Meninas adultas

27 out

GLAUCO DIZ: No começo do mês, entre os dias 3 e 5,  rolou a 6a  edição do Teen Fashion, evento de moda voltada ao público jovem. Sei que já faz um tempinho, mas até hoje ficou na minha cabeça um assunto que surgiu de uma observação da Laura Artigas, do Moda pra Ler, lá nos corredores da Cinemateca Brasileira: as meninas estão usando cada vez menos roupa e mais maquiagem. 

Parece papo de senhorinha conservadora, mas ficamos impressionados ao observar a quantidade de mini-saias (minis meeeesmo!), tops, saltões e maquiagem em garotas que não tinham mais do que 13 anos. Até concordo quando dizem que, nessa fase, o adolescente é super ligado na estética, queira chamar atenção, imitar seus colegas e seus artistas favoritos. Afinal, para eles (assim como para nós) é muito importante ser aceito no grupo.

Mas, fico me perguntando onde é que esse pessoal vem buscando suas referências? A sensação que eu tenho é que para essas meninas o importante é se parecer com a Beyoncé, dançar como Shakira e se vestir como a Christina Aguilera (com bastante umbigo à mostra). E a grande preocupação delas é saber quando os pais lhes darão autorização para fazer uma tatuagem, colocar um piercing ou, quem sabe, implantes de silicone. Radical? Pode ser. Mas, vocês hão de concordar, que essa não é uma afirmação falsa.

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Isso me faz lembrar de uma história que aconteceu nos tempos do colégio. Não sei direito se foi na 7ª ou 8ª série… Enfim, a diretora convocou uma reunião com pais e alunos para discutir a roupa da “molecada”. Ela defendia que aquilo ali era um colégio e não uma passarela; que as meninas pareciam competir para quem se atrevia mais no modelito; que abusavam das camisetas cortadas para deixar a barriga à mostra; e que os meninos brigavam pra ver quem ia usar a calça mais larga para deixar a cueca aparecendo. De nada adiantou. Quando ela sugeriu a adoção de uniformes, poucos pais aderiram à idéia (o que é compreensível, pois se tratava de um colégio público). E tudo continuou como era.

Isso só pra mostrar que, se naquela época, isso já era uma questão, imagina nos dias de hoje? Desde cedo essas meninas vão acreditando na idéia de que o sexy beirando ao vulgar que é o bonito. Daí talvez uma possível explicação, de outras inúmeras, da tão comentada falta de elegância ou, melhor, do excessivo apelo sexual na composição do visual da mulher brasileira (não estou generalizando, tá?). Uniforme já nessas garotas!

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TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA?

26 out

VITOR DIZ:

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Jodhpurs para meninos

22 out

emporio-armani-jodhpur.jpgLUIGI DIZ: Hoje (22/10) a Fernanda Resende, do Oficina de Estilo, me perguntou se as calças jodhpur – hit deste inverno no hemisfério norte, desfiladas na coleção de inverno da Balenciaga – também servem para os meninos. Confesso que a pergunta me pegou de surpresa. Não me lembrava de ter visto nenhum homem usando tais calças recentemente, nem nenhum desfile em que elas aparecessem.

Antes de continuar vale lembrar que os jodhpurs são de origem oriental e foram usados originalmente para equitação, como ainda são, sendo uma peça originalmente masculina. O uso deste tipo de calça é bem recorrente na moda urbana e já conta com várias interpretações de diversos estilistas, tanto nacionais, como internacionais.

Isto posto, volto a pergunta que me foi feita que ficou na minha cabeça durante toda a tarde. Então resolvi ir pesquisar nos desfile masculinos para o verão 2008 se as tão faladas jodhphurs apareciam em alguma coleção. Para minha surpresa apareceram. E para ser bem sincero, onde eu menos esperava. De cara fui procurar nos desfiles de Gaultier, Galliano, Comme des Garçons, Junya Watanabe e outros estilista tidos como mais vanguardistas e menos convencionais. Porém nesses só achei calças sarouels ou dhotis (aquelas mais larginhas na coxa e ajustadas do joelho para baixo).

As jodphurs, as que eu realmente procurava só fui achar realmente na coleção da Emporio Armani, que por sinal estava cheias delas, em looks bem hi-low, combinadas e até construídas com tecidos e peças de alfaiataria. Isto acabou contribuindo para tirar o ar eqüestre excessivo que as calças podem carregar e também ajudou para dar visual mais moderno para a peça.

Então respondendo a pergunta, agora com mais embasamento: jodhpurs rolam para os meninos também.

Diana Vreeland: a mãe de todas as diabas

22 out

OLIVEROS DIZ: Por ocasião do aniversário de 150 anos da Harper’s Bazaar, resolvi falar um pouco de Diana Vreeland, com certeza a mais importante editora de moda da história, simplesmente porque ela inventou esta profissão.

Reza a lenda, que Carmen Snow a viu dançando no Roof de NY com seu marido, o banqueiro Thomas Vreeland, com um vestido Chanel e teve a intuição que aquela mulher de sociedade, cheia de estilo, poderia ser uma ótima colaboradora para a Bazaar.

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Carmen Snow e Diana Vreeland discutindo lay outs da HB (Walters Sanders/Time&Life)

E estava 1000% certa. Em 1936 ela começou a escrever a coluna Why Don’t You…? (Por que você não…?) onde ela dava dicas absurdas como: Porque você não lava seus cabelos claros do seu filho com o campanhe que sobrou de ontem a noite¿ Ou Porque você não usa 3 diamantes presos no cabelo como a Duquesa de Windsor?

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1934: primeira coluna Why don’t you…? de Diana Vreeland

Em 1939 se tornou a primeira editora de moda do mundo. Seu estilo extravagante foi sua marca até o fim da vida. Costumava afirmar: “Sei o que elas vão usar, antes de elas usarem. O que vão comer, antes de comerem. E até mesmo para onde vão, antes mesmo de o lugar existir.”

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Diana Vreeland em ação num editorial de 1941

Como toda editora de moda (do passado?) ela não era fácil: uma de suas manias era de que suas assistentes mais próximas usassem bijuterias barulhentas e enormes, com guizos, para que ela sempre soubesse quando estavam por perto. Odiava reuniões pois achava que elas eram inúteis. Dava ordens por meio de telefones e memorandos ditados às assistentes. A revista Visonaire 37 publicou uma edição especial com 150 memorando, da época que foi editora-chefe da Vogue.

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Aliás, se na Bazaar ele teve seu talento reconhecido, por onde ficou por 25 anos, foi na Vogue que ela se transformou num ícone fashion. Tudo começou em 1962, quando o empresário Sam Newhouse comprou a editora Condé Nast e deu a Vogue de presente para a mulher, que exigiu a contratação de Diana para o cargo de diretora.

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Ganhava um salário altíssimo, tinha um motorista para busca-la todos os dias e um crédito ilimitado para comprar as roupas que quisesse. Era realmente era uma mulher de estilo. Feia que só ela –dizem que passou mal bocados na infância e adolescência porque sua mãe e irmã judiavam dela por causa da feiúra – resolveu seu complexo quando casou com Thomas, o homem mais lindo que ela conhecera, segundo suas próprias palavras.

O que se espera da figura de uma editora de moda? Antes de mais nada, estilo. Ela criou um estilo só dela. Cabelo preto sempre no mesmo corte, preso atrás das orelhas, batons e esmaltes vermelhíssimos, da mesma cor de seu apartamento e escritório na Vogue, e sempre impecavelmente vestida.

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Vermelho era a cor-paixão de Vreeland no seu ape decorado por Billy Baldwin

Segundo, que tenha um faro para o novo e Diana possuía um dom para descobrir talentos e foi responsável pelo sucesso de muitas modelos e dezenas de fotógrafos e estilistas. Twiggy, Marisa Berenson, Verushka e Lauren Hutton foram algumas de suas modelos imortalizadas em seus editoriais. Sabia reconhecer beleza de mulheres consideradas “esquisitas” como Barbra Streisand e Anjelica Huston. Seu círculo de amizade era composto de pessoas como Rudolf Nureyev, Coco Chanel, Jackie Kennedy, Andy Warhol.

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D.V. em click de Andy Warhol

Antes de Diabo Veste Prada, Vreeland (dizem) foi a inspiração de uma editora de moda exigente e perfeccionista no filme francês dos anos 60, “Qui êtes-vous Polly Magoo?”. O filme é de Willian Klein, fotógrafo contratado pela Vogue na época.

Vreeland soube tirar partido de seu networking. Em 1971 sua saída da Vogue foi humilhante. Todo mundo já sabia de sua saída e comentavam por suas costas. O motivo foi que ela estourava o orçamento da revista, já que tinha equipes fotografando pelo mundo todo.

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Caricatura de D.V. por David Levine

Ela deu a volta por cima no ano seguinte, graças a sua amizade com Jackie O., tornou-se consultora especial do Instituto de Vestuário do Metropolitan Museus de Nova York. De1972 até 1989, criou memoráveis exposições como a “The World of Balenciaga” (1973), “Hollywood Design” (1974), “The Glory of Russian Costume” (1976), e “Vanity Fair” (1977).

Em 1989, chegou ao fim da vida de maneira trágica. Pobre e cega na cama, recebia a visita diária do amigo André Leon Talley (editor-adjunto da Vogue América), que lia e lhe contava as novidades da cidade. Sobre a cegueira, corre a lenda de que teria comentado, sarcasticamente: “Meus olhos se cansaram de ver coisas bonitas.”

Em 1994, cinco anos após a sua morte, Diana Vreeland foi homenageada com uma exposição no mesmo museu Metropolitan em que trabalhou. Em 1996, foi a personagem principal de uma peça de teatro denominada Full Gallop, de Mark Hempton e Mary Louise Wilson, expressão com que ela respondia quando lhe perguntavam como estava – a todo vapor, dizia, mesmo em tempos mais adversos.

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Cena de Full Galop com Kate Udall no papel de Vreeland em motagem de 2005

Para a nova geração vai fazer mais sentido o projeto da produtora Nina Santisi, a mesma de Unzipped (1995) sobre o estilista Isaac Mizrahi. A atriz mais cotada para o papel é Siena Miller, que vive no cinema “Factory Girl”, por coincidência conta a vida de Edie Sedgwick, que era protegida de Diana Vreeland. Para Guto Barra, da Planet Pop, quem deveria fazer o papel é Adrien Brody, que de peruca ficaria igualzinho a D.V.

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Quem deveria fazer D.V. no cinema: Sienna ou Brody?

Anyway, no filme poderemos reviver as frases impagáveis da mãe de todas as diabas:

“Dinheiro ajuda a tomar café na cama. Estilo ajuda a descer uma escada”
“O biquíni foi a invenção mais importante do século 20, depois da bomba atômica”
“Se você não se veste bem todos os dias de sua vida, jamais estará bem vestida no sábado à noite”
“A roupa não leva a lugar nenhum. É a vida que você vive nela que leva”
“A modelo ideal não tem que ser perfeita, nem bela, mas sim impregnar de alma as roupas”


Vale a pena ver Vreeland em ação gritando: “Please don’t stand there!”

Moda pra ler entrevista: Marilia Carneiro

20 out


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LAURA DIZ: A figurinista da Rede Globo Marília Carneiro assina o figurino da peça “O Baile”, em cartaz até o dia 25 de novembro no teatro Cultura Artística em São Paulo. No espetáculo ela retomou o trabalho para o teatro e a parceira com o diretor José Possi neto, colocando em prática seu vasto conhecimento em figurino de época.

Carioca e moradora da Gávea, Marília começou sua carreira como figurinista em 1973, com o filme “O homem que comprou o mundo” de Eduardo Coutinho (mais conhecido hoje pelo documentário “Edifício Máster”). “Comecei como Herchcovitch, vestindo um travesti nesse filme. Me inspirei no Coccinelle o primeiro travesti que vi na vida. Foi em Paris”, diverte-se. Logo em seguida entrou na Rede Globo a convite da atriz Dina Sfat, amiga e cliente da boutique que Marília teve nos anos 60, a Truc.

A carreira de figurinista teatral começou algum tempo depois em 1979 com “Rasga Coração”, de Oduvaldo Viana Filho. “Foi uma peça importante porque esteve proibida durante a ditadura”, relembra. Ela calcula que tenha feito cerca de 27 trabalhos para o teatro, entre os quais também destaca “Doce Deleite”, e “M. Butterfly”, essa última com o diretor de “O Baile”.

Conhecida por lançar hits de moda como a meia de lurex usada com sandália em “Dancing Days”, ou a mini-saia jeans da Darlene, em “Celebridade”, a figurinisra também prima por compor belíssimos trajes de época, como das mini-séries “Anos Rebeldes” e “A Casa das Sete Mulheres”.

“O Baile” foi inspirado no filme homônimo de 1983 dirigido pelo italiano Ettore Scola, que por sua vez foi baseado numa criação do diretor francês Jean-Claude Penchenat, do Théâtre du Campagnol. O espetáculo mostra por meio dos bailes a passagem do tempo, dos anos 50 até os dias de hoje. A música, a dança, e claro, as roupas são as personagens principais.

Por telefone, divertida e falante, Marília contou com pitadas de autobiografia como foi desenvolver os 150 looks que os 20 atores usam.

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Figurino do baile dos anos 50

Como surgiu o convite para fazer “O Baile”?
A Tássia Camargo (atriz e produtora do espetáculo) me convidou e o Possi (José Possi Neto, o diretor),adorou a proposta. Eu e ele trabalhamos juntos em M.Butterfly e em um show da Zizi Possi.

Em quanto tempo o figurino ficou pronto?
Foram 3 meses. A produção alugou uma casa na Barra da Tijuca. Vivemos em comunidade. Foi uma integração muito grande que facilitou o trabalho porque entendi o corpo e a necessidade de cada ator. Fiquei um pouco nostálgica porque lembrei de uma época que pude acompanhar o Teatro de Soleil. Uma amiga integrava o grupo. Apesar de todos os anos de experiência nunca tinha trabalhado dessa maneira.

Foi uma diversão então?
Foi uma delícia! Eu tenho a idade do Baile (risos). Busquei inspiração na minha memória afetiva e nos figurinos que criei. A ajuda do Possi foi de grande valia. Ele é muito detalhista e lembrava de coisas muito específicas, como um vestido que a Celi Campelo usou ou a roupa que a Elis Regina casou, e eu corria atrás.

Você disse que buscou inspiração na sua memória afetiva. O que fazer esse figurino te recordou?
Tanta coisa… Tinha uma empregada que chorou muito quando o Getúlio morreu. Lembro de ter virado getulista na época. Minha família era super conservadora e achou aquilo um horror. Nos anos 80 foi uma auto-referência das roupas que usava… e por aí vai.

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Além da sua memória afetiva onde mais você pesquisou?
O filme sobre o festival de Woodstock me ajudou muito. Também busquei no acervo de revistas da minha irmã, que era modelo. Busquei também os ídolos de cada época porque sintetizam bem o figurino.

E o filme do Ettore Scola? Foi fonte de inspiração?
Foram dois momentos com o filme. Perdi a conta de quantas vezes assisti. Deixava o DVD passando o tempo todo para me acostumar com as imagens. Depois não podia mais ver o filme e passei a buscar as referências brasileiras.

Define em uma peça ou uma palavra o figurino de cada época em “O baile”?
50´s – anágua; 60 – Courréges; 70 – Cores e barriga de fora; 80 – exagero; 90 até hoje – na peça não tem algo representativo, foram minha pirações.

Há alguma peça que faça referência explícita a algum ídolo da época?
Várias, mas cito dois casacos do baile da década de 70. Um modelo peludo que o Mick Jagger vestia aparece no Carlinhos de Jesus e o outro que o Caetano Veloso usava coloquei no José Paulo Correa.

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Onde você encontrou as roupas?
A maior parte aqui em São Paulo no brechó “Minha Avó Tinha”. E o que não encontrei o dono (Franz Ambrósio), gentilíssimo, me indicou onde achar. Fui também ao Spazio Vintage na Vila Madalena. Acabou acontecendo uma coisa muito interessante também.

O que? O que? (!!!)
Descobri na garagem do (ator) Guilherme Fontes um contêiner com todos os figurinos do filme “Chatô” (que não foi concluído). Adoro o Guilherme e ele me atendeu de prontidão. Contudo, além das roupas estarem guardadas há 7 anos, o espaço havia passado por um incêndio. Na hora que abrimos foi um susto. As peças estavam danificadas. Um tintureiro cobrou uma fortuna para recuperar as roupas. Eu chorei, chorei, chorei e ele deu um desconto inacreditável. No fim foi uma homenagem ao Guilherme, que ficou muito emocionado quando viu a peça.

Os atores dançam o tempo todo, como deixá-los confortável?
Quanto às roupas não tive problema algum. Tive que repensar alguns sapatos. Não pude colocar saltos ou plataformas muito altas.

Você gosta de fazer figurino para teatro?
Quando dá certo adoro! No primeiro figurino teatral que fiz fui indicada ao prêmio Moliére.

Por que quando dá certo?
È, porque não é fácil. Primeiro porque os ensaios, em geral, são à noite e sou uma pessoa diurna (risos). Outro grande problema é a verba, em geral restrita.

”O Baile” deu certo?”
Claro. Gostei muito. As roupas são um dos pilares da peça. Às vezes penso que
o figurino poderia ter ficado mais rico, porém, estamos no Brasil. A realidade é outra. É a anti-brodway (risos).

Estudamos a história da moda com base nas tendências surgidas no exterior, principalmente na Europa. No caso do figurino do “O Baile”, tem alguma referência que você apontaria como genuinamente brasileira?
Acabei usando as referências mais emblemáticas mesmo, que vieram de fora. Porém, de maneira geral, sempre adaptamos a moda para nossa realidade. Quando a Brigite Bardot era o ícone até poderíamos imitá-la, mas ninguém era tão esguia e loira como ela, né? (risos). O que é genuinamente brasileiro é a moda praia.

Você está fazendo o figurino da próxima novela das seis, do Walter Negrão, e sua fama se fez nas novelas das 8. Já tinha feito algum trabalho para a dramaturgia nesse horário?
Fiz “Mulheres de Areia”.

O que muda?
Será uma novela de época, passada nos anos 30. Eu procurei fazer algo leve, como pede o horário. E, além disso, acho que o mundo está precisando de leveza.

Conta um pouco como foi o trabalho?
Não quis um figurino muito fiel a época. Desconstruí os anos 30. O público prefere ver um toque de atualidade.

O CASO ELLUS

19 out

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VITOR DIZ: A Ellus foi condenada por danos morais pela Justiça de Santa Catarina a pagar R$ 500 mil pela instalação de outdoors com fotos onde exibiam um casal de modelos nus e seminus na praia. A Justiça considerou o conteúdo de forte conotação sexual.
O que vocês pensam desse caso?

Meme: 5 livros Descolex

16 out

GLAUCO DIZ: Semana passada o Oliveiros convidou o pessoal aqui do BlogView para um meme literário. Mesmo com certo atraso, posto a minha lista. O duro foi estabelecer um critério de seleção… Comecei a rabiscar no papel todos os livros que acho legal (vários deles já citados nos outros memes) e quando fui ver tava com uma lista enorme. Abandonei todos os critérios e acabei escolhendo esses cinco simplesmente com o coração…rs:

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Hiroshima, de John Hersey. Um dos clássicos do jornalismo literário, o livro conta sobre a bomba atômica que devastou a cidade japonesa em 1945. O mais interessante da obra é que ela dá uma visão mais humana à tragédia, optando por tratar da história de seis sobreviventes um ano após a explosão. Publicado pela revista The New Yorker, a reportagem ganhou um prêmio Pulitzer e é citado como exemplo de jornalismo bem feito. Edições modernas do livro contém um quinto capítulo final, escrito quarenta anos após o artigo original. Nele, Hersey retorna para o Japão para descobrir o que aconteceu ao longo dos anos com as seis pessoas que ele entrevistou. Meu sonho, um dia, é escrever uma reportagem tão boa quanto essa…rs.

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Babado Forte, de Erika Palomino. Quando li o livro, fiquei com vontade de ter nascido alguns anos mais cedo… Só pra ter curtido as festas, as raves e o clubes da época. O livro não é nenhum clássico da literatura, óbvio. E nem de longe se pretende a isso. Mas, é um delicioso relato da cultura jovem urbana dos anos 90: os clãs e as tribos da noite, as grifes usadas, o nascimento e a morte dos clubs, a chegada do techno ao Brasil, a radiografia dos DJs, os primeiros discos de música eletrônica brasileira. Tudo numa edição dinâmica que alterna entrevistas (com Madonna, Kate Moss, Ru Paul…), datas e glossários de gírias da noite.

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A Metamorfose, de Franz Kafka. O que me encanta nesse livro é o fato de o clímax da história vir logo de cara no primeiro capítulo, no comecinho. É uma estrutura de narração seca, difícil, que trata do absurdo (o personagem principal, Gregor, se transforma num inseto) de uma forma banal, comum. Além de sustentar horas e horas de papo sobre as inúmeras interpretações psicológicas, sociais e filosóficas, a obra me fez ver, pela primeira vez, que uma história não precisa seguir aquelas estruturinhas infernais que a gente aprende na escola.

A Mancha Roxa, de Plínio Marcos. Na verdade, qualquer peça dele eu acho bacana. Nascido em Santos, Plínio foi traduzido, publicado e encenado em francês, espanhol, inglês e alemão; estudado em teses de sociolingüística, semiologia, psicologia da religião, dramaturgia e filosofia, em universidades do Brasil e do exterior. Recebeu os principais prêmios nacionais em todas as atividades que abraçou em teatro, cinema, televisão e literatura. A peça é apenas um exemplo de seu fascinante universo de marginalizados… Prostitutas, assaltantes, ladrões, homossexuais vivem às voltas com situações que muitas vezes não criaram, mas que se tornam, pouco a pouco, parte integrante de suas vidas. Enfim, me encanta esse “quê” underground dele.

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Fashion Now, de Terry Jones e Avril Mair. Trata-se de uma edição especial dos 25 da ediotra Taschen e conta com pequenos perfis dos 150 desginers mais importantes na opinião da revista i-D. É um super arquivo, tem imagens lindas e informações muito valiosas. Ainda não terminei de ler. Na verdade, acho que nunca vou terminar… Ele é bom mesmo pra consulta e pra se deliciar um pouco.