Diana Vreeland: a mãe de todas as diabas

22 out

OLIVEROS DIZ: Por ocasião do aniversário de 150 anos da Harper’s Bazaar, resolvi falar um pouco de Diana Vreeland, com certeza a mais importante editora de moda da história, simplesmente porque ela inventou esta profissão.

Reza a lenda, que Carmen Snow a viu dançando no Roof de NY com seu marido, o banqueiro Thomas Vreeland, com um vestido Chanel e teve a intuição que aquela mulher de sociedade, cheia de estilo, poderia ser uma ótima colaboradora para a Bazaar.

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Carmen Snow e Diana Vreeland discutindo lay outs da HB (Walters Sanders/Time&Life)

E estava 1000% certa. Em 1936 ela começou a escrever a coluna Why Don’t You…? (Por que você não…?) onde ela dava dicas absurdas como: Porque você não lava seus cabelos claros do seu filho com o campanhe que sobrou de ontem a noite¿ Ou Porque você não usa 3 diamantes presos no cabelo como a Duquesa de Windsor?

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1934: primeira coluna Why don’t you…? de Diana Vreeland

Em 1939 se tornou a primeira editora de moda do mundo. Seu estilo extravagante foi sua marca até o fim da vida. Costumava afirmar: “Sei o que elas vão usar, antes de elas usarem. O que vão comer, antes de comerem. E até mesmo para onde vão, antes mesmo de o lugar existir.”

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Diana Vreeland em ação num editorial de 1941

Como toda editora de moda (do passado?) ela não era fácil: uma de suas manias era de que suas assistentes mais próximas usassem bijuterias barulhentas e enormes, com guizos, para que ela sempre soubesse quando estavam por perto. Odiava reuniões pois achava que elas eram inúteis. Dava ordens por meio de telefones e memorandos ditados às assistentes. A revista Visonaire 37 publicou uma edição especial com 150 memorando, da época que foi editora-chefe da Vogue.

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Aliás, se na Bazaar ele teve seu talento reconhecido, por onde ficou por 25 anos, foi na Vogue que ela se transformou num ícone fashion. Tudo começou em 1962, quando o empresário Sam Newhouse comprou a editora Condé Nast e deu a Vogue de presente para a mulher, que exigiu a contratação de Diana para o cargo de diretora.

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Ganhava um salário altíssimo, tinha um motorista para busca-la todos os dias e um crédito ilimitado para comprar as roupas que quisesse. Era realmente era uma mulher de estilo. Feia que só ela –dizem que passou mal bocados na infância e adolescência porque sua mãe e irmã judiavam dela por causa da feiúra – resolveu seu complexo quando casou com Thomas, o homem mais lindo que ela conhecera, segundo suas próprias palavras.

O que se espera da figura de uma editora de moda? Antes de mais nada, estilo. Ela criou um estilo só dela. Cabelo preto sempre no mesmo corte, preso atrás das orelhas, batons e esmaltes vermelhíssimos, da mesma cor de seu apartamento e escritório na Vogue, e sempre impecavelmente vestida.

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Vermelho era a cor-paixão de Vreeland no seu ape decorado por Billy Baldwin

Segundo, que tenha um faro para o novo e Diana possuía um dom para descobrir talentos e foi responsável pelo sucesso de muitas modelos e dezenas de fotógrafos e estilistas. Twiggy, Marisa Berenson, Verushka e Lauren Hutton foram algumas de suas modelos imortalizadas em seus editoriais. Sabia reconhecer beleza de mulheres consideradas “esquisitas” como Barbra Streisand e Anjelica Huston. Seu círculo de amizade era composto de pessoas como Rudolf Nureyev, Coco Chanel, Jackie Kennedy, Andy Warhol.

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D.V. em click de Andy Warhol

Antes de Diabo Veste Prada, Vreeland (dizem) foi a inspiração de uma editora de moda exigente e perfeccionista no filme francês dos anos 60, “Qui êtes-vous Polly Magoo?”. O filme é de Willian Klein, fotógrafo contratado pela Vogue na época.

Vreeland soube tirar partido de seu networking. Em 1971 sua saída da Vogue foi humilhante. Todo mundo já sabia de sua saída e comentavam por suas costas. O motivo foi que ela estourava o orçamento da revista, já que tinha equipes fotografando pelo mundo todo.

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Caricatura de D.V. por David Levine

Ela deu a volta por cima no ano seguinte, graças a sua amizade com Jackie O., tornou-se consultora especial do Instituto de Vestuário do Metropolitan Museus de Nova York. De1972 até 1989, criou memoráveis exposições como a “The World of Balenciaga” (1973), “Hollywood Design” (1974), “The Glory of Russian Costume” (1976), e “Vanity Fair” (1977).

Em 1989, chegou ao fim da vida de maneira trágica. Pobre e cega na cama, recebia a visita diária do amigo André Leon Talley (editor-adjunto da Vogue América), que lia e lhe contava as novidades da cidade. Sobre a cegueira, corre a lenda de que teria comentado, sarcasticamente: “Meus olhos se cansaram de ver coisas bonitas.”

Em 1994, cinco anos após a sua morte, Diana Vreeland foi homenageada com uma exposição no mesmo museu Metropolitan em que trabalhou. Em 1996, foi a personagem principal de uma peça de teatro denominada Full Gallop, de Mark Hempton e Mary Louise Wilson, expressão com que ela respondia quando lhe perguntavam como estava – a todo vapor, dizia, mesmo em tempos mais adversos.

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Cena de Full Galop com Kate Udall no papel de Vreeland em motagem de 2005

Para a nova geração vai fazer mais sentido o projeto da produtora Nina Santisi, a mesma de Unzipped (1995) sobre o estilista Isaac Mizrahi. A atriz mais cotada para o papel é Siena Miller, que vive no cinema “Factory Girl”, por coincidência conta a vida de Edie Sedgwick, que era protegida de Diana Vreeland. Para Guto Barra, da Planet Pop, quem deveria fazer o papel é Adrien Brody, que de peruca ficaria igualzinho a D.V.

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Quem deveria fazer D.V. no cinema: Sienna ou Brody?

Anyway, no filme poderemos reviver as frases impagáveis da mãe de todas as diabas:

“Dinheiro ajuda a tomar café na cama. Estilo ajuda a descer uma escada”
“O biquíni foi a invenção mais importante do século 20, depois da bomba atômica”
“Se você não se veste bem todos os dias de sua vida, jamais estará bem vestida no sábado à noite”
“A roupa não leva a lugar nenhum. É a vida que você vive nela que leva”
“A modelo ideal não tem que ser perfeita, nem bela, mas sim impregnar de alma as roupas”


Vale a pena ver Vreeland em ação gritando: “Please don’t stand there!”

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3 Respostas to “Diana Vreeland: a mãe de todas as diabas”

  1. Thaís 8 de dezembro de 2007 às 9:08 am #

    oi! estou desenvolvendo meu tcc, e nele estou abordando qual a aceitação dos novos profissionais de moda no mercado. em um dos capitulos comento moda como negócio lucrativo e descrevo o surgimento dos profissionais apartir disto. Como devem saber não posso usar citações de blogs, mas achei muito interessante este post e gostaria de saber se tem alguma fonte (livros, jornal renomado ou revista confiável) que posso utilizar no meu trabalho.

    parabéns, este conglomerado de blogs está muito legal.

  2. The truth 30 de maio de 2010 às 4:37 pm #

    Amei esse artigo!

Trackbacks/Pingbacks

  1. Coluna de domingo no Blog View « fora de moda - 22 de outubro de 2007

    […] Saiba por quê Diana Vreeland é a mãe de todas as diabas […]

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