Moda pra Ler entrevista: Apego

5 ago

Laura diz: Depois dos instigantes debates do Vitor sobre os desejos que a moda causa, e o do Oliveiros sobre a necessária discussão se moda é arte, volto com uma entrevista com outro novo nome no mercado de moda, Monayna Pinheiro umas das sócias da marca Apego. Na entrevista ela conta as dores e as delícias de começar a batalhar por um lugar ao sol.

A dupla de estilistas Patrícia Almeida e Monayna Pinheiro, cria da faculdade Santa Marcelina, começou vendendo para as amigas e pela internet. Agora, com os passos exetremamente calculados, elas querem ganhar espaço fora do hype paulistano.

Nesse rápido papo com o Moda pra Ler, Monayna falou sobre as dificuldades de criar e gerenciar ao mesmo tempo, além de revelar o por que das suas estampas temáticas a cada coleção.

Porque o nome Apego?
Porque é o sentimento de simpatia, afeição que temos com o material – no caso a roupa.

Qual o conceito da marca?
A Apego surgiu do desejo de fazermos uma roupa comercial, mas de forma mais exclusiva, em pouca quantidade, com um trabalho diferenciado de estampas, por um preço mais acessível.

O crescimento foi relativamente rápido. Como se organizaram para isso?
Fomos nos organizando aos poucos. Primeiro abrimos nossa lojinha anexa ao Bar Drosophyla. Fizemos o lançamento no bar e iríamos permanecer na lojinha por apenas uma semana. Nesse mês a parceria Drosophyla e Apego completa 1 ano! Depois desenvolvemos nosso site de forma cuidadosa, e aí percebemos que já era tempo de sairmos do Bom Retiro, pois lá já não tinha muito a ver a gente. Agora estamos em um novo momento, nos organizando para a venda de atacado. Esse é um dos maiores desafios para as jovens marcas.

Enquanto muitos estilistas optam por vender em atacado, vocês optaram por abrir uma loja. Por quê?
Porque é sempre importante ter mais pontos de venda. Aqui no atelier trabalhamos e temos a nossa loja. O espaço é super bonitinho e tem tudo a ver com a gente. Estamos iniciando o atacado agora, nos adaptando, entrando no “timing” certo.

Vocês fizeram faculdade de moda que tem pouca ênfase nos negócios. Como criar e também gerenciar uma empresa?
É um desafio diário. Aprendemos e erramos no dia-a-dia. Infelizmente tem pouco espaço para o erro no mercado. Na faculdade você pode errar, no sentido de experimentar, coisa que você não pode fazer no mercado porque o preço pode ficar caro e pode inviabilizar o seu negócio.

As coleções de vocês sempre têm um “desenho tema” no verão foram pássaros e agora são os guarda-chuvas. Esses desenhos são pontos de partidas que vocês adotam ou conseqüência da criação?
Conseqüência da criação. O tema do verão era “Escapismo”, por isso adotamos o pássaro, que é livre, como imagem. Já o de inverno era “Sombra”. Por isso os guarda-chuvas, sombreiros.

Para quais mulheres é a roupa da Apego?
Mulheres independentes, com informação de moda e design, profissionais liberais… Uma coisa que é engraçada é que vendemos muito para outras estilistas!

Como começou a relação de vocês com o bar drosophyla?
Entramos em contato com a Lili (dona do Drô) para lançarmos a coleção de inverno 2006 no bar. Ela de cara adorou a idéia e a Apego! Ela é uma pessoa muito ligada em arte, design, e sempre nos apoiou! Tanto que faz um ano que temos essa parceria.

Dá resultado vender a noite?
Dá, né? Engraçado, pois no começo as pessoas não entendiam que a loja só abria à noite. Achavam sem sentido. Agora já tem uma associação da “lojinha do Drô”, com um horário alternativo. E lá a gente trabalha com um esquema outlet, vendendo peças de coleções passadas por um preço mais em conta, além das peças da coleção atual. Além das vendas, acaba rolando uma divulgação bacana também!

Hoje as lojas buscam vestir as mulheres da cabeça aos pés. Vocês vendem acessórios. Pretendem vender sapatos?
No momento, ainda não temos um plano concreto. No futuro, por que não?

No caso dos acessórios são vocês que desenham?
Desenvolvemos em parceria com o estilista Duda Laurino.

Como fazer a diferença num mercado em que novos estilistas surgem todos os dias?
Percebi que o desafio maior no mercado não é começar, é permanecer. Acreditamos na profusão de canais de venda: diversos pontos de venda físicos, venda pela internet, vendas especiais etc. Assim atingimos as clientes de uma forma mais abrangente.

Alguns novos estilistas cobram valores muito altos porque tem que pagar o alto custo de produção. Por que vocês optaram por praticar preços mais acessíveis?
Achamos que a solução é vender em maior quantidade e não aumentarmos o valor das peças. É melhor do que vender poucas peças por um preço mais caro.

A marca está com uma boa notoriedade no mundo da moda paulistana. Quais os planos da marca?
Já vendemos para outros estados. Mas gostaríamos de nos estruturar melhor, fortalecendo nosso atacado. Daqui a duas ou três coleções, também pretendemos desfilar!

Você gostaria de participar da São Paulo Fashion Week?
A gente acha legal desfilar, mas nesse momemento preferimos investir em outras coisas. Porém, estamos começando e para participar de um evento como o SPFW tem que ter timing do mercado afinado.

O desfile é uma forma de divulgação essencial?
Não tem fórmula. Cada um faz de um jeito. Essa coleção nós vamos fazer um card, por exemplo. Porém, pensamos em fazer desfiles menores no showroom.

***
Fotos Inverno 2007 Nina Jacobi/ Divulgação
Site: http://www.apego.com.br

Entrevista originalmente publicada no Moda pra Ler.

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Uma resposta to “Moda pra Ler entrevista: Apego”

  1. mariana rocha 6 de agosto de 2007 às 5:58 pm #

    parabéns pelo trabalho, mari

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