal.

Tô indo pro cabelereiro. Vou ficar loira.

* Todas as citações são da professora Rosane Preciosa, tiradas do incrível “Produção Estética“. ** Todas as obras que ilustram o post são da Tarsila do Amaral. (E sim, esse texto é pra você.)

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13 Respostas to “moda, estilo, humores e sentimentos”

  1. Andre Felipe 24 de julho de 2007 às 1:06 pm #

    Makes sense.
    Hoje, por exemplo, quase sem pensar, saí de casa usando um cachecol, amarrado de um daqueles jeitos do vídeozinho. Ficou bom, mas acho que depois do almoço vai fazer calor…
    Bj

  2. Dani Varanda 24 de julho de 2007 às 1:42 pm #

    Fê, vou te dar um exemplinho que me faz concordar e também discordar do post: em meus tempos de terapia, o principal desejo da analista era que eu parasse de vestir tanto preto. No fundo, eu usava o preto porque ele refletia (ou escondia) um tanto do que estava errado por dentro, assim como as outras cores externam as demais emoções que andam dentro de nós. Hoje, posso usar o preto numa boa, que ninguém vai pensar que aquela cor esconde algo. Ou seja: as cores e as roupas podem até ajudar a transparecer, mas nossos olhares, expressões e atitudes ainda dizem muitíssimo sobre nós. Um beijo e boa sorte na loirice (que eu ainda etsou tentando obter).

  3. fabio 24 de julho de 2007 às 2:39 pm #

    “Fruto dos encontros e conexões que nos permitimos fazer”. E eu, que simplesmente pegava uma camiseta branca ou colorida, acabei de despertar. “Abrir espaço” implica em se expor, em ser, em nao se esquivar. E isso muda a gente. Quem diria que a demora excessiva pra me vestir esses dias não tem nada a ver com o frio ou com a chuva, mas com quem sou? Ou serei.

  4. Luciene 25 de julho de 2007 às 2:15 am #

    Caras Fê e Cris; é esse sempre o tópico que mais me move na seara da moda. Só que, à medida que o tempo passa e mais me aperfeiçôo nesta “leitura corporal”, própria e alheia, começo a achar os looks óbvios demais e as pessoas muito limitadas. E eu, com medo de “tanta exposição”, passei a me vestir de forma apagadinha… ou então, calculadamente. Só me emociono vez ou outra, com os blogs de street style ou alguma passsarela de haute couture. Existe alguma solução para este caso? Conhecem algum tipo de “fashion terapeuta”?

  5. Denise 25 de julho de 2007 às 11:46 am #

    Concordo com o texto, muito bom! E’ verdade…o inesperado muda nosso exterior,ne? Mas as vezes da medo de chocar demais, e ficamos na mesma(pelo menos comigo)…

    p.s: Quero ver a “Fe loira”! Ah..nisso eu ja tive o impulso de mudar o hair style!

    Acho que mudando ou nao o look, a nossa essencia continua a mesma…o que muda e’ a maneira como vemos as coisas..^^.

  6. forademoda 25 de julho de 2007 às 5:57 pm #

    Uau! Sabe que é exatamente isto que eu sinto quando me visto??? Claro que tudo a enésima potência, no meu caso. Por isso, não tenho guarda-roupa pronto nunca. Nunca sei quem eu quero ser no dia seguinte, ou como quero ser, o que é mais acertado. Amei, meninas.

  7. Julian 26 de julho de 2007 às 1:31 am #

    Conhece a campanha “You are Beutiful”? Postei algo no meu: http://itsfashionlondon.wordpress.com/2007/07/25/campanha-you-are-beautiful/

    Beijos

  8. jovemdama 27 de julho de 2007 às 12:02 am #

    Bom, sou suspeitíssima.
    Primeiro que sou fã de carteirinha da Preciosa, das opiniões e do questionamento constante que ela propõe.
    Segundo, que da forma como eu vejo, e aí, com uma ajuda do Hundertwasser e de mais uma turma boa, sendo a roupa a sua segunda pele, aquela que protege a epiderme e seu conteúdo, não dá pra ser diferente: o trato não é só com a aparência, o contato é “com tato”.
    Putz, dá uma infinidade de discussões isso!!!!

    Um abraço

  9. dusinfernus 27 de julho de 2007 às 6:40 am #

    esse é o assunto que mais me comove na moda, a relação dela com nossos humores e espirualidade e aparências. aliás é o grande assunto e contribuição da moda para os humanos

  10. jercia regina silva ferro 1 de abril de 2009 às 8:38 am #

    a minha irmã e linda mais sim veste como um louca vei mi ajura pro vafou

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