Stick-me

9 ago

GLAUCO DIZ: Sexta-feirizinha “dus infernos”: metrô parado, ônibus lotados, trânsito uó… Não tinha como sair para trabalhar! Aproveitei o day off forçado (porém, muitíssimo bem-vindo) para visitar a Cubículo, primeira galeria de stickers do país. Inaugurado no dia 28 de Junho, o espaço faz parte do criativo projeto que tomou conta do terceiro andar da  Galeria Ouro Fino, na rua Augusta: a Laje. Trata-se, basicamente, de um conjunto de lojas e escritórios moderninhos, como a produtora de filmes publicitários “Ouro 21” (de Homero Olivetto, um dos idealizadores do projeto junto com Sergio Cuevas); a agência de tendências de web e Second Life “Gruda em Mim que o Boi Não Te Lambe”, o escritório de produção do Mercado Mundo Mix (de Beto Lago) e a gravadora indie “Ôlôko Records”.

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O local, que andava meio caído e cheio de placas de aluga-se, foi todo reformado e ganhou pufes, mesinhas e uma incrível mesa de sinuca! Como contou a Ligia, uma fofa que me recebeu lá na Cubículo, todo dia lá pelas 19h o povo dos escritórios se reúne nessa espécie de lounge para “ouvir um ipod, bater-papo e jogar sinuca” (lugarzinho ruim de trabalhar, hein?). Ela também mostrou e explicou alguns dos trabalhos expostos. São todos de artistas da Choque Cultural, galeria que idealizou o espaço. Um dos que mais me chamou atenção foi uma placa de trânsito todinha coberta com stickers de gatinhos feita pelo Tinico. O legal é que ele desenha cada gato, um por um, na mão! Ou seja, os desenhos nunca se repetem, pois não há um quadro de reprodução. A peça custa R$ 350,00 e já foi vendida. “O pessoal compra essas placas para decorar uma loja, um escritório… Acho que ninguém levou para colocar em casa ainda”, explicou a Ligia.

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Umas das poucas peças que ainda não tem dono é essa placa coletiva, com intervenções de todos os artistas da expo: Distúrbios, Projeto Chã, SHN, Manormouse, Go Carvalho, ASA, Base V, Ramam, Tinico, Muxi muxi e Mr. Pringles. Ela também sai por R$ 350,00.

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Mas não é só de artistas brasileiros que a galeria será feita. Flávia Soares, coordenadora do Cubículo estava em viagem pela Europa e EUA só para buscar novos trabalhos. Lá fora essa cultura sticker já é bastante forte, com lojas especializadas e sites para venda, troca e downloads dos lambe-lambes. E sabe por que download? Por que o maior barato entre os fãs de stickers é colar as obras dos amigos distantes em suas cidades, depois publicando fotos na Internet. É assim que muitos deles ficam conhecidos internacionalmente sem ao menos saírem de seus bairros. Entre esse sites, os mais bacanas são: Stick It, Wooster Collective, Sticker War, TakTak, Stickyart, Street Stickers (tem um mega poster para download), além dos brasileiros Cachorro Amarelo, Binho Ribeiro e 50 Graus (tem uns stickers de animais derretendo como protesto contra o aquecimento global). Entra porque é muuuito legal!

E para quem gostou, um pouquinho de história…

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O objetivo principal dos stickers é criar um composto visual que dialogue com a estética urbana, trazendo uma mensagem a partir do que o ambiente proporciona. Por isso, a gente tem visto por aí (já andou pela região da Rua Augusta, Av. Paulista e Vila Madalena?) figuras estranhas em cabines telefônicas, rostos misteriosos em postes e mensagens no mínimo curiosas nos muros.

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Segundo os adeptos da arte, o sticker é mais vantajoso que as pinturas por que é portátil e de fácil aplicação, sendo apenas necessário encontrar o lugar ideal para colocá-lo. Não há limite de tamanho nem de elaboração; as figuras são feitas com caneta, xerox, serigrafia e tintas plásticas. Não se tem certeza sobre quem começou com este tipo de expressão, mas é considerado precursor o artista americano Shepard Fairey, um dos primeiros a saturar as cidades com suas criações. Ele ficou tão famoso que hoje em dia dirige um conceituado estúdio de design gráfico dos Estados Unidos.

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4 Respostas to “Stick-me”

  1. jeanswear 9 de agosto de 2007 às 9:17 pm #

    adorei tua matéria, as infos sobre esta arte que eu desconhecia, os detalhes e tudo mais… agora sobre “na laje” tenho minhas ressalvas… Frequento a galeria desde 1998 quando cheguei em SP, tive amigos com loja lá, meus piercings fiz lá (já não os tenho) e na boa… esse espaço “lounge pop arte”… “mamãe tenho grana e quero um studio underground” não tem nada a ver com a galeria ouro fino. Se a galera tem talento e grana, ótimo, mas não tem nada haver com o lugar, com o povo que frequenta o lugar… os outros andares precisam lançar um movimento “fico fora da laje”… seria legal! Bjs

  2. Biti Averbach 10 de agosto de 2007 às 1:15 am #

    ADOREI, GLAUCO! O TRABALHO DO TINICO É MUITO BACANA, CONHECI ELE LÁ NA PAULA FERBER.
    HOJE EU VI UMA REVISTA Q VC VAI ADORAR: CHAAMA SNEAKER MARMALADE
    BJ

  3. Glauco Sabino 10 de agosto de 2007 às 9:47 am #

    Jeanswear, tenho uma opinião diferente: a fase do underground passou. Se a Ouro Fino quiser sobreviver aos tempos, terá que se adaptar. Tudo bem que nos anos 90 o lugar era o must, dá saudades, mas fazer oq? Pelo menos o espaço foi ocupado com algo muderninho… Imagina se aquilo vira um monte de escritório contábil? Hahahaha. Bjo!

  4. fashionlab-rio 10 de agosto de 2007 às 3:59 pm #

    achei bacana essa história dos stickers..
    mas imagina se todo mundo resolve colar adesívos pela cidade?
    hehe danou-se ! bejo

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