moda pra ler entrevista: Daniele Mabe

14 out

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Laura diz: De volta depois de um mês, o Moda pra ler retoma suas entrevistas.

Na última terça-feira a estilista Daniele Mabe deixou as portas da sua loja na Alameda Lorena aberta até mais tarde para lançar a nova coleção da marca que leva seu nome.

Novata no mundo das grifes a criadora que “abriu a loja no impulso”, comemora 5 anos de loja e de marca.

Em meio as coloridas peças de verão a empresária conversou com o Moda pra Ler e contou os desafios de construir um nome e fazer a empresa crescer.

Conta um pouco como foi o nascimento da marca?
A marca começou com a abertura da loja em 2002. Eu já trabalhava na fábrica de roupas da minha família, que produz para multimarcas populares. Sou formada em administração e comecei no administrativo, mas logo me encantei com o desenvolvimento das coleções. E em uma viagem de pesquisa para Nova Iorque surgiu a idéia de fazer uma marca.

Na ocasião o que você imaginou para marca?
Pensei como consumidora. Queria fazer básicas que não encontrava nas lojas. Peças com uma modelagem democrática e preços acessíveis.

Você começou ousada, abrindo uma loja nos jardins.
Mais que uma loja, eu queria montar uma grife. E os Jardins é o Bairro mais indicado para isso, uma vez que é onde os produtores, editores de moda e formadores de opinião circulam.

Você é formada em administração como cuidar do lado administrativo e criativo?
Hoje cuido somente da pesquisa e desenvolvimento de coleções e tenho um administrador. A parte criativa aprendi na prática, e complementando com cursos livres.

Hoje são cinco anos de marca. Quais os pontos positivos e negativos dessa trajetória?
Nesses 5 anos a marca cresceu, construí minha identidade, conquistei mercado, tenho 30 pontos de venda em todo Brasil. Porém, é um ramo difícil, o país enfrentou crises e nesses momentos as vendas caíram.

E hoje como está?
As vendas estão indo bem.

Você disse que construiu sua identidade. Qual seria a identidade da marca Daniele Mabe?
Já tive a loja cor-de-rosa romântica e hoje ela está preta e clean. Gosto de mudar, mas me mantenho fiel aos objetivos iniciais: roupas básicas, com modelagem que agrada todas as mulheres e preços acessíveis.

E ao que você atribiu o crescimento da marca?
À modelagem, que favorece as mulheres.

A marca tem planos para o mercado internacional?
Tenho muitos, mas estou começando devagar. Pela primeira vez participei de uma feira internacional. Fui a Prêt-à-Porter em Paris por meio de um programa da ABIT. Muita gente falou que não era para criar expectativas com vendas, mas fiquei feliz com o resultado. Fiz bons contatos. As peças bordadas, com um toque artesanal, sem ser folclórico, chamaram muita atenção na feira.

Você sempre faz algumas peças bordadas em suas coleções?
Sim, comecei fazendo flores. Na coleção atual elegi as corujas que tinha visto muito em acessórios e gostei da idéia de colocá-la em roupas.

O que mais tem nessa coleção?
Procurei me inspirar na moda esportiva. Roupas confortáveis tanto na forma quanto no caimento. Sempre trabalho muito com malha, mas também tem algodão e jersey.

Você é neta do pintor Manabu Mabe. O parentesco influenciou sua moda?
Influenciou no gosto pelas artes e principalmente pelas cores. Meu avô me ensinava a de desenhar e pintar de um jeito bem didático. Foi um ótimo professor. Acho que meu gosto pela moda tem um dedinho dele.

Já pensou em fazer alguma coleção inspirada nele?
Já. A responsabilidade é grande. Agora, depois de cinco anos de marca começo a me sentir segura para homenageá-lo com uma coleção. Quero fazer algo especial.

***

Memê literário:
O Oliveiros propôs e aceitei o desafio de eleger os cinco livros favoritos. Na verdade não tenho livros preferidos. Acredito que dependendo da fase da vida há uma temática que será sua favorita, mas vamos lá.

1. O Espírito das Roupas – de Gilda de Melo e Souza.
Depois que li esse livro passei a querer estudar moda de uma maneira mais profunda e acadêmica.

2. O Anjo Pornográfico – Ruy Castro.
Adoro biografias, e o Ruy Castro é mestre no assunto. Esse texto em especial é maravilhoso porque além de relatar a intrigante vida do escritor Nelson Rodrigues, é uma pesquisa primorosa que conta a história do Brasil e do jornalismo, na época que ele era feito com paixão.

3.O Bestiário – Julio Cortazar
Essa reunião de contos do autor argentino é um belo exemplar do gênero realismo fantástico. Mistura humor, análise social e fantasia.

4. Os 6 contos da Era do Jazz – F. Scott Fitzgerlad.
Quem via Armação Ilimitada certamente lembra da Zelda Scott, a personagem de Andréa Beltrão é uma homenagem a mulher desse talentoso escritor norte-americano. Esse livro é uma boa amostra do estilo do autor que escrevia sem saber, em prosa, um roteiro cinematográfico.

5. A Fera na Selva – Henry James
Novela primorosa. Foi dica do terapeuta. Uma história sobre o tempo que perdemos esperando as coisas acontecerem.

Indico a Rebeca; a Flavia Durante; o Pablo; a Patrícia e a quase argentina.

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Uma resposta to “moda pra ler entrevista: Daniele Mabe”

  1. Oficina de Estilo 14 de outubro de 2007 às 8:33 pm #

    de todas as ‘viscolycras’ ela é uma das mais legais sempre. e eu tenho dois vestidões (da época de vestidões de malha) que são tão lindos que eu não uso mais, mas não tenho coragem (ainda) de tirar do guarda-roupa. =)

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