O OROBORUS DA MODA BRASILEIRA

19 ago

VITOR DIZ: A entrevista de Giovanni Bianco também me chamou atenção na última coluna de moda de Alcino Leite Neto na Folha. Também porque a amiga de Blog View Biti Averbach levantou questões importantes a partir das afirmações do diretor de arte sobre a moda brasileira. Concordo plenamente com a Biti que elas são muito pertinentes, mas tem uma questão que me intrigou muito. 

Biti escreve colocando uma das frases de Bianco e terminando com a nota da colunista da Folha, Monica Bergamo: 

“’A moda é um todo, não pode ser o que acontece numa semana apenas. A marca São Paulo Fashion Week se tornou mais importante que qualquer grife individual’ 

Eu acho que a confirmação disso –do valor da grife do evento– está estampado na página 2 do mesmo caderno, numa nota da coluna de Mônica Bergamo que diz: 

‘Paulo Borges, dono da SP Fashion Week, espera Nizan Guanaes de braços abertos: depois que o publicitário anunciou publicamente que tem interesse em “comprar” a semana de moda, Borges admitiu que pode fechar negócio…’” 

O evento realmente é uma das grandes conquistas da moda brasileira na década de 90 senão a mais importante. Tudo que surgiu nesse período vem embaixo de seu grande guarda-chuva de visibilidade: estilistas, modelos…

Mas a crítica de Bianco conjugada com a nota de Monica Bergamo deixa claro que essa construção não é sólida.  

Faz já algum tempo que sabemos que o SPFW teve dificuldades econômicas e ultimamente com patrocinador, perdendo um bem importante Sabe-se  que por conflitos de patrocínios (isto é, uma marca é patrocinada pela concorrente que patrocina o SPFW) alguns estilistas como Ricardo Almeida e Raia de Goeye deixaram de desfilar na semana. 

Temos muito mais que uma dicotomia. Ao mesmo tempo em que a moda brasileira se planeja muito pautada nessa semana, ela não pode assim sê-la, pois o evento por oscilações externas (econômicas e políticas) a ele, é frágil e demonstra a fragilidade da moda brasileira ao nos pautarmos a partir dele. 

Oroborus, a cobra come seu próprio rabo!

oroborus.jpg

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4 Respostas to “O OROBORUS DA MODA BRASILEIRA”

  1. Edge 19 de agosto de 2007 às 7:08 am #

    Caro Victor,

    Acho bastante pertinente a discussão sobre este assunto. Ontem mesmo estava questionando isso em meu blog no artigo “pensamentos” http://blog.jesuis.com.br/2007/08/18/10/ … e é isso que proponho a todos os leitores: a discussão….
    Lá não estou me direcionando ao SPFW, realmente acho que o evento é muito importante… e se ele hoje é mais forte que as marcas nacionais significa que está faltando ações estratégicas destas marcas… fora isso… nada.

  2. Biti Averbach 19 de agosto de 2007 às 1:31 pm #

    Concordo em vc, Vitor, em parte. Os conflitos de patrocínio existiram, é fato. As dificuldades com patrocinadoras são eternas, não só na moda, mas em todas outras áreas culturais…cinema, teatro, etc.

    Mas inegavelmente, o SPFW é a marca da moda brasileira que todos, aqui e no exterior mais conhecem. Não acho q Nizan Guanaes iria querer investir num negócio q não tivesse um retorno muito bom e garantido.

    Agora, a moda brasileira não pode mesmo ficar pautada em função de uma semana por semestre. Para mim, o maior sintoma dessa doença é o fato das marcas criarem desfiles de “ficção científica”, onde o que é mostrado não tem coerência e consistência com o que a grife produz.

    Aliás, vamos começar do começo: falta identidade e DNA à grande parte das marcas nacionais. Um bom número delas, a gente identifica pelo tipo de cópia que elas fazem. Ah, essa é a versão brasileira da Gucci, aquela copia Marc Jacobs, e por aí vai. Se as marcas partissem em busca de uma essência própria, teríamos um bom começo!

  3. forademoda 19 de agosto de 2007 às 4:06 pm #

    Hummmm, eba mais uma questão importante no BlogView!!!
    Penso que as semanas de moda existem para facilitar o mercado de moda como um todo: lançamentos, coleções, edições de jornais, revistas e TV. O SPFW ajudou muito na construção deste mercado, mas não é a única via: temos o Fashion Rio, Semana de Moda, Prêt-a-Poter, Bom Retiro, Teen Fashion além dos desfiles isolados, como a da Cris Barros. Falta neste momento, uma organização melhor das datas de todos estes eventos, porque o público já está bem focado em cada um deles.
    Penso também que o grande varejo precisa também se organizar para ajudar no DNA nacional como comento em http://forademoda.wordpress.com/2007/08/08/o-bom-o-bonito-e-o-barato-na-moda/

  4. Claudia 24 de agosto de 2007 às 10:19 pm #

    só vamos ter uma mudança significativa, quando pararem de olhar para seu próprio
    umbigo. É PRECISO SER MAIS UNIVERSAL, e menos provinciano…na maneira de pensar.
    Falta o trabalho em grupo, a troca para poder crescer, ninguém resolve um caminho sózinho. Como dizia Diana Vreeland, eu não, NÓS.
    abs Claudia

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