Coluna Desabafo

30 jul

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LUIGI DIZ: A viagem acabou. Depois de um mês em Toronto, chegou a hora de fazer as malas e voltar para casa e para “real life”. Confesso que fiz isso com bastante desgosto, mas enfim, não tinha outro jeito.

Eu sei que esta coluna deveria ser sobre moda masculina (ou masculine, para alguns), como tem sido até então. Mas hoje não estou muito afim de falar disso, e resolvi fazer um pequeno (??) desabafo. Então vamos lá!

Logo que a gente aqui no BlogView decidiu a fazer esse esquema colunas semanais – que eu estou adorando, btw -, um dos assuntos mais recorrentes tem sido o tal DNA brasileiro, que teve o ápice de discussão com o post de street style, do Oliveros, que acabou repercutindo em vários outros blogs.

Tenho que admitir que fiquei meio neutro nessa discussão toda, da qual eu nem participei muito. Em parte por estar viajando, aproveitando outras cositas e curtindo a cidade. Mas também tinha muito de indecisão e dúvidas que sempre me deixavam pensando sobre o assunto de vez em quando. Uma das pessoas que eu conheci por lá, até chegou me perguntar qual era o estilo do Brasil. A pergunta – praticamente sem resposta na hora – me deixou ainda mais pensativo sobre o assunto e me levando a achar que eu, de fato, não tenho certeza se sei qual é o estilo das pessoas no Brasil.

Mas e ai, por que eu não sei? Falta de pesquisa, falta de informação, olhar viciado… Acho que um pouco de tudo. Até que uma outra pessoa que conheci lá – sim, conheci até que bastante gente para uma pessoa ultra tímida como essa que vos escreve – me perguntou do que eu mais sentiria falta quando voltasse para casa. Minha resposta foi que mais me deixaria com vontade de voltar era a liberdade que eu tinha de andar – a pé mesmo – para cima e para baixo, em todo e qualquer lugar e horário, sem pressa, sem neuras de trânsito e horário e, principalmente, sem medo de ser assaltado ou coisa pior.

No fim, acabei percebendo que eu ficava tão maravilhado com as pessoas mais fashionables ou mais montadas nas ruas, como se nunca tivesse visto igual em São Paulo, porque eu não ando em São Paulo. Ah, andar só pelas ruas dos Jardins e afins, não vale, tá?

Eu, e acredito que bastante gente que lê esse blog também, vivo num mundinho – e não só o da moda, não – super fechado. Sempre trancado dentro carro, ou em casa, escritório, café, boate, que seja, sempre correndo para não ficar preso no mega trânsito de São Paulo, sempre sem tempo para nada, que acabo não olhando com calma para nossas próprias ruas, para o que acontece nelas e para quem anda nelas.

Enfim, prometo que semana que vem volto ao tema da coluna, com um assunto mais interessante! De verdade!

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4 Respostas to “Coluna Desabafo”

  1. carol 30 de julho de 2007 às 9:02 pm #

    ola!!!
    eu que ando de carro e sou alucinada pela vida europeia…e lá so ando a pé e tenho tempo de ver as pessoas…sinto exatamente o que vc sente …hj mesmo estava parando para pensar nisso.
    Abandonei o carro e peguei metro…
    A sensação que tive de estranhamento.Pq na minha cidade eu naum faço isso.Preciso sair do pais e concluir: eu amo andar a pé, de metro…e olhar as pessoas na rua…Sentir a rua. Não importa se é gente feia ou bonita.
    Odeio o transito de SP e acho que o Brasil tem sim um estilo próprio.Apesar de várias tribos diferentes,como em todo lugar…
    Que eu tb me pergunto…Qual é?
    Mas ele existe.
    Acho um bom tema…

  2. Biti Averbach 30 de julho de 2007 às 10:38 pm #

    Outro dia me dei conta que nem à paquera no farol (ou sinal, para os cariocas) a gente tem direito, atualmente. Carros com vidros negros blindam o olhar, cegam as diferenças, tapam o sol com a peneira. Pode ser besteira, mas fico sempre pensando: colocar insulfim no carro e achar q não vai ser assaltado não é o mesmo que botar cortinas em casa e achar q ninguém vai saber o que tem lá dentro?
    welcome back, dear!

  3. Glauco Sabino 1 de agosto de 2007 às 2:50 am #

    Luigi, achei ótimo o desabafo… Tem muito do que a gente tava comentando sobre as pessoas se isolarem do mundo com seus ipods, lembra? Bjo!

  4. Eleonora M. Trench 2 de agosto de 2007 às 6:42 am #

    Sou de Brasília e moro em São Paulo há 19 anos. Já ganhei carro de papai mas, imediatamente, devolvi o presente – e virei a “ovelha negra” da família, claro. Sempre fui fã da natureza e sempre tentei equilibrá-la. Como uma boa trabalhadora, necessitei e exigi carros (com motorista) muitas vezes, para executar produções – provendo emprego a motoristas e, ainda, podendo ler, falar ao celeular, comer, conversar, etc, sem ter que me concentrar nas chatices dos trânsitos, me distraindo com paisagens e informações mil, sem peso na consciência.
    Às vezes, um táxi, uma carona.
    Muitas vezes o metrô, o ônibus, e a revolta: se todos fossem mais responsáveis e se dessem mais liberdade e respeito, tenho certeza de que haveria mais linhas de metrô e etc.
    Meio termo e bom senso quando aprendidos e apreendidos, nos levam à experiências extra-sensoriais e momentos inesquecíveis vindos de simples acasos como, por exemplo, uma árvore frondosa, uma plnatinha que nasceu numa rachadura, uma calçada que lembrou dos cadeirantes, um sebo, uma velhinha admirável e jovialmente bem vestida, trajando jeans e tênis all star e batom borrado, e por aí vai…
    Resumindo: dê-se de presente a experiência de livrar suas pernas e sua mente em São Paulo. Talvez, a moda de rua não agradará, mas prometo que todos os seus dias serão muito mais autênticos, ricos.
    E, o mais importante, dará o que falar, discutir e filosofar!
    Seja bem-vindo à realidade brasileira (que não se aguenta mais)!!
    Bjs,
    Nora.

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