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Reinvente-se

30 out

LUIGI DIZ: Antes de começar preciso pedir desculpas pelo atraso da coluna. Passei a segunda toda de ressacón do Tim Festival e cheio de coisas para entregar na faculdade. Acabou que não deu tempo de escrever sobre o Tim, como pretendia.

Melhor, porque agora achei outro tema, mais a ver com moda mesmo. É que foi publicada hoje, no jornal WWD, matéria falando sobre reinvenções de marcas. O tema é super atual e tem bastante a ver com aquele outro assunto da coluna de algumas semanas atrás, os grupos de moda (grupos gestores).

Vale a pena ler a matéria, que parece longa, mas nem é tanto, porque lá fica claro o que parece óbvio para os mais interados na indústria da moda, porém que não é tão evidente assim para os demais interessados no assunto. “Marcas, assim como as pessoas, tem ciclos”, disse Marc Gobé, co-fundador, presidente e chefe executivo da Desgrippes Gobé. “Tem a gestação, o amadurecimento, o envelhecimento e aí você deve considerar o renascimento e reinvenção. Algumas (marcas) tem dificuldades para fazer tal movimento”.

No geral o que leva uma marca à reinvenção é a perda de seu público alvo, seja porque este amadureceu (envelheceu) – e a nova geração mais jovem não se identifica com os valores da marca -, mudou, ou até mesmo desapareceu. Outro motivo pode ser a extrema competitividade no setor.

Na matéria, a jornalista Lisa Lockwood ainda dá exemplo de reinvenções bem sucedidas, como a da Dior com Galliano, Diane Von Furstenberg, Puma, Lacoste, Guess e ouras nem tanto. Também aponta marcas que precisam desesperadamente se reinventar, como é o caso da GAP.

E por aqui as tais reinvenções estão começando a ganhar mais notoriedade. A Zoomp é o exemplo mais recente, seguido pela Zappign que agora recebe direção critaiva de Maurício Iannes. A Ellus 2nd Floor também é uma marca que ganhou nova cara, sob o comando de Rita Wainer assim como muitas outras.

Jodhpurs para meninos

22 out

emporio-armani-jodhpur.jpgLUIGI DIZ: Hoje (22/10) a Fernanda Resende, do Oficina de Estilo, me perguntou se as calças jodhpur – hit deste inverno no hemisfério norte, desfiladas na coleção de inverno da Balenciaga – também servem para os meninos. Confesso que a pergunta me pegou de surpresa. Não me lembrava de ter visto nenhum homem usando tais calças recentemente, nem nenhum desfile em que elas aparecessem.

Antes de continuar vale lembrar que os jodhpurs são de origem oriental e foram usados originalmente para equitação, como ainda são, sendo uma peça originalmente masculina. O uso deste tipo de calça é bem recorrente na moda urbana e já conta com várias interpretações de diversos estilistas, tanto nacionais, como internacionais.

Isto posto, volto a pergunta que me foi feita que ficou na minha cabeça durante toda a tarde. Então resolvi ir pesquisar nos desfile masculinos para o verão 2008 se as tão faladas jodhphurs apareciam em alguma coleção. Para minha surpresa apareceram. E para ser bem sincero, onde eu menos esperava. De cara fui procurar nos desfiles de Gaultier, Galliano, Comme des Garçons, Junya Watanabe e outros estilista tidos como mais vanguardistas e menos convencionais. Porém nesses só achei calças sarouels ou dhotis (aquelas mais larginhas na coxa e ajustadas do joelho para baixo).

As jodphurs, as que eu realmente procurava só fui achar realmente na coleção da Emporio Armani, que por sinal estava cheias delas, em looks bem hi-low, combinadas e até construídas com tecidos e peças de alfaiataria. Isto acabou contribuindo para tirar o ar eqüestre excessivo que as calças podem carregar e também ajudou para dar visual mais moderno para a peça.

Então respondendo a pergunta, agora com mais embasamento: jodhpurs rolam para os meninos também.

Internet Fashion Week

15 out

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LUIGI DIZ: Não é novidade alguma dizer que a internet mudou drasticamente o modo como se comunica moda. Como as coleções, novidades e propostas para cada estação são transmitidas, o maior acesso à informações de qualidade, desfiles, imagens e por aí vai. Para nós blogueiros, a internet é, na maioria das vezes, nossa principal fonte de informação, principalmente quanto às temporadas de moda internacional.

Já é rotina de todo fashionista ou qualquer um mais interessado em moda passar no style.com, no blog da Cathy Horyn, ler as sessões de moda dos principais jornais do planeta, além de acompanhar os várias blogs especializados no assunto, que além de ganharem mais relevância, estão crescendo assustadoramente.

Momentos após os desfiles já se pode encontrar fotos dos looks apresentados, resenhas e comentários e até vídeos do show no youtube. Já está ficando comum também a própria marca disponibilizar minutos depois de seus desfile, vídeos ou fotos em suas páginas na internet.

Foi-se o tempo que só quem estava presente nas salas de desfile ficava sabendo das “novidades”. Não é mais preciso esperar meses, se quer 24h para se obter informações sobre um nova coleção.

O próprio formato desfile vem sofrendo consideráveis variações/mudanças devido a forma de como se cobre moda hoje em dia. Antes uma apresentação quase que exclusiva para compradores e clientes, com criticas no jornais totalmente voltada para a indústria. Hoje, quase que a abdicação da passarela por completo e uma apresentação em forma de vídeo, como vimos recentemente com Hussein Chalayan em parceria com o SHOWstudio.

Assim, não é de se espantar o lançamento da Internet Fashion Week. O projeto, idealizado por Panos Destanis (do site de moda alemão Modabot), tem como objetivo levar todo o conceito da uma semana de moda para um espaço virtual. De acordo com o fundador do evento, as possibilidades “conceituais, tecnológicas e estéticas” oferecidas pela internet não são suficientemente utilizadas na comunicação de moda, daí o surgimento de uma semana de moda totalmente virtual.

“No futuro, estilistas e marcas internacionais, em parceria com videomakers, fotógrafos e outros artistas, irão apresentar suas coleção para uma platéia global. A Internet Fashion Week tem como objetivo se tornar um lugar onde a informação de moda é aberta para futuros desenvolvimentos, atraindo atenção do mundo todo”, escreve Destanis no release do evento.

Só espero que eles aproveitem bem todas as oportunidades da internet para não se tornar um style.com sem desfile real, e consigam dar espaço para novos estilistas que nem sempre conseguem seu lugar ao sol nas principais semanas de moda do planeta fashion.

Planejando moda e meme literário

8 out

LUIGI DIZ: Aconteceu neste fim de semana (6 e 7 de outubro) o primeiro Fórum Escola São Paulo de Criação e Tendências na Moda, para o inverno 2008. Sábado (06/10) assisti as exposições seguidas de debates de Paulo Borges, Maria José de Carvalho e Alexandre Herchcovitch. Muitos temas foram abordados por cada um dos convidados, como a urgência de uma política de desenvolvimento de qualidade e eficaz para moda e design, a pulverização das micro tendências em detrimento à individualização do estilo – tanto por parte do estilista, como do consumidor – e dos grupos financeiros ou gestores que recentemente começaram a tomar notoriedade no Brasil.

Os mais interessados e próximos da moda com certeza já os conhecessem. Em todo caso, são empresas privadas que passam fazer todo um planejamento de gestão para marcas geralmente com a finalidade de torná-la um grife global, explorar ao máximo seu nicho de mercado e, lógico, lucrar mais. Com certeza muitos já devem ter ouvido o nome de alguns dos principais grupos de moda (empresas gestoras) como a PPR, que possui entre outros, a Gucci, YSL e Balenciaga, a LVMH com a Louis Vuitton, Marc Jacobs, Kenzo e outras grifes – o grupo também atua em diversos outros setores do mercado de luxo – e a Premira que adquiriu recentemente o Grupo Valentino.

Aqui no Brasil, talvez o grupo mais conhecido seja a AMC Têxtil, de Santa Catarina, e o recém formado grupo Zoomp, do qual Alexandre Herchcovitch é diretor criativo.

Hoje em dia o mercado de moda tomou proporções jamais imaginadas. Muito mais que o “glamour” das semanas de moda, do que criações e fantasia, a moda é agora, antes de mais nada, um negócio. “Com grupos financeiros entrando no mundo da moda, fica cada vez mais calor que moda é negócio”, afirmou Paulo Borges.

E num mundo tão competitivo, só quem possuir um forte planejamento e gestão conseguirá ter sucesso. “É o único mio de sobreviver”, disse Alexandre Herchcovitch. E por mais cruel que seja a afirmação é a realidade. Atualmente, dificilmente uma marca nova e independente conseguirá atingir grande visibilidade sem se afiliar à um desses grupos.

Mas nem sempre esse casamento dura a vida toda. Um exemplo internacional é a marca de calçados Bruno Magli, que após ser comprada pelo grupo Opera não rendeu os lucros esperados. Outro grande problema é quando a grife adquirida tem sem diretor criativo ou estilista substituído, como foi o caso da marca Sommer aqui no Brasil. Em casos como estes, a necessidade de haver uma continuidade na identidade da marca é essencial. Coisa que não aconteceu no exemplo citado.

Manter tal identidade parece ser a preocupação principal do grupo Zoomp, que pretende adquirir algumas marcas complementares, com potencial de crescimento.

Outro fator que deve ser analisado com muito cuidado é o que tange à liberdade de criação e expressão do estilista. Muita vezes o foco excessivo nos lucros acaba pasteurizando de mais as coleções, deixando-as sem o frescor de inovações e até carência de informação de moda de qualidade.

Agora o Meme Literário

Foi me passado pelo Oliveros o convite de participar do meme literário. Como todo mundo já deve estar sabendo o tema é os cinco livros mais importantes da minha vida.

Devo confessar que entrei numa mini crise quando recebi o convite, porque sempre fui de ler mais revistas (pencas de revistas), jornais ou matérias, do que livros mesmo. Mas mesmo assim consegui fazer minha listinha:

1o O Império do Efêmero, de Gilles Lipovetski – foi o primeiro livro que li sobre moda e acho que devia ser o de todo mundo. Digo isso porque o autor vai além da roupa, do indústria e do meio da moda. Estuda todo impacto da moda na sociedade da modernidade à pós-modernidade e em diferentes áreas, além de dar um bom parâmetro sobre a história da moda.

2o Ensaio Sobre a Cegueira, José Saramago – começa que sou meio fã do autor, segundo porque o livro de um jeito bem peculiar sobre como vivemos em sociedade e de certo modo, como imagens afetam nossa vida.

3o À Sangue Frio, Trueman Capote – além de uma aula de jornalismo – ok, sem muito ética, mas ainda assim… – tem uma história incrível.

4o Raízes do Brasil, Sérgio Buarque de Holanda – indispensável para entender praticamente tudo que acontece com e na sociedade brasileira hoje.

5o Uma História Social da Mídia, Asa Briggs e Peter Burke – ótimo para entender todo o processo midiático, de sua origem até hoje.

Tá em falta

1 out

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LUIGI DIZ: Transmissão de pensamento com Suzzy Bubble hoje. Para quem ainda não, viu a blogueira inglesa postou hoje sobre a falta de opção de revistas de moda exclusivamente voltadas ao público masculino, e com boa qualidade e informação de moda. Que a moda masculina é quase sempre obscurecida pela moda feminina, todo mundo já sabe. Os desfiles de marcas/estilistas dedicados ao público feminino recebe muito mais atenção, inclusive da mídia especializada.

Mas agora, pare e pense: quantas revistas de moda masculina realmente boas você consegue pensar? Ok, vamos lá temos a Another Man – quase que uma versão total masculina da Another Magazine -, a Arena Homme +, a Ten Plus Men, a Fantastic Man e a super nova – que na verdade é uma volta, mais do que uma revista totalmente nova – Man About Town. Claro, temos ainda às Vogue L’Uomo, Men Vogue, Homme International. Mas quanto à estas faço minha às palavra de Suzzy Bubble: “ they do the job but with an aim of pleasing everyone so can be quite all over the place”, got it?

Agora, pare e pense de novo: a grande maioria das revistas que falei acima – pouquíssimas em relação ao que a imprensa oferece para a moda feminina – é bianual, com apenas duas edições por ano, um a de inverno e outra de verão. Não é pouco de mais? Eu digo sim. Já se falou aqui – e não foram poucas as vezes – que o masculino é o segmento que mais tem potencial de crescimento na indústria da moda. E ainda assim, é tido como algo de menor importância pela imprensa especializada – mesmo que havendo exceções. Assim fica ainda mais difícil de moda masculina alavancar como todos esperamos e prevemos.

O quadro de escassez de publicações dedicados puramente à moda masculina é ainda mais amedrontador aqui no Brasil. Como revista de moda mesmos, só consigo lembrar da Vogue Homem – alguém lembra de mais algumas? Claro, que temos outras revistas masculinas, como a VIP, que possuem seções de moda, mas ainda sim, muito caretas, sem contribuírem de fato para levar a moda masculina para a frente.

Mexendo os bracinhos

24 set

LUIGI DIZ: Antes de começar a essa coluna preciso deixar uma coisa bem clara: Tenho horror à coreografias em boates. Quando são coletivas ainda, tenho vontade de sair correndo de medo. Só aceito Vogue da Madonna, porque essa não tem como segurar os bracinhos para baixo, né? Então não reparem meu tom de desgosto sobre o tema que segue.

Isto posto vamos ao assunto dessa semana. Já fazia um tempinho que eu me deparava com uns vídeos, ao meu ver pavorosos, de pessoas fazendo umas dancinhas nervosas e bizarras com os braços pelos myspaces da vida. Mas como sempre repudiava tal ato, nem me dei ao trabalho de ir atrás e ver qual era dessa invasão coreográfica. Daí que me deparo com o post do Lúcio Ribeiro, no blog dele: “Enquanto eu estive na França, com meus dois olhos vidrados no novo rock francês, ouvia falar de orelhada uma história sobra a dança tecktonik, nos clubinhos de lá. Era uma dança da galera do hip hop e até da eletrônica, nem tão nova assim, que já estava extrapolando para outras tendências. Apesar da curiosidade e de perceber que o YouTube já tinha um milhão de vídeos sobre o troço, não me aprofundei no assunto. Agora uma amiga de Londres aparece falando em… tecktonik. Ou tektonik. Segundo um blog bem definiu, é a dança na qual se movimenta muito mais os braços do que as pernas. Simples assim. Dá para dançar até sentado.

A dança é uma verdadeira febre na França, basta uma rápida busca no google para ver os vários sites e blogs dedicados ao assunto. Tem desde aqueles com fotos e vídeos das pessoas se jogando no dança aos que explicam de onde vem tais movimentos e uns que até ensinam como dançar. São poucos os sites em inglês, uma vez que o estilo está chegando só agora na Inglaterra. O YouTube também está cheio de vídeos com o povo mexendo e jogando os bracinhos feito loucos. Alguns dão até medo. Não sei como as pessoas não deslocam o ombro, sério… Enfim, o que eu achei menos pior foi esse lá de cima, com a música A Cause des Garçon, da Yelle, só que remixada (ficou bem mais legal que a original). Será que daqui à um tempo a gente vai ver esses movimentos por aqui? Se bem que eu já vi umas dessas nas boates daqui… Nada tão frenético como esses daí, mas já dá para notar uma semelhança. Medo.

O novo enfant terrbile

17 set

LUIGI DIZ: Desde sábado todos os olhares do planeta fashion se voltaram para Londres, onde acontece mais uma edição da London Fashion Week. O fim de semana foi praticamente dedicado à novos estilistas, alguns já bem conhecidos entre os fashionistas como os principais talentos da efervescente moda inglesa dos últimos tempos. Um deles, e que causou maior frisson no domingo, foi o mais novo enfant terrible – como alguns críticos e editores já o estão chamando -, Gareth Pugh.

Para se ter uma idéia do tamanho de seu sucesso e talento – não é só hype, não, tá? – o estilista, de apenas 26 anos, conseguiu reunir as principais editorias e críticos de moda em seu desfile, no domingo. Cathy Horyn, do NY Time, Suzy Menkes do International Herald Tribune, Hilary Alexander do Telegraph, Sarah Mower do Style.com, Anna Piaggi da Vogue Italia, Michael Roberts da Vanity Fair e até Anna Wintour eram algumas dos principais nomes que compunhas a primeira fila do desfile de Pugh.

Formado pela Universidade Saint Martin e com vasta experiência em figurinos teatrais, Pugh estreou nas passarelas como integrante do projeto Fashion East. Seus trabalhos foram sempre marcados por grande excentricidade criativa, experimentações com volumes, formas e materiais inusitados, sempre em preto e branco. Seu debut solo nas passarelas da LFW foi me março de 2006 (coleção para o inverno 2006/07), recebendo ótimas criticas da imprensa especializada, o que levou Anna Wintour à pedir um lugar na primeira fila para o próximo desfile.

As primeira criações de Pugh eram muito mais performáticas e cheias de teatralidade do que “vestibilidade”, digamos assim. Uma roupa de Poodle, outra cheia de balões, uma que chegava a ascender, ficando literalmente iluminada, volumes super exagerados, e até formas que chegavam a descaracterizar a silhueta humana – os gêneros (masculino e feminino) nem se fala.

Mas desde a coleção passada (para o inverno 2007/08) Pugh vem mostrando evolução, no sentido de atribuir a sua roupa um caráter mais usável, sem perder todo seu estilo dark, subversivo e teatral. Sem deixar a excentricidade de lado, e sem abrir mão de peças e looks que só funcionam nas passarelas e em alguns editoriais, Pugh foi aos poucos inserindo itens menos difíceis de chegarem à um possível consumidor final. Prova disso é o bom resultado das vendas. Apoiado por Rick Owens e sua mulher, Pugh conseguiu pela primeira vez fazer com que suas roupas chegassem à lojas como Liberty and Browns Focus em Londre, Barneys e Bergdorf Goodman em NY, Colette e na loja de Rick Owens em Paris.

O verão 2008 do estilista, bem mais sombrio – com direito até a um casaco de ratos de mentira – veio ainda mais fácil de chegar às ruas. Ok, eu sei que não é qualquer um que vai sair por ai num vestido de tiras de couro, ou numa saia toda plissada em A. Mas também não dá p/ negar que não tem peças mais fáceis de se usar, como a blusa de organza, o skinny com swarovski do primeiro look, ou os vestidinhos que ficavam quase que escondidos sobre franjas e tiras pretas.